sábado, 29 de abril de 2017

PALAVRA DE VIDA

Sou eu. Não tenham medo! (Jo 6,16-21)
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            O discípulo amado escreveu: “No amor não há temor. Antes, o perfeito amor lança fora o temor, porque o temor envolve castigo, e quem teme não é perfeito no amor”. (1Jo 4,18.) Tendo experimentado uma vez a presença amorosa de Jesus, o apóstolo João libertou-se do medo; agora, sim, ele pode dedicar-se ousadamente à sua missão, que envolverá o extremo martírio.

            O medo paralisa. Imobiliza nossos passos. Retém nossos braços. Cala nossa boca. É bem verdade que o cenário “ajudava”: noite fechada, a tempestade uivante, as águas revoltas do lago. Quando Jesus se aproxima, caminhando sobre as águas, os discípulos o confundem com um fantasma. São Mateus registra que eles soltavam gritos de terror. (Mt 14,26.)
            Bem, pode acontecer conosco. Podemos ter medo de Deus. Medo de sua presença, de sua “entrada” em nossa vida. Medo de sua Lei. Medo de suas propostas, seu chamados. Medo de ter prejuízos por causa dele. Medo de abrir mão do controle de nosso tempo. Medo de ter de abrir mão de nossas canoas furadas para subir em sua barca... Medos que só acabarão com a experiência de que somos amados...
            Para você, que sente medo, dedico este meu soneto “Na tenda”:
Esconde-me do mal, Senhor, na palma
Da tua mão direita sempre aberta
A me acolher na hora mais incerta,
Devolvendo o sossego a minha alma!

Quando o teu braço poderoso espalma
A destra paternal, tudo se acerta:
Vai-se a angústia mortal que a mente aperta
E a tempestade abrupta já se acalma...

Se a dor me vem moer em sua moenda,
Eu corro para o abrigo de tua tenda
E, ali, repouso em paz, sereno e manso...

Pode rugir o inferno em fogo e lava,
Pois quanto mais o estrépito se agrava,
À sombra de tuas asas eu descanso!

Orai sem cessar: “Salva-nos, Senhor, que perecemos!” (Mt 8,25)

Texto e poema de Antônio Carlos Santini, da Com. Católica Nova Aliança.

sexta-feira, 28 de abril de 2017

PALAVRA DE VIDA

 O que é isso para tanta gente? (Jo 6,1-15)
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            As multidões continuam seguindo a Jesus, sedentas de sua Palavra, famintas de sentido para viver. No cenário deserto, nasce também a fome material. Jesus faz a Filipe a pergunta provocativa: “Onde havemos de comprar pão para eles comerem?”

            Um rápido levantamento dos “recursos humanos” disponíveis registra a presença de um garoto que levara consigo a bagatela de cinco pães de cevada e dois peixinhos. É a vez de André perguntar: “Mas que é isso para tanta gente?” Como quem diz: “Não dá nem para tapar o buraco do dente!”
            Ora, caríssimo André, já era tempo de saber... Já acompanhas o Mestre há bom tempo. Não estavas em Caná de Galileia quando mais de 500 litros de água da fonte foram transformados em vinho de primeira? (Jo 2.) Não ouviste a notícia da cura do filho do funcionário real? (Jo 4,50-54.) Não estavas presente quando Jesus curou o paralítico na piscina de Betzatá? (Jo 5,8-9.) Tais manifestações de sobre-humano poder não chegam ainda a aquecer as tuas esperanças?
            Bem, acontece também conosco. Depois de tantas graças recebidas, após tantos “milagres” que o Senhor realizou entre nós, ainda insistimos em contar exclusivamente com nossas próprias forças, nossos próprios recursos, como se estivéssemos sozinhos e abandonados a nós mesmos...
            Caríssimo André, bem a teu lado está Jesus Cristo, o Senhor da matéria, inventor da primeira semente de trigo, aquele que se apresentará como “Pão de vida”. Obedece e faz o que Jesus manda: convidar o povo a sentar-se sobre a relva e, a seguir, distribuir os poucos pães e os dois raquíticos lambaris. Todos esperam por alimento e o Mestre não quer ver ninguém com fome!
            Ao final, André, se todos ficarem saciados e ainda sobrarem muitos pedaços, enchendo doze cestos com as sobras, talvez alguém se lembre de Elias e de Eliseu (cf. 1Rs 17,7-16; 2Rs 4,1-7). Talvez consigamos recuperar a memória perdida de um Deus que é Pai e alimenta os seus filhos, mais do que alimenta as aves do céu, mais do que veste de ouro os lírios da campina...
            Em tempos de crise econômica, de multidões em êxodo forçado, tempos de fome endêmica, tempos de incerteza quanto ao futuro, é hora de rever nossas expectativas e verificar onde está o nosso apoio existencial.
            Com quem estamos contando em nossa vida? Apenas com nosso potencial humano? Vivemos do próprio dinheiro, esforço e saber? Ou já experimentamos que a graça de Deus atende cada dia às nossas reais necessidades?
Orai sem cessar: “Preparas uma mesa para mim, Senhor!” (Sl 23)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

