quinta-feira, 21 de setembro de 2017

PALAVRA DE VIDA

 Ele se levantou e o seguiu... (Mt 9,9-13)
Resultado de imagem para (Mt 9,9-13)                Em poucas frases, numa narrativa curta e sóbria, Mateus relata o momento de sua vocação. Jesus passa, vê o publicano em sua banca e diz duas palavras: “Segue-me!” E ele o seguiu.

               O publicano é um judeu que aceitou a tarefa nada honrosa de cobrar o tributo de seus compatriotas e repassá-lo aos dominadores romanos, cujas legiões haviam invadido a Palestina no ano 63 a.C. É fácil imaginar o desprezo dos judeus pelos cobradores de impostos, cuja profissão era considerada como “impura”, em razão de seu permanente contato com os “cães” romanos.
               Daí, a estranheza dos fariseus, ciosos de sua “pureza ritual”, ao verem Jesus misturado com aquela “gentinha”. E o Mestre obrigado a dizer o óbvio: ele viera ao mundo pelos pecadores. Ajuda a entender se prestamos atenção a um detalhe: Mateus-Levi estava sentado. Posição estática. Ouve o chamado e se levanta. Ação dinâmica. O chamado de Jesus o move, o remove, o promove.
               É notável que ele atenda ao chamado sem se fazer perguntas: quem é este homem? Que crédito ele merece? E deixa tudo sem nenhum questionamento, abandonando na banca aquilo que havia recolhido na jornada. E, desde já, o ex-publicano se vê incluído em definitivo na lista dos Doze, as colunas da Igreja que o Mestre está edificando.
               Para Hébert Roux, é provável que Mateus mencione sua vocação apenas para poder relatar as palavras seguintes de Jesus, provavelmente pronunciadas na própria casa do futuro evangelista. “Se Jesus entrou na casa dele, é exatamente porque ele veio proclamar o perdão dos pecados no meio de homens pecadores”.
               Isto me leva a pensar nas pessoas que dizem: - “Confessar o quê? Eu não tenho pecados... Não matei, não roubei...” Se é assim, Jesus não veio para eles, veio para os outros... Veio para os que ofendem com palavras, veio para os que falam mal do próximo, veio para os que alimentam rancores, os que recusam o perdão, os que negam ajuda material a quem vem pedir... Na verdade, veio também para os que matam e roubam... desde que estes se reconheçam como pecadores...
               Enfim, Jesus Cristo não chama apenas pelos puros e santos, as estrelas alfa de cada constelação. Em sua missão de salvar, ele começou por um ladrão, no Calvário, a quem prometeu o Paraíso no mesmo dia. Igualmente, para trabalhar em sua Igreja, Jesus continua chamando gente frágil e sujeita ao pecado. Essa gente se levanta, deixa tudo e o segue...
Orai sem cessar: “Eu te chamei pelo teu próprio nome, tu és meu!” (Is 43,1)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

PALAVRA DE VIDA

 Alimento aos que o temem... (Sl 111 [110])
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               No Sermão da Montanha, Jesus disse que os pardais são alimentados pelo Pai do Céu, o mesmo que veste de esplendor os lírios do campo. E se ele alimenta humildes pardais, avezitas sem cor e sem canto, com muito mais razão há de alimentar os filhos! E isto nos ensina algo que devia ser óbvio, mas costuma “passar batido”. O mesmo Deus que nos cria, também nos alimenta. Que Pai seria esse que chamasse à vida e, a seguir, deixasse os filhos morrendo de inanição?

