terça-feira, 22 de maio de 2018

PALAVRA DE VIDA


Qual deles era o maior... (Mc 9,30-37)
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O orgulho e a vaidade são traços dominantes no gênero humano. Nem precisamos de grandes motivos para deflagrar o orgulho em nosso coração. Uma historieta antiga serve de bom exemplo para nós...
A caminho da Terra Santa, em plena Idade Média, caminhavam juntos um beneditino, um dominicano e um franciscano. Os três frades passavam boa parte do tempo a decantar os louvores de sua própria Ordem. As comparações duraram longos meses. Até que, um dia, para pôr um ponto final no tema, o beneditino suspirou e disse:
- Tudo bem! Vocês têm razão. Mas, em liturgia, ninguém como nós!
E era verdade. O esplendor das liturgias dos filhos de São Bento sempre foi inigualável. O dominicano pigarreou e concordou:
- Tudo bem! Mas, na pregação, ninguém como nós!
Também era verdade. Como superar a oratória dos discípulos de S. Domingos?!
Houve uma pausa. Um breve silêncio. E os dois olharam para o filho de S. Francisco de Assis. Não fazia um belo quadro. A velha batina rota, empoeirada, toda remendos, sandálias fazendo água, a barba ruça já chegando ao peito... Mas o bom irmão não perdeu a pose. Raspou a garganta e atacou:
- Tudo bem!... Mas, em humildade... ninguém como nós!
Assim somos nós. Sempre achamos motivos para contar vantagens e nos destacarmos entre os nossos irmãos. Assim, ninguém apanhe pedras à beira do trilho para atacar os dois apóstolos do Evangelho de hoje. Chegando a Cafarnaum após dura caminhada, assim meio distraído, Jesus pergunta sobre o tema que causara entre eles algum tipo de controvérsia.
Silêncio total. É que eles discutiam – que santos alunos Jesus arranjara! – qual deles seria o maior. Podemos ajudá-los? 5 pescadores galileus, pele assada de sol, mãos grossas e o jeito bronco de roceiros, tudo realçado pelo sotaque caipira. 2 guerrilheiros (duas espadas! Cf. Lc 22,38) à espera de um Messias político. Um ex-cobrador de impostos, especialista em aumentar a cobrança e guardar um percentual... E vai por aí afora. Quem seria o maior?
Jesus puxa para o meio da roda uma criança que brincava ali perto. E aponta para ela: não percam tempo querendo ser grandes. Sejam pequeninos. E falando em pequenez, quem recebe um destes pequeninos em meu nome, é a mim que acolhe. Se vocês querem ser grandes, sejam o último da fila. Sejam aquele que se faz servo dos outros irmãos...
Orai sem cessar:O Senhor eleva os humildes.” (Sl 147,6)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

segunda-feira, 21 de maio de 2018

PALAVRA DE VIDA


Tudo é possível a quem crê! (Mc 9,14-29)
Imagem relacionada      O Evangelho de hoje registra que o poder espiritual de Jesus domina também os maus espíritos. Um jovem possesso e sem paz é atormentado pelo demônio. Jesus interpela diretamente o “espírito mudo” e o expulsa.

      Na descrição do próprio pai, o filho vivia em extremos de conduta, “do fogo para a água”. Curiosamente, a palavra SHALOM (a paz) escreve-se em hebraico com três consoantes: SHIN (as línguas de fogo), LAMED (a balança manual) e MEN (o odre de água). Isto é, o equilíbrio (o fiel da balança) entre os dois extremos (fogo e água). A paz como homeostasia, estabilidade. Perdida a paz, o jovem espuma, cai por terra, range os dentes, agita-se. Jesus, “nossa Paz” (cf. Ef 2,14), devolve-lhe o equilíbrio.
               Desde o Séc. XIX, uma leitura racionalista (e em total ruptura com a sã tradição apostólica!) nega a existência de demônios e “explica” passagens como esta, afirmando que os possessos eram, na verdade, casos de epilepsia e doenças mentais. Ora, Jesus não manteria seus contemporâneos em tão grave engano. Nem teria sentido sua afirmação, em resposta à pergunta dos discípulos (v. 29), de que “tal gênero de demônio só pode ser expulso pelo jejum e pela oração”. (Cf. Mt 17,21.) O Mestre aponta o remédio espiritual para uma “doença espiritual”.
               Historicamente, a Igreja sempre exerceu um ministério de libertação de pessoas possessas pelo demônio, ao praticar o exorcismo. O novo Código de Direito Canônico (de 1983) reserva a prática do exorcismo a presbíteros (padres) expressamente autorizados pelo Bispo diocesano.
               Sim, esta é uma questão de fé. A mesma fé que faltou aos discípulos quando tentaram, em vão, expulsar o mau espírito daquele jovem. A mesma fé em falta nos racionalistas que negam os milagres de Jesus e seus “sinais” de poder, preferindo reduzi-los a fenômenos parapsicológicos ou atribuir sua interpretação a ignorância do povo. Enquanto isto, o demônio ateava fogo ao colchão do Santo Cura d’Ars e quebrava os dentes de Marthe Robin. Os sacerdotes que possuem experiência pastoral não adotariam a mesma cartilha racionalista...
               Minha fé corresponde à fé da Igreja? Ou estou fabricando minha fé particular, mais cômoda e mais prática?
Orai sem cessar: Senhor, aumentai a nossa fé!
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