quinta-feira, 27 de abril de 2017

PALAVRA DE VIDA

O Pai ama o Filho... (Jo 3,31-36)
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            Deus é amor, define São João em uma de suas cartas. Este amor é um amor eterno, vivido em comunhão no seio da Trindade antes que nada existisse. No Deus uno e trino, realiza-se a comunhão amorosa de três Pessoas: o Pai amante, o Filho amado e o Espírito, que é amor partilhado e comunicado entre o Pai e o Filho.

            Em momentos especiais dos Evangelhos, como as teofanias do Batismo no Jordão e da Transfiguração no Tabor, a voz do Pai declara o seu amor: “Tu és o meu Filho muito amado; ponho em ti minha afeição”. (Lc 3,22.) Gerado eternamente pelo Pai (genitum, non factum, isto é, “gerado, mas não criado”, afirma o Credo de Niceia e Constantinopla), o Filho é o modelo de acolhida do divino Amor.
            Há mistérios tão profundos, que nossa frágil razão humana não consegue atingir: como é que um Pai amoroso permite – e chega mesmo a propor! – que seu Filho se encarne e dê a vida por nossa salvação? Em nossa mentalidade humana, amar alguém inclui a atitude de envolvê-lo em uma redoma de proteção que o impeça de sofrer. Nós mesmos, em nossa vida pessoal e familiar, muitas vezes falhamos em nossa missão pela recusa dos sofrimentos inerentes a ela.
            A resposta a esse mistério está no amor... O Pai tem outros filhos. Eles estão afastados, rompido que foi o canal da comunicação amorosa entre coração e coração. A Paixão e Morte do Verbo encarnado, isto é, do Filho, condição por ele assumida em plena liberdade, participando do mesmo amor do Pai, viria reatar a amizade rompida entre o Pai Criador e todos os filhos dispersos. Impelido pelo Espírito, o Filho abraça o desígnio do Pai e nos resgata da morte do pecado, ao preço de seu sangue.
            Também não estamos muito aptos a compreender como se sentia Jesus, Deus e homem verdadeiro, em sua experiência terrena. Mas podemos levantar ao menos uma ponta do véu e imaginar que ele se sentia de tal modo amado pelo Pai, que os extremos sofrimentos de sua carne eram uma resposta de amor.
Dentro desta perspectiva, os padecimentos físicos, as dores morais, os sofrimentos do espírito, tudo adquire nova dimensão sob o signo do amor, tal como as dores do parto são compensadas pela alegria do filho que nasceu como novo atrativo e novo incentivo para o amor materno.
            Você se sente amado pelo Pai? Esta experiência amorosa o conforta nas horas difíceis? Não seria o caso de pedir a Jesus a graça de partilhar do seu sentimento de ser amado como filho?