               Na história do Povo de Deus, o evento marcante da ação alimentadora de Deus está registrado no Livro do Êxodo. Caminhando pelo deserto, em 40 anos de jornada, era impossível plantar e colher. O Senhor acudiu o seu povo e, com permanente milagre, o alimentou com o maná: “O Senhor disse a Moisés: ‘Vou fazer chover pão do alto do céu. Sairá o povo e colherá diariamente a porção de cada dia’”.
               Os Padres da Igreja primitiva reconheceram prontamente no dom gratuito do maná uma figura do futuro sacramento da Eucaristia, que Jesus anunciaria como “o verdadeiro pão que meu Pai vos dá” (Jo 6,32). E Jesus vai além, apresentando-se como nosso alimento superessencial: “Eu sou o pão vivo que desci do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente”. (Jo 6,51)
               O Salmo da liturgia de hoje assegura que Deus é “alimento para os que o temem”. Santo Agostinho comenta este versículo: “Para que serviram os milagres, a não ser para incutirem temor? De que adiantaria, porém, o temor se o ‘Senhor, misericordioso e clemente’, não sustentasse ‘os que o temem’? Desceu o pão do céu (cf. Jo 6,27.51), alimento incorruptível, dado a quem nada merecia. Pois Cristo morreu pelos ímpios (cf. Rm 5,6). Ninguém daria tal alimento, a não ser o Senhor misericordioso e clemente. Se deu tanto nesta vida, se o Verbo feito carne acolheu o pecador para justificá-lo, que não receberá no futuro século o que for glorificado?”
               Houve épocas, em nossa Igreja, em que as pessoas participavam da assembleia eucarística, mas não comungavam. Em outras épocas, era preciso ter autorização especial do confessor para chegar à mesa da comunhão. As crianças só foram autorizadas a receber o Pão da Vida no pontificado do Papa Pio X [1903-1914]. Mesmo hoje, muitos católicos ainda não descobriram a importância da comunhão frequente como alimento para a missão. Creio, mesmo, que muitos cansaços e desistências aconteceram por falta dessa nutrição espiritual.
               Participando da mesa eucarística, nós nos preparamos para o banquete do Cordeiro.
Orai sem cessar: “Felizes os convidados para o banquete das núpcias do Cordeiro!” (Ap 19,9)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

terça-feira, 19 de setembro de 2017

PALAVRA DE VIDA

Pelo caminho reto... (Sl 101 [100])
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               O apóstolo Paulo insiste neste aspecto da transitoriedade humana: “Sabemos, com efeito, que ao se desfazer a tenda que habitamos neste mundo, recebemos uma casa preparada por Deus e não por mãos humanas, uma habitação eterna, no céu. [...] Sabemos que todo o tempo que passamos no corpo é um exílio longe do Senhor”. (2Cor 5,1.6b)
               No entanto, nosso exílio ou peregrinação exige um rumo a seguir. Não podemos caminhar em círculos como Israel em seu êxodo, nem caminhar para a ruína como os soldados de Faraó incursionando no mar.
               Por isso mesmo, o Salmo 1 – esse magnífico pórtico de entrada para o Saltério – nos posiciona diante de uma encruzilhada, com dois caminhos opcionais: o caminho da vida e o caminho da morte. No primeiro, somos como árvores plantadas à beira das águas, com uma folhagem que não murcha e frutos na estação adequada. No segundo caminho, acabaríamos como palha seca arrastada pelo vento do deserto.
               A Bíblia não foi escrita por sonhadores que caminhavam sobre as nuvens; ao contrário, seus redatores inspirados tinham os pés bem firmes sobre a terra da qual foram modelados. Assim, ao falar da trajetória espiritual dos homens, o verbo “caminhar” lhes ocorre com naturalidade. E não caminhamos sozinhos, pois Deus caminha conosco.
               “Eu sou o Deus Todo-poderoso. Caminha em minha presença e sê íntegro. Quero fazer-te o dom de minha aliança entre mim e ti, e multiplicarei ao extremo a tua descendência.” Em pleno Êxodo, Deus ainda é companheiro de caminhada: “O próprio Senhor caminhava à frente deles: de dia, numa coluna de nuvens para abrir-lhes o caminho; à noite, numa coluna de fogo para os iluminar”. (Ex 13,21)
               Nosso tempo traz a marca da dúvida sistemática, do pragmatismo, do relativismo e do cinismo. Apesar disso – ou exatamente por isso! – a Igreja cristã não pode calar o que lhe foi revelado: não é indiferente optar por um caminho ou por outro. Nossa escolha traz consequências para o tempo e para a eternidade. Basta pensar na História – o tempo dos homens – e verificar o resultado de escolhas que nos roubaram a paz.
               Isaías disse: “Os caminhos da paz eles não conhecem, a justiça não está no seu trajeto, fazem para si trilhos cheios de curvas, quem por eles passa não conhece a paz”. (Is 59,8)
Orai sem cessar: “Mostra-me, Senhor, os teus caminhos!” (Sl 25,4)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

