quinta-feira, 29 de junho de 2017

PALAVRA DE VIDA

 Mas ela não desabou... (Mt 7,21-29)
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            Duas casas. Dois terrenos. Uma casa edificada na areia. Outra, cravada sobre a rocha. Dois destinos bem diversos: ruína e segurança. A areia é o símbolo da instabilidade, da insegurança. A rocha simboliza a firmeza, a solidez, a tal ponto que a Escritura chama a Deus de “meu Rochedo”.

            O Mestre usou as duas figuras em uma parábola acerca das duas atitudes possíveis perante a Palavra de Deus. Recusá-la, trocá-la por outra “palavra”, por outros valores e princípios, equivale a construir sobre a areia. Um terreno lábil, movediço, permeável, sujeito a todo tipo de influência, pressão e agressão. Cai a chuva, vem a enchente, rugem os ventos e... lá está a casa no chão.
            Foi assim com muitas vidas, muitas empresas, muitos casamentos. Buscaram apoio no dinheiro, no poder político, nas garantias financeiras. Vem uma tempestade (um plano econômico, uma alta do petróleo, uma doença inesperada...) e tudo cai por terra. A casa não tinha fundamentos sólidos. Ruiu.
            Nos noticiários, a derrocada de impérios econômicos construídos sobre a corrupção, propinas, negociatas fora da lei. Os agentes de tudo isso apostaram sua vida e seu futuro no poder e na posse material. Seu fim foi funesto.
            As tempestades sobrevêm a todos, sem preferências. A diferença está nos seus efeitos. Quem se apoia na Palavra de Deus, nos valores do Evangelho, no exemplo dos santos, verá sua “casa” de pé, quando a inundação passar. É nessa Rocha – Jesus Cristo, Palavra do Pai – que o sábio constrói a sua casa. Uma casa de virtudes cristãs: confiança em Deus, partilha com os irmãos, fé nas promessas do Senhor, humildade e paciência. Esta casa não desabará.
            A mesma avaliação vale para os Estados. A Alemanha nazista pregava o ódio, a soberba do Super-homem ariano, a derrubada da Cruz. Depois de ilusória expansão,ela caiu por terra, deixando atrás de si a morte e a destruição. Teve o mesmo fim a União Soviética, que sufocava desde o ventre materno a fé das crianças, fazendo do ateísmo e do materialismo histórico seu novo “evangelho”, enquanto dividia as pessoas com muros e arames farpado.
            Curiosamente, há quem recuse a Palavra de Deus em nome do direito de escolher o próprio caminho, viver na liberdade. Ora, a primeira coisa que fazem os governos totalitários e inimigos de Cristo é exatamente roubar dos cidadãos a liberdade de expressão e de fé. Em nome da liberdade, tornam-se escravos...
            Em que terreno estou edificando a casa da minha vida? Rocha ou areia?
Orai sem cessar: “Só Deus é meu rochedo e minha salvação!” (Sl 62, 7)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