Orai sem cessar: “Pai de amor, eu quero ser teu filho amado!”

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

PALAVRA DE VIDA

 ... deu o seu Filho único... (Jo 3,16-21)
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            Ainda há pessoas que contemplam a Cruz do Calvário e apenas veem nela um instrumento de tortura. Impactados pelo sangue e pelas chagas, chocados com os flagelos e a coroa de espinhos, seu olhar se detém no sofrimento. E assim perdem a oportunidade de contemplar o Amor. Um amor sem medidas nem barreiras, amor que abraça a morte para nos salvar.

            Em outra passagem do Evangelho, Jesus havia ensinado: “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos amigos”. (Jo 15,13.) Como sempre, Jesus pratica o que ensina. Por isso subirá o Calvário e morrerá na Cruz.
            Muita gente ainda se pergunta: Deus não poderia ter encontrado algum outro meio de salvar a humanidade? Precisava ser logo a Cruz, um “método” tão doloroso? E tendo como vítima propiciatória exatamente o seu próprio Filho? A resposta a esta pergunta pode ser mais simples do que se imagina: Deus queria mostrar a que extremos o seu Amor por nós pode chegar...
            E mais: essa extremada “entrega” do Filho único à morte tem um objetivo: “para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna”... Assim, nós devemos pensar como o apóstolo Paulo: Cristo “me amou e se entregou por mim” (Gl 2,20b). E quem ama está disposto a tudo.
            Claro que um amor assim pede resposta, quer correspondência. A recusa de um amor assim não pode ficar sem um preço. Se a Luz vem aos homens e eles a rejeitam, recusam a sua própria salvação. A ação do Espírito Santo em cada um de nós visa à nossa adesão a Cristo, que deu a vida por nós. A recusa dessa graça que salva é, em suma, o “pecado contra o Espírito Santo”.
            Escrevia o Papa João Paulo II em sua primeira Encíclica sobre o Redentor do Homem: “O homem não pode viver sem amor. Ele permanece para si próprio um ser incompreensível e a sua vida é destituída de sentido, se não lhe for revelado o amor, se o não experimenta e se o não torna algo próprio, se nele não participa vivamente. E por isto precisamente Cristo Redentor [...] revela plenamente o homem ao próprio homem. Esta é – se assim é lícito exprimir-se – a dimensão humana do mistério da redenção”. (Redemptor Hominis, 10.)
            Contemplando o Crucificado, que deu a vida por nós, os santos “descobriram” que eles também eram capazes de dar a vida por seus irmãos. E esta descoberta essencial é que está na raiz de sua santidade.
E nós? Também faremos esta descoberta?

Orai sem cessar: “Senhor Jesus, ensina-nos a amar!”

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

terça-feira, 25 de abril de 2017

PALAVRA DE VIDA

Pelo mundo inteiro... (Mc 16,15-20)
Imagem relacionada           No dia em que a Igreja celebra a festa do evangelista São Marcos, a tonalidade dominante é o alcance universal da Boa Nova a ser anunciada sem barreiras e sem fronteiras. E não se trata de mero conselho ou exortação, mas parte de um imperativo irrenunciável: “Ide! Anunciai!”