PALAVRA DE VIDA

 O Senhor é meu escudo! (Sl 28 [27])
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                A existência humana neste planeta é evidentemente uma condição agônica, isto é, de permanente combate contra forças de desagregação que tendem para o caos. Até a Sequência da Missa de Páscoa – Victimae paschali laudes – refere-se a este conflito: “Mors et vita duello conflixere mirando”, isto é, morte e vida lutam em notável combate. Não admira, pois, que sejam tão frequentes na Bíblia as imagens de caráter guerreiro: a espada da Palavra de Deus, os dardos do inimigo, as fileiras de anjos, a couraça da justiça. É neste contexto que o poeta fala de Deus como seu “escudo”.

               Arma defensiva, ainda hoje vemos as tropas de choque munidas de escudos nas manifestações de rua. Em escala maior, fala-se em escudo antimíssil como proteção contra ataques terroristas. Assim, escudo é imagem de defesa e proteção.
               Eis o comentário de Manfred Lurker: “Na Bíblia, o escudo é a figura da proteção concedida por Deus. A Abraão disse o Senhor: ‘Não temas, Abraão! Eu sou teu escudo!’ (Gn 15,1) Após obter uma vitória contra os filisteus, Davi com gratidão chamou a Deus de o seu escudo, seu chifre de salvação e sua praça forte. (2Sm 22,3) Enquanto o escudo oferece normalmente proteção de um lado só, o escudo de Javé dá cobertura total; assim se deve entender o Sl 3,4: ‘Tu, porém, Senhor, és escudo em torno de mim’”.
               E ainda: “Apoiando-se em Efésios, João Crisóstomo compara a fé ao escudo; assim como este último faz malograr todo ataque, também a fé faz recuar todo mal. Na arte cristã, o escudo é atributo de santos guerreiros (como São Jorge) e do Arcanjo Miguel, para representar sua qualidade de batalhador contra satã ou o dragão apocalíptico”.
               A mesma imagem do escudo-proteção divina está expressa no Salmo 91:
“Ele [Deus] te livrará do laço do caçador, da peste funesta;
ele te cobrirá com suas penas,
sob suas asas encontrarás refúgio.
Sua fidelidade te servirá de escudo e couraça.
Não temerás os terrores da noite
nem a flecha que voa de dia,
nem a peste que vagueia nas trevas,
nem a praga que devasta ao meio-dia”. (Sl 91,3-6)

               Em tempos de medo e pânico, neuroses e fobias, por que recusar o escudo do Senhor?
Orai sem cessar: “O Senhor é escudo de todos que nele se refugiam!” (Sl 18,31)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

domingo, 17 de setembro de 2017

PALAVRA DE VIDA

 Não devias tu também? (Mt 18,21-35)
Resultado de imagem para (Mt 18,21-35)         Este Evangelho pode chamar a atenção de nossos financistas, economistas, auditores e contabilistas, e todos aqueles que “mexem” com dinheiro e contas a pagar. É que a parábola de Jesus está centrada no verbo “dever”. Aquele mesmo verbo que ocupa uma das três colunas dos livros contábeis: DEVE / HAVER / SALDO.