quarta-feira, 28 de junho de 2017

PALAVRA DE VIDA

 Por seus frutos os conhecereis... (Mt 7,15-20)
Resultado de imagem para (Mt 7,15-20)            Quando Jesus nos contou a alegoria da “videira verdadeira” (cf. Jo 15), deixou claro que o Agricultor (o Pai) espera pelos frutos. Por isso, poda o ramo que dá fruto, para que frutifique ainda mais. Mas “limpa” o tronco dos “cavalos”, isto é, dos ramos estéreis que sugam a seiva sem retribuir em nada.
Já vimos também que uma figueira foi amaldiçoada por Jesus, porque nela não encontrou os frutos procurados (cf. Mt 21,19).
            Mas não basta frutificar. É preciso ver que tipo de frutos a árvore dá. Há frutos de salvação e frutos de perdição. Frutos que alimentam e frutos que intoxicam. Quando Dom Bosco teve de esperar pela morte de seu bispo para ver sua Congregação autorizada a ir em missão para o estrangeiro, sua obediência deu frutos de salvação. Quando um teólogo, superestimando o próprio saber, se rebela contra a Igreja, que podou seus excessos teóricos, está semeando uma seara de rebeldia e de contestação que afastará muitos fiéis do bom caminho.
            No âmbito da família, o trabalho do pai, a presença da mãe, a obediência dos filhos são indicadores seguros de que a vontade de Deus é levada a sério. Este lar será abençoado. Já o pai farrista, a mãe ausente, os filhos rebeldes apontam na direção oposta: a vontade de Deus não é levada em conta na sua maneira de viver. Óbvio, a colheita destas duas famílias será bem diferente...
            O povo tem vários ditos que expressam a mesma sabedoria. Um deles afirma: “Quem semeia ventos, colhe tempestades”. E um sério exame de consciência há de nos mostrar que boa parte das tempestades que nos assaltaram foram causadas por nossos próprios pecados, escolhas mal feitas, inclinações que não tiveram freio...
            Outro ditado caipira garante: “Quem nasce pra ser pato, não chega a saracura”. Determinismos à parte, o comportamento das duas aves manifesta a sua índole própria. Assim, quem se entrega à preguiça, pouco colherá. Quem se abandona à ira, afastará até quem o amava. Quem se deixa dominar pela luxúria, destruirá seu lar. E os frutos denunciarão a árvore má.
            Ao contrário, o trabalhador disciplinado recolherá os benefícios de seu trabalho. O homem que domina sua raiva será respeitado como um homem forte. Os esposos fiéis farão de seu lar a casa construída sobre a rocha, edifício que as tempestades da vida não poderão derrubar.
            Que árvore sou eu? Que frutos brotam de meu coração?
Orai sem cessar: “Espírito Santo de Deus, dai-me os vossos sete dons!”

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

terça-feira, 27 de junho de 2017

PALAVRA DE VIDA

 Pela porta estreita... (Mt 7,6.12-14)
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Um comentarista desta passagem do Evangelho classificou o conselho de Jesus como um “convite imperioso”. De fato, trata-se de um imperativo. Sabemos, sim, que Deus é o primeiro a respeitar a liberdade que ele mesmo nos quis dar. Mas fica ressoando aos nossos ouvidos aquela ordem do Senhor do Banquete aos servos enviados às encruzilhadas para arrebanhar os trôpegos, os mendigos e aleijados: “Compelle intrare!” Isto é: “Obriga-os a entrar!”
            É como se Deus, que é Pai, apaixonado por seus filhos, conhecendo as resistências que o pecado acumulou em nós, forçasse um pouco para nos levar à felicidade celeste. Ele sabe de nossa fraqueza, da infantilidade carnal que nos leva a ser seduzidos pelas purpurinas deste mundo, na ilusão de ser ouro puro...
            Mas o Pai sabe que devemos fazer força e colaborar com sua Graça para chegar à salvação. O Apóstolo Paulo sabia disso. Por isso escreveu: “Todos os atletas se impõem muitas privações; e o fazem para alcançar uma coroa corruptível. Castigo o meu corpo e o mantenho em servidão, de medo de vir eu mesmo a ser excluído depois de ter pregado aos outros”. (1Cor 9,25.27.)
            De fato, quem se permite todos os prazeres, todas as facilidades, buscando fazer sempre a própria vontade e seguindo suas inclinações naturais, este optou pela porta larga: “a via que leva à perdição”. Todos os mestres espirituais sempre ensinaram que é preciso morrer para nós mesmos, se é que queremos fazer a vontade de Deus. Esta é exigente, supõe uma permanente superação de nossas más tendências e inclinações naturais.
            Hoje, a vida ascética é objeto de risos e zombarias. Talvez isto se explique por excessos cometidos em sacrifícios artificiais, como misturar cinza à própria comida, ou exagerar em jejuns que acabam com a saúde e inabilitam para a missão. Mas o exercício de abrir mão de nossas preferências, obedecendo a Deus nos pais e superiores, continua válido como escola de santidade.
            Não é possível seguir a Jesus quando nós somos nosso próprio “deus”. O caminho do Calvário, paradoxalmente, é uma “subida para baixo”: humilhar-se, rebaixar-se, ceder a vez, assumir as tarefas que todos rejeitaram. Os santos viveram assim. Isto explica que os intelectuais e acadêmicos tenham tal alergia pela leitura da vida dos santos, tão ao gosto do povo simples...
            E eu? Que estrada estou seguindo? A free-way da minha vontade própria? Ou o trilho pedregoso da vontade de Deus?
Orai sem cessar: “Senhor, faz-me viver em teus caminhos!” (Sl 119, 37)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