domingo, 20 de maio de 2018

PALAVRA DE VIDA


Recebei o Espírito Santo! (Jo 20,19-23)
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         Os discípulos estavam trancados. Dominados pelo medo. Estavam profundamente perturbados pelos acontecimentos recentes. Certamente alimentavam sentimentos de culpa por terem abandonado o Mestre à sua Paixão. Jesus aparece inesperadamente no meio dos discípulos, passando pelas portas fechadas e, soprando sobre eles, diz: “Recebei o Espírito Santo”.

               Para que “serve” o Espírito Santo? Qual a finalidade desse dom pós-pascal? Ora, “serve” para dissipar o medo, transformando covardes em mártires. Serve para serenar a agitação e trazer de volta a paz. Serve para diluir a culpa e reavivar a confiança na misericórdia do Senhor.
               Mas “serve” – e aqui está a “novidade” deste sopro sobre os Apóstolos! – para pôr nas mãos da Igreja uma notável “faculdade”, até então exclusiva do próprio Deus: o poder de perdoar pecados! (Cf. Mc 2,5-11.) Daí em diante, este poder é confiado aos homens, gerido e ministrado pela Igreja de Jesus.
               É importante notar que esta iniciativa não partiu dos homens: não são os Apóstolos que fazem tal pedido ao Senhor. Daí a impropriedade de quem afirma que a confissão dos pecados é uma “invenção dos padres”. Ao contrário, trata-se um dom maravilhoso de Deus, rico em misericórdia, que incumbe a Igreja de ser o canal da reconciliação divina junto aos pecadores.
               Desde os primeiros momentos, a Igreja nascente, cheia do Espírito Santo, passa a exercer este ministério. É o que se vê nas palavras de Tiago, em sua Carta: “Confessai os vossos pecados uns aos outros e rezai uns pelos outros, a fim de serdes curados”. (Tg 5,16.) Assim, não tem nenhum fundamento a atitude de quem diz que confessa seus pecados “diretamente a Deus”, quando o próprio Senhor quis a Igreja como mediadora de seu perdão.
               O “Catecismo” ensina: “Conferindo aos apóstolos seu próprio poder de perdoar os pecados, o Senhor também lhes dá a autoridade de reconciliar os pecadores com a Igreja. Esta dimensão eclesial de sua tarefa exprime-se principalmente na solene palavra de Cristo a Simão Pedro: ‘Eu te darei as chaves do Reino dos Céus, e o que ligares na terra será ligado nos céus, e o que desligares na terra será desligado nos céus’ (Mt 16,19)”. (Nº 1444.)
               Há quanto tempo não me aproximo da misericórdia divina, buscando o perdão de meus pecados no Sacramento da Confissão?
Orai sem cessar: “Confessarei minhas ofensas ao Senhor!” (Sl 32,5b)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

sábado, 19 de maio de 2018

PALAVRA DE VIDA


 Tu, segue-me! (Jo 21,20-25)
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      É impossível, de fato, ignorar o visível contraste entre Pedro e João. O velho pescador extrovertido e o quase adolescente tímido. O seguidor cheio de impulsos e o discípulo que ama. Dentro do grupo extremamente heterogêneo dos Doze, o próprio Pedro tem consciência de suas diferenças.