               Um grande devedor recebe uma grande anistia, sinônimo de perdão. Mal se vê livre da conta a pagar, o anistiado sai a cobrar a pequena dívida do companheiro, chegando ao extremo de obter sua prisão. Em consequência, o cobrador cruel tem anulada a sua anistia e é entregue aos carrascos...
               Eu devo e sou perdoado. Não devo mais? Claro que devo! Devo ainda mais do que antes! DEVO o perdão a todos aqueles que me devem, pois a mesma misericórdia que me agraciou, agora me comprime a ser uma imagem da misericórdia. Um devedor não pode ter a cara de pau de se alçar como cobrador. Daí, a resposta de Jesus a Pedro: perdoar, sim, não apenas sete vezes, mas setenta vezes sete: isto é, sempre, sem limites, sem reservas... Dai, a pergunta do “rei” ao servidor cruel: “Não devias tu também?”
               O teólogo Hans Urs von Balthasar comenta a mesma passagem: “Há poucas parábolas no Evangelho com uma força tão espantosa, não se pode fazer nenhuma objeção a ela. Nem existe outra que nos ponha diante dos olhos, de modo mais dramático, a amplitude de nossa culpável falta de amor: continuamente nós exigimos de nossos semelhantes aquilo que, ao nosso ver, eles nos devem, sem considerar por um instante a falta que Deus nos perdoou por completo. Nós costumamos rezar distraidamente o Pai-Nosso: ‘Perdoai as nossas ofensas, como nós também perdoamos...’ Mas nós não refletimos como dificilmente renunciamos à nossa justiça terrestre, em comparação com aquilo que Deus renuncia em nosso favor pela justiça celeste.”
               Deus não nos deu uma Lei para nos tornarmos juízes dos outros, mas para que tomemos consciência de nossa incapacidade de cumpri-la sem a graça divina. O Evangelho não nos oferece exigências de santidade para condenarmos os “fora-da-lei”, mas para que nos apoiemos na força de Deus, que supera toda fraqueza humana.
               Dever. Voltemos ao verbo dever. Há uma conta a pagar. É dívida monstruosa. A dívida do meu pecado. Que fez o divino Juiz? “Deus anulou o documento que nos era contrário, e o eliminou, cravando-o na cruz.” A fatura que eu devia pagar tornou-se ilegível, pois os algarismos da conta estão borrados de vermelho: o sangue do Filho que morreu por mim.
Orai sem cessar: “Ao Senhor pertence a misericórdia e o perdão.” (Dn 9,9)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

sábado, 16 de setembro de 2017

PALAVRA DE VIDA

 O Senhor se inclina... (Sl 113 [112])
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                Na mitologia clássica, os deuses gregos e romanos habitavam as altitudes do Olimpo e – para empregar uma expressão nada acadêmica – “não estavam nem aí” para os reles mortais. As raras incursões de alguma divindade em nosso planeta apenas causavam confusão e terror.

               Não é assim no mundo bíblico. O Senhor Yahweh – o Deus das Escrituras – toma a iniciativa de se revelar aos homens que havia criado. Dialoga com eles. Convoca Abrão para dar ao início a um povo “seu”: meu povo! Transmite a Moisés as tábuas da Lei. Fala pelos profetas. Quer ser um “Deus-conosco”...
               Apenas uma experiência desta natureza justifica o versículo deste Salmo: “Quem é igual ao Senhor nosso Deus, que mora no alto e se inclina para olhar para os céus e para a terra?” Sim, o homem não precisa realizar o esforço atlético de olhar acima das nuvens, nem galgar os árduos degraus de uma escada celeste, como no antigo ícone do Oriente. É do próprio Senhor a iniciativa de se inclinar, rebaixando-se, e descer ao nível da criatura, tornando-se acessível e imanente.
               Natural, o salmista não podia imaginar, na meia-luz da Primeira Aliança, que esta “inclinação” divina chegaria ao extremo de nos enviar seu próprio Filho. Encarnado, nascido de Mulher, viria a nós o Verbo eterno, despido da glória que cegava os anjos, para se abandonar às mãos humanas e permitir o mais íntimo e próximo contato. Cumpria-se a profecia do Emanuel...
               Em comentário a este Salmo, Santo Agostinho interroga seus ouvintes: “Nas alturas em que habita, o Senhor também vê as coisas humildes?” Deus se interessa por nossa miserável condição? E ele mesmo responde: “O Senhor não somente os ergue do estrume para os colocar entre os príncipes de seu povo, mas ainda ‘faz habitar a estéril em casa, mãe e feliz com seus filhos’, ele que habita nas alturas e vê o que é humilde no céu e na terra, a descendência de Abraão como as estrelas do céu...”
               Movidos pelo verbo “inclinar”, como não mentalizar a imagem da mãe que se debruça sobre o leito de seu pequeno filho? Após reclinar o bebê em seu berço, a mãe se inclina para beijá-lo. É o retrato acabado de uma relação íntima e amorosa.
               Daqui em diante, ninguém se espante com os versos iniciais do “Cântico dos Cânticos”, aplicados pelos Padres da Igreja à relação entre a alma e seu Deus: “Que ele me beije com os beijos de sua boca”. (Ct 1,1)
Orai sem cessar: “O Senhor inclinou para mim o seu ouvido...” (Sl 116,2)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