PALAVRA DE VIDA

O cisco e a trave... (Mt 7,1-5)
Resultado de imagem para (Mt 7,1-5)           Fedro, o fabulista latino, conta que Júpiter pendurou em nossas costas uma mochila com nossos vícios e defeitos. Em nosso peito, outra mochila com os pecados dos outros. Por isso temos a facilidade de criticar as falhas alheias e somos complacentes com nossos pecados, que permanecem fora de nossa visão.

            Hoje, Jesus usa duas imagens em contraste: o cisco, pequena palha de vegetal, e a trave, pesada viga de madeira. A ironia do Mestre denuncia nossa incapacidade de agir como juízes do próximo e apontar para o cisco em seus olhos, pois nosso olhar está prejudicado pela trave que fingimos não ver.
            Os magistrados mais sérios conhecem a dificuldade em julgar um réu quando lhe são apresentados os agravantes e atenuantes de qualquer infração à lei. Por seu lado, os advogados trabalham em um terreno oscilante, onde muitos truques podem ser usados para incriminar o inocente ou salvaguardar o criminoso. Não raro, após a sentença, o próprio juiz aconselha uma das partes a entrar com recurso, pois entende que não se fez a justiça adequada.
            São também conhecidos os casos em que, após longos anos de prisão, um condenado é libertado graças ao aparecimento do verdadeiro criminoso. É este, aliás, um poderoso argumento contra a pena de morte. Por isso, conhecendo como ninguém o coração humano, Jesus decreta: “Não julgueis!” E dá-nos um valioso princípio ético: “A medida que usardes para os outros servirá para vós”.
            Na verdade, é princípio já expresso na Oração do Senhor: “Perdoa as nossas dívidas, assim como perdoamos aos que nos devem”. (Mt 6,12) Muitas vezes, não nos conduzimos de acordo com a oração que tanto repetimos...
            Se levamos a sério as palavras do Pai-Nosso, certamente não fazemos campanha pela pena de morte nem estendemos o dedo indicador na direção dos pecadores públicos. Ao contrário, trocaremos a justiça gravada na pedra pela misericórdia pulsante na carne. É bem provável que também nós, em nosso julgamento, venhamos a precisar da misericórdia divina...
            “Censores apressados e severos de seu próximo sucumbem a esta paixão porque não guardam perfeitamente a lembrança e o cuidado constante de seus próprios pecados. De fato, se alguém, desembaraçado do véu de complacência para consigo mesmo, visse exatamente seus próprios males, já não poderia cuidar de outra coisa por toda a sua vida. E avaliaria que todo o tempo que lhe resta não seria suficiente para afligir-se consigo mesmo”. (S. João Clímaco)
Orai sem cessar: “Senhor, meu pecado está sempre diante de mim!” (Sl 51,5)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

domingo, 25 de junho de 2017

PALAVRA DE VIDA

 Quem se declarar por mim... (Mt 10,26-33)
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            O cristão é aquele que se declarou por Cristo. Fez uma escolha e, livremente, optou pelo Crucificado. A prova real da fé aí está. Ouçamos a reflexão de São Gregório Palamas [Séc. XIV]:

            “Deus não faz acepção de pessoas. No entanto, somente em seus santos ele faz maravilhas. Do alto, o sol espalha seus raios sobre todos, com igual abundância; entretanto, só podem vê-lo aqueles que têm olhos e não os mantêm fechados. Estes gozam da pureza da luz com o olhar puro de seus olhos.
            Assim Deus dá a todos, do alto dos céus, as riquezas de sua graça. Ele mesmo é a fonte de salvação e de luz da qual fluem eternamente a misericórdia e a bondade. E não são todos os homens, sem distinção alguma, que põem a render sua força e sua graça para o exercício perfeito da virtude e a realização de maravilhas, mas só aqueles que puseram em prática as suas resoluções e provaram por seus atos o seu apego a Deus e sua fé; aqueles que se afastaram completamente do mal aderem firmemente aos mandamentos de Deus e fixam o olhar de seu espírito sobre Cristo, Sol da justiça.
            Àqueles que combatem, Cristo oferece dos céus não apenas o socorro de seu braço, mas exorta-os por estas palavras do Evangelho: ‘Todo aquele que se declarar por mim diante dos homens, por minha vez eu me declararei por eles diante de meu Pai que está nos céus’.
            Vejam que não podemos proclamar nossa fé e declarar-nos publicamente por Cristo se dele não recebemos força e assistência. E, por sua vez, nosso Senhor Jesus Cristo não nos apresentará a seu Pai Altíssimo, para nos unir a ele, se não encontrou em nós a ocasião.
            Na qualidade de servidor de Deus, cada um dentre os santos se declara por Cristo nesta vida passageira e diante dos homens mortais. Ele o faz num breve lapso de tempo e na presença de reduzido número de homens. Já nosso Senhor Jesus Cristo, que é Deus e Senhor do céu e da terra, se declarará por nós no mundo da eternidade, diante de Deus, seu Pai, cercado de anjos e arcanjos e todas as potências do céu, na presença de todos os homens, desde Adão até o fim dos séculos.
            Todos ressuscitarão e comparecerão perante o tribunal de Cristo. Então, em presença de todos, à vista de todos, ele fará conhecer, glorificará e coroará aqueles que, até o fim, provaram-lhe sua fé.”
Orai sem cessar: “Declararei vosso nome aos meus irmãos!” (Sl 23,22)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

sábado, 24 de junho de 2017

PALAVRA DE VIDA

 E ficaram todos admirados... (Lc 1,57-66.80)
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            É claro que eles tinham bons motivos para ficarem admirados! Engravida e dá à luz uma mulher idosa e estéril. O pai fica mudo, depois de visitado por um anjo. A mãe escolhe o nome do filho, quando tal tarefa cabia ao pai. Estamos diante de uma autêntica revolução! Que menino seria aquele?!

            A admiração só iria crescer com o passar do tempo, quando o jovem João se retirasse para o deserto, vestido com o cinturão de couro dos profetas, e acabasse acompanhado por numerosos discípulos e procurado por incontável multidão, atenta ao anúncio de um Reino que se aproximava. (Mt 3,4ss.) A admiração, mesclada a uma dose de medo, chegaria ao palácio de Herodes, para quem os brados do Batista soavam como chicotadas. Seria ele o Messias?
            Não. Não era ele o Messias, mas a voz que clama no deserto (cf. Is 40,3). Sua missão era aguardar que surgisse ali, na margem do Jordão, Aquele que iria batizar no fogo e no Espírito. Então, João apontaria um longo indicador – como na tela de Matthias Grünewald – e bradaria bem alto, para todos ouvirem: “Eis o Cordeiro de Deus, a vítima que tira o pecado do mundo!”
            Cumprida esta missão, já podia ser preso e degolado. Importava que Jesus crescesse e ele fosse diminuído. Se até aqui admirávamos o perfil ascético e a extrema ousadia de João, agora devemos admirar a sua humildade.
            Pena que nós tenhamos perdido a capacidade de nos admirar das obras que Deus realiza em nossas vidas. Assim como o povo judeu, cuja história registrava portentosas intervenções de Deus em seu favor, também nós acabamos “vacinados” diante da ação divina... É como se Deus, enfim, tivesse a obrigação de gerar novas vidas, mandar mais chuvas, manter os astros em suas órbitas. É como se tudo fosse... “natural”...
            Cada criança que nasce deveria levar-nos a mirar, remirar e admirar a obra do Deus da vida, que insiste em nos dar filhos e filhas. Cada nova estação, cada nova sementeira e cada nova colheita despertariam nosso louvor e nossa ação de graças. Deus permanece fiel. Seus dons não se esgotam. Dá-nos força para a missão. A vida faz sentido.
            Ao celebrar a natividade de João Batista (o único natalício celebrado pela Liturgia, além dos de Jesus e Maria), deveríamos fazer uma pausa para contemplar as maravilhas de Deus em nossa própria vida. E nos perguntar sobre a missão que o Senhor reservou para nós. Estamos sendo fiéis à nossa missão?
Orai sem cessar: “O Senhor deu-me a língua de um discípulo.” (Is 50,4)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