               É mesmo possível que tenha havido alguma polêmica entre os primeiros cristãos acerca do primado de Pedro, levando-se em conta o alto prestígio de que o apóstolo João gozava entre as Igrejas do Oriente, ainda que nada disso transpareça no texto do próprio evangelista.
               Sem dúvida, existe uma clara antítese entre Simão Pedro, recuperado depois da tríplice negação, e o discípulo que Jesus amava, o qual jamais se afastou e permanecera fiel até a cruz do Calvário. “Mas a antítese não quer dizer antagonismo - garante André Scrima. É simplesmente um caminho aberto para penetrar nas profundezas e conhecer aquele que se revela.”
Nesta última cena do 4ºEvangelho, Pedro se preocupa com João: - “O que vai ser dele?” A resposta de Jesus mostra a Pedro que esta preocupação é desnecessária, mas a tarefa que cabe ao velho pescador é não mais se desviar do Mestre: “Tu, segue-me!” O mesmo imperativo do primeiro encontro com os discípulos é, agora, repetido na última cena do Evangelho: “Segue-me!” (Cf. Mt 4,19; M 1,17)
               Os antigos autores espirituais sempre insistiam na “sequela Christi” – o seguimento de Cristo. Esta é a síntese do cristianismo: seguir Jesus, guardar suas palavras, imitar seus gestos, tornar-se outro Cristo. Cristificar-se. “Amai-vos como eu vos amei.” (Jo 15,12) “Dei-vos o exemplo para que façais assim como eu fiz para vós.” (Jo 13,15)
               Em sua 2ª Carta, Pedro chama a atenção dos fiéis para a importância desse chamado do Senhor: “Cuidai cada vez mais de confirmar a vossa vocação e eleição. Procedendo assim, jamais tropeçareis”. (2Pd 1,10)

Orai sem cessar: “A minha alma te segue de perto!” (Sl 63,9)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

sexta-feira, 18 de maio de 2018

PALAVRA DE VIDA


Tu me amas? (Jo 21,15-19)
Imagem relacionada      Por três vezes, Jesus faz a Pedro uma pergunta direta, incômoda pergunta, pois, antes da Paixão, o Apóstolo acabara de negar por três vezes que fosse um dos seguidores do Mestre. No entanto, a resposta de Pedro é afirmativa: “Tu sabes que te amo!”

         Mas existe no texto um pormenor que nossas traduções costumam ocultar. Nas duas primeiras vezes, quando Jesus faz aquela pergunta, usa o verbo “dilígere” (traduzindo o grego original do Evangelho: agapãs). Na resposta, Pedro usa outro verbo: “amare” (que traduz o grego philô). É como se nós tivéssemos este diálogo: - Tu me amas de amor? – Sim, eu te amo de amigo.
               O verbo empregado na pergunta é muito mais exigente, exprime um amor mais elevado, um amor de adoração, como o que se dirige a Deus. O verbo da resposta é menos exigente, expressa uma afeição de simpatia e de amizade. Mas, na terceira vez, Pedro chega a chorar... Para sua surpresa, desta vez o Mestre abandonara o verbo mais exigente e, baixando o nível, fez a pergunta com o mesmo verbo que Pedro vinha empregando: “Tu me amas de amizade?”
               Deus é assim. Ele está pronto a aceitar o limitado amor que, no momento, podemos manifestar. Deus sabe que sempre podemos crescer no amor, dia após dia, até chegar às impensáveis alturas do martírio. Ora, foi exatamente assim com Pedro. Mais tarde, o apóstolo seria encontrado em Roma, crucificado como o Mestre, agora capaz de responder: “Sim, Senhor, eu te amo de adoração!”
               Quanto a nós, o mais importante é considerar que Jesus, a cada resposta de Pedro, insistia sempre no mesmo ponto: “Apascenta os meus cordeiros! Apascenta as minhas ovelhas!” Entendo que Jesus queria dizer ao apóstolo: “Ah! É assim? Tu me amas? Então prova-me isto, cuidando daqueles que são meus! Seja um bom pastor. Quem me ama, pastoreia!”
               Pais gerando filhos, professores educando alunos, catequistas instruindo seus pequenos, médicos cuidando dos pacientes, patrões zelando por seus empregados, sacerdotes orientando os fiéis para Cristo – todos eles estão respondendo à pergunta de Jesus: “Tu me amas?”
               E você? Ama a Jesus?

Orai sem cessar: “Eis-me aqui, Jesus, para cuidar de teu rebanho!”
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

quinta-feira, 17 de maio de 2018

PALAVRA DE VIDA


 ... e os amaste como a mim... (Jo 17,20-26)
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      Dirigindo-se ao Pai, Jesus faz uma afirmação chocante: nós somos amados pelo Pai com o mesmo amor que ele dedica ao Filho, Jesus. O Justo e os pecadores, o Santo e os decaídos, todos amados igualmente – isto é, infinitamente – pelo Pai!