            Diante deste imperativo, ficam em segundo plano as “obras sociais”, a ação cultural, a presença nos areópagos do mundo – toda a rica contribuição da Igreja para a sociedade dos homens. Rica, sim, mas secundária. O foco da vida eclesial, aqui e ali esmaecido em troca de outros objetivos, não pode ser outro senão o Querigma, a destemida proclamação da Boa Nova de Jesus Cristo.
            E esta proclamação é, por natureza, um anúncio sem distinção, pois se dirige “ao mundo inteiro”, sem excluir qualquer raça ou povo, cultura ou nação, classe ou profissão. Em seu sacrifício salvador, Jesus pensava em TODOS: “Quando eu for levantado da terra, atrairei todos a mim!” (Jo 12,32)
            Ao anunciar o Evangelho, a Igreja dá continuidade, como humanidade de acréscimo, à missão do próprio Jesus Cristo. “Esta missão – ensinava o Papa João Paulo II – é um envio no Espírito, como se vê claramente no texto de São João (cf. Jo 20,21-23): Cristo envia os seis ao mundo, como o Pai O enviou a Ele; e, para isso, concede-lhes o Espírito. Lucas (24,46-49) põe em estreita relação o testemunho que os Apóstolos deverão prestar de Cristo com a ação do Espírito, que os capacitará para cumprir o mandato recebido.” (Redemptoris Missio, 22)
            O resultado que se espera deste anúncio é o ato de fé que culmina com o pedido para ser batizado. “À pregação do Evangelho, junta-se o sinal batismal que marca a incorporação no corpo de Cristo. Pelo Batismo, todas as nações são incluídas no benefício da graça do Deus vivo, Pai, Filho e Espírito Santo, pois Jesus, ao morrer na Cruz, manifesta o amor do Pai, e esta graça só é acessível pela fé, pelo Espírito Santo.” (H. Roux)
            Fica evidente que a Igreja de Jesus atravessa os séculos com um permanente débito em relação à humanidade toda. Paulo sabia disso muito bem, nos primeiros tempos, quando gemia: “Ai de mim se eu não anunciar o Evangelho!” (1Cor 9,16)
            A atitude tranquila e cômoda de quem afirma que convém deixar cada grupo social com suas antigas tradições religiosas, mesmo aquelas que incluem sacrifícios humanos e superstições das mais vergonhosas, é, no mínimo, uma traição à missão que o Senhor comissionou à Igreja. Ainda mais, revela inaceitável desprezo pelo sacrifício salvífico de Jesus, cuja morte teria sido inútil, já que dispensável...
            Como deixar nas sombras a luz que nos foi confiada?
Orai sem cessar: “Entre os povos narrai a sua glória!” (Sl 96,3)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

PALAVRA DE VIDA

 Ele veio de noite... (Jo 3,1-8)
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            A noite é um tempo especial. Posto o sol, as sombras velam os espaços, diluem as formas, disfarçam os rostos. Sem imagens para os olhos, os ouvidos se aguçam à procura de sinais: passos nas pedras, folhas secas pisadas, o vento na ramagem. Foi na sombra da noite que aconteceram notáveis experiências de Deus...

Não havia sol quando Jacó lutou com o Anjo no vau do Jaboc (Gn 32,23ss). A noite era fechada quando Moisés conduziu o povo para fora do Egito (Ex 12,42). No veludo noturno, a amada saiu em busca do Amado (Ct 3,1-2). Foi no meio da noite que o galo cantou e despertou as lágrimas de Pedro (Mt 26,74-75). Era na solitude da noite que Jesus vigiava, atento à voz do Pai (Lc 6,12)...
            Nicodemos, fariseu e membro do Sinédrio judaico – o supremo tribunal religioso de Israel -, um intelectual sincero em busca da verdade, visita Jesus nas trevas da noite. Nada mais apropriado. Afinal, Jesus – a Luz do mundo – viera do Pai exatamente com a missão de iluminar as trevas.
            Tenho ouvido com frequência uma acusação contra Nicodemos: teria vindo à noite porque sentia medo dos poderosos grupos dirigentes que viam a Jesus como um incômodo adversário. Não queria arriscar-se. A noite seria a proteção dos covardes.
            Peço licença para discordar. Aposto que Nicodemos veio à noite porque não desejava interrupções naquele encontro. Ao contrário, ele buscava por um momento de especial intimidade com Jesus, quando a Verdade – ah! A Verdade tão suspirada! – invadiria seu coração sedento...
            De fato, muitas vezes Jesus aproveitou o sossego da noite para traduzir em miúdos, junto aos discípulos, as lições e parábolas que permaneciam impenetráveis à grande massa. Assim, se o dia era dado às turbas, a noite pertence aos discípulos. É seu tempo privilegiado de escuta e revelação.
            Ai de nós! Nossas noites – agora iluminadas por tantos watts, sem aquelas antigas lamparinas de azeite tremulantes! – mudaram-se em preguiçoso tempo de contemplação de novelas e filmes pagãos... O precioso tempo que nos era dado para a intimidade com o Mestre acaba sequestrado pelas anestesias e ilusões da sociedade sem tempo para Deus...
            E pensar que o Mestre está esperando por nós... Tem tantos segredos a nos revelar... Tem sede de nossa companhia... E não encontra os amigos dispostos a ouvir a sua Palavra...
            É bom, afinal, não esquecer o aviso que o Mestre nos deixou: será bem no meio da noite que se ouvirá o grito: “Eis o Esposo! Ide ao seu encontro!” (Mt 25,6) Quem estiver de vigília, este entrará para o banquete...
Orai sem cessar: “E de noite eu louvarei o Deus da minha vida!” (Sl 42,9)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança

domingo, 23 de abril de 2017

PALAVRA DE VIDA

Vimos o Senhor! (Jo 20,19-31)
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Muitas vezes, temos sido um tanto ásperos em nossas críticas ao apóstolo Tomé, que condicionou seu ato de fé a uma experiência sensorial do Ressuscitado: ver as marcas dos cravos em suas mãos, tocá-las com os próprios dedos, levar a mão à chaga do Lado. “Se não vir... não acreditarei!” E nos esquecemos de que os outros dez levavam vantagem sobre ele: eles tinham visto!
De fato, não temos como imaginar o impacto emocional sofrido pelos apóstolos quando Jesus, sabidamente morto, se apresenta vivo, visível, palpável, assentando-se à mesa com seus discípulos. Por isso mesmo, nós deveríamos ser mais compreensíveis com o pobre Tomé que, ausente na primeira “visita” do Mestre, não o pudera ver.
Podemos também avaliar a perplexidade de Tomé ao rever os apóstolos e ouvir deles o testemunho emocionado: “Vimos o Senhor!” É o testemunho fundamental da Igreja: a experiência pascal do Cristo que venceu a morte. Sem esse testemunho, nossa fé e nossa pregação seriam vãs (cf. 1Cor 15,14). Exatamente por avaliar o potencial explosivo de um testemunho assim, os homens do Templo espalhariam o boato do roubo do corpo de Jesus (cf. Mt 28,13).
Os séculos passam, sucedem-se as gerações e nossa fé cristã continua a se apoiar nesse testemunho do começo: a experiência vital daqueles que “viram” a Jesus Cristo ressuscitado. De tudo o que nos foi passado pelos Evangelhos e pela Tradição apostólica, o ponto central está aí ancorado: Jesus ressuscitou!
Levados aos tribunais e arenas, diante de juízes e carrascos, as testemunhas permanecerão firmes em declarar com audácia o conteúdo de sua experiência. Um ato de fé da Igreja e de cada fiel que os leva a uma opção radical entre o martírio e a apostasia. Estêvão seria lapidado – ele, o protomártir – exatamente por este ato de fé. Pelo mesmo motivo Paulo seria preso e degolado.
Nós nascemos depois, em outra fatia da História. Mas nossa fé continua a mesma e as perseguições perduram, pois a cruz de Cristo ainda incomoda. Os bispos presos na China e os monges degolados por fanáticos islâmicos em Tibhirine, no Monte Atlas, reavivaram a mesma chama em pleno Séc. XX. Nós não vimos, mas cremos. E, assim, acabamos por merecer do próprio Cristo uma nova bem-aventurança: “Bem-aventurados os que não viram e creram!” (Jo 20,29.)
Como anda a nossa fé? Damos testemunho de Jesus em nosso meio? Ou nossa chama ameaça apagar-se?

Orai sem cessar: “Meu Senhor e meu Deus!” (Jo 20,28)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.