sábado, 13 de agosto de 2011

PALAVRA DE VIDA
Deixai vir a mim as criancinhas! (Mt 19, 13-15)
Este é um imperativo de Jesus a seus discípulos. Entre outras qualidades, ressalta a “modernidade de Jesus”, seu caráter inovador para a época. Com certeza, seus discípulos devem ter ficado surpresos com a atitude do Mestre. Em seu tempo, a criança ainda não era reconhecida como “pessoa”. No máximo, um “homúnculo” – futuro homem, projeto de pessoa. Em certas civilizações, após o nascimento de um bebê, cabia ao pai decidir se a criança deveria viver, ou não.

Foi apenas no papado de S. Pio X (1903-1914) que as crianças tiveram autorização para comungar. Mesmo nos anos 50, no Brasil, o mundo dos adultos era praticamente inacessível à criança. “Criança não dá palpite! Isto não é assunto de criança” – verberavam os adultos. Por isso mesmo, é admirável que Jesus proteja os pequeninos da irritabilidade dos adultos. Mas não se trata de simples afetividade ou simpatia: Jesus vê a criança como pessoa. Também a elas se dirige o Evangelho. Também elas têm direito à evangelização.

Jesus não endossaria afirmações comuns entre nós: “criança dá trabalho / criança é problema / adolescentes são aborrecentes / Deus me livre de mais um filho!...” Filho muito amado por Maria e José, Jesus sabia do inestimável valor de um lar simples, mas cheio de amor... A família permitiu que ele crescesse em estatura, sabedoria e graça (cf. Lc 2,52). Assim, sabia que a criança tem valor.

Hoje, para nós, que significa “deixar que as crianças vão a Jesus”? Sem dúvida, significa considerar como prioridade da família e da Igreja o batismo das crianças, sua catequese e iniciação para a vida sacramental. Significa que o aborto é crime inominável, pois impede que venham à vida novos adoradores do Pai. Significa que pais e professores carregam sobre os ombros uma séria responsabilidade diante de Deus. Significa que governantes são instrumentos de Deus junto à infância. Sua omissão certamente terá um preço...

Mais uma vez, nosso olhar deve voltar-se para os santos. Eles jamais fecharam os olhos para os pequeninos. Lembremos os santos que fundaram escolas e institutos destinados a educar as crianças, como José de Calasanz, Paula Montal, Joana de Lestonnac, Dom Bosco, Dom Orione e tantos outros. Seu amor pela criança irradiava em sociedades ásperas e indiferentes o mesmo amor de Cristo pelos pequenos.

As crianças estão bem perto de nós? Vamos levá-las a Jesus?

Orai sem cessar: “Virei em socorro de minhas ovelhas!” (Ez 34, 22)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Nenhum comentário:

Postar um comentário