            Naturalmente, esta verdade tem sérias consequências. Em primeiro lugar, ajuda a compreender que o Pai tenha entregado à morte o seu Filho Unigênito, Jesus Cristo, para nos salvar da perdição eterna. A explicação está nesse desmedido Amor divino, do qual a raça humana é objeto. E o Filho, que experimenta por nós um amor igual, aceita de boa vontade cooperar com o plano de salvação proposto pelo Pai amoroso.
               Em segundo lugar, vemo-nos forçados a abandonar de vez aquela velha ideia de que o amor deva ser “merecido”. Os bons são amáveis; os maus, não o são. Ora, como diz São Paulo, “com efeito, quando ainda éramos fracos, Cristo a seu tempo morreu pelos ímpios. É difícil que alguém queira morrer por um justo; talvez aceitasse morrer por um homem de bem. Mas nisto Deus prova o seu amor para conosco: Cristo morreu por nós quando ainda éramos pecadores”. (Rm 5,6-8.)
               Os honestos sentem dificuldade em aceitar esta evidência: Deus, o Pai, ama igualmente a vitima e o agressor, pois ambos são filhos! E sofre com ambos! Depois disto, não podemos insistir em discriminar as pessoas e em decidir quem “merece” e quem não merece o nosso amor. A quem devemos considerar como irmão e a quem podemos rotular de fera, animal e bandido...
               Quando o Papa João Paulo II foi à penitenciária para levar o seu perdão àquele homem que lhe dera três tiros, o turco Ali Agca, deu-nos a demonstração de que conhecia muito bem esta realidade: seu agressor era amado por Deus, apesar do mal que havia cometido. Também para ele continuava aberto um caminho de volta à casa do Pai, uma possibilidade de arrependimento e conversão. Por isso mesmo, do alto da cruz, Jesus suplicava ao Pai que perdoasse os seus agressores...
               Isto é amor. O contrário é o ódio. E, para quem segue a Jesus Cristo, nada justifica que o amor ceda lugar ao ódio...
               Meu coração ainda conserva sementes de ódio e violência? Que tenho feito para exercitar o amor de Deus que foi depositado em mim?

Orai sem cessar: “Senhor Jesus, ensina-me a perdoar!”
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

quarta-feira, 16 de maio de 2018

PALAVRA DE VIDA


 Para que sejam um... (Jo 17,11b-19)
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   Em Deus não há divisão. As três Pessoas trinitárias – Pai, Filho e Espírito Santo – vivem na mais perfeita comunhão, de tal modo que o Deus revelado pelas Escrituras é ao mesmo tempo Uno e Trino. A Igreja deve ser o reflexo dessa unidade divina, vivendo o mesmo mistério da comunhão: a missão que o Pai entregou ao Filho, no Espírito, é a mesma missão que a Igreja recebe de Jesus. E não poderá cumpri-la sem viver na unidade.

               Nesta “Oração Sacerdotal”, Jesus manifesta ao Pai o seu mais profundo anseio pela unidade “dos seus”. De algum modo, ele se antecipa à realidade histórica que todos nós conhecemos, marcada pela fratura da unidade, por cismas e divisões internas. E devia saber que o mundo pagão se escandalizaria com a disputa entre diferentes grupos que se dizem seguidores do mesmo Mestre e Pastor... Escândalo que acaba por neutralizar o esforço missionário.
               O Concílio Vaticano II referiu-se a tal situação: “Todos, na verdade, se professam discípulos do Senhor, mas têm pareceres diversos e andam por caminhos diferentes, como se o próprio Cristo estivesse dividido. Esta divisão, sem dúvida, contradiz abertamente a vontade de Cristo, e se constitui em escândalo para o mundo, como também prejudica a santíssima causa da pregação do Evangelho a toda criatura”. (Unitatis Redintegratio, 1.)
               Desde o Vaticano II, verificou-se um notável empenho ecumênico, com jornadas mundiais de oração, visitas do Papa a lideranças de outras religiões e Igrejas. Mas este esforço ainda não encontrou muitas ressonâncias em nível comunitário, onde persiste um clima de competição e antipatia. Pecados nossos, que exigem penitência e conversão.
               Ainda que determinadas denominações sejam agressivas e proselitistas, o fiel que tem uma fé madura e bem fundamentada não deve temer a convivência ou o confronto com seus membros. Há um vasto campo de cooperação e de boa vontade no qual o anseio de Jesus pode lançar as primeiras sementes de paz e de fraternidade.
               Passados mais de 40 anos do Concílio, todos já perceberam que a aproximação ecumênica é antes de tudo uma questão de conversão interior. Quando todos os corações estiverem de fato unidos a Jesus Cristo, já não haverá diferenças entre nós.
               Faço parte daquele grupo que atiça a inimizade entre cristãos? Ou ajudo a lançar pontes e aparar diferenças?

Orai sem cessar: “Pai, que todos sejam um!”
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.