PALAVRA DE VIDA

 Junto à cruz... (Jo 19,25-27)
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                Aparentemente, apenas uma cláusula locativa. Adverbial de lugar. Só que o mesmo lugar registra notáveis ausências: ali não se vê Pedro, a “rocha”. Não está presente Simão, o zelota, isto é, o bravo guerrilheiro. Todos os amigos de Jesus fugiram diante do anticlímax inesperado: a prisão, condenação e crucifixão de Jesus.

               “Junto à cruz”, apenas quatro mulheres e um jovem discípulo. Pois a presença de João, que não teme se arriscar nem se permite abandonar o Mestre amante, acaba recompensada de modo admirável. Vendo que sua vida chegava ao fim, Jesus deixa seu maior tesouro, Maria, sob os cuidados do discípulo amado. “Eis a tua mãe!”
               Os Padres da Igreja reconheceram na pessoa de João, aos pés da cruz, uma figura da Igreja que acompanha o Mestre em sua Paixão. Modernamente, São Josemaría Escrivá comentaria: “Os autores espirituais viram nestas palavras do Santo Evangelho um convite dirigido a todos os cristãos para que Maria entre também em suas vidas. Em certo sentido, é quase supérfluo este esclarecimento. Maria quer certamente que a invoquemos, que nos aproximemos dela com confiança, que apelemos para a sua maternidade, pedindo-lhe que se manifeste como nossa Mãe”.
               Por outro lado, também Maria, aos pés da cruz, é convidada a experimentar uma ampliação de sua maternidade. A partir do Calvário, aquela que era Mãe de Jesus Cristo deve estender seu manto materno sobre todo o “corpo de Cristo”, a Igreja. Dali em diante, cada fiel, imagem de Jesus, passa a ser incluído como filho de Maria.
               Nestes últimos tempos, quando o Papa João Paulo II adotou como lema a expressão “totus tuus” (isto é, “todo teu”, todo de Maria!), também ele se inscrevia entre os filhos, na esteira de João. Sua extremada devoção Mariana, que o levou a escrever documentos como a Redemptoris Mater e a Rosarium Virginis Mariae, animou muitos fiéis a recorrerem à sua materna proteção. Hoje elevado aos altares, o santo polonês confirma que a maternidade mariana é caminho de santificação.
               Parece natural que os discípulos de Jesus venham a honrá-lo também com gestos de amor por Maria. Afinal, quem louva a Mãe, honra o Filho. Estranho é alguém imaginar que nosso amor pela Mãe pudesse desagradar ao Filho...
               No dia de N. Senhora das Dores, a Virgem fiel e o discípulo amado nos ensinam a verdadeira prova de amor a Jesus: permanecer junto à cruz...

Orai sem cessar: “Busquei aquele que meu coração ama.” (Ct 3,1)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.