PALAVRA DE VIDA

 Eu te bendigo, Pai! (Mt 11,25-30)
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            Que se passa neste Evangelho, de modo fulgurante, senão a emergência, o afloramento, a erupção à luz do meio-dia da condição filial de Jesus? Quem faz esta pergunta é François C.-Trévedy, em seu livro “Sermons aus Oiseaux” (Ad Solem, 2009). Na oração de Jesus de Nazaré, o vocativo é sempre “Pai”, “Abbá”: a oração de um Filho...

            Não é a prece dirigida a uma potestade distante, a entidades ameaçadoras, a um panteão inatingível. Um Filho fala ao Pai. Precisamos aprender a rezar com Jesus...
            Qual o motivo da ação de graças de Jesus? “Tu revelaste isto aos pequeninos...” ISTO é o mistério da filiação de Jesus e de nossa afiliação nele, diz Trévedy. E prossegue: “Em uma espécie de à parte, do qual são testemunhas os mais próximos, Jesus faz eucaristia, alto e bom som, do desígnio do Pai, da revelação do Pai, da qual ele mesmo é o objeto, o ator e o instrumento, pois se cabe ao Filho revelar o Pai (cf. Mt 11,27), cabe igualmente ao Pai revelar a identidade filial de Jesus, muito além do que poderiam sugerir sobre ele a carne e o sangue (cf. Mt 16,17)”.
            “Na extrema pequenez de sua humanidade, Jesus confessa sua compreensão sobre o Pai, sobre o processo do Pai que esconde daqueles convencidos de ver bem (cf. Jo 9,41), enquanto revela àqueles que reconhecem a noite da qual nasceram. Deus, não dos sábios e doutores, Deus de Jesus Cristo.”
            Aos pequeninos, Deus se revela. Aos soberbos, ele se oculta. E quem é o menor de todos os pequeninos e, por isso mesmo, o primeiro a acolher essa revelação? É o próprio Jesus, diz Trévedy. “Seguramente, o primeiríssimo beneficiário desse ‘apocalipse’ é o Todo-pequeno por excelência”. Pequeno em tal escala, que ali fica sozinho, sem outra companhia.
            A religião de Jesus Cristo não é um culto de vencedores. O templo de Jesus Cristo não é frequentado por conquistadores. Os fiéis de Jesus Cristo não seguem um grande líder mundial. No coração dessa religião única, como brasa sob as cinzas, pulsa um segredo...
“O segredo no qual são iniciados os pequeninos é nada menos, em definitivo, que o próprio Segredo trinitário, o mútuo tutear entre Pai e Filho na língua inefável do Espírito.” Isto ajuda a entender as escolhas de Deus...
Orai sem cessar: “Senhor, abençoa teus filhos em teu seio!” (Sl 147,13)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.