quinta-feira, 18 de agosto de 2011

PALAVRA DE VIDA
Eles não fizeram caso... (Mt 22, 1-14)

Um Rei celebra as bodas do Filho. Por meio dos servos, envia honroso convite àqueles que o próprio Rei [Deus] selecionara para o festim. O Filho é o Messias esperado. A imagem do “banquete” é uma das figuras que o Antigo Testamento utiliza para anunciar os tempos messiânicos, tempos de fartura, de leite e mel, de vinhos velhos e carnes medulosas... (Cf. Is 25, 6; 55, 2; Jl 2, 19.)

Aqui ocorre uma fratura na narrativa. Os convidados recusam o convite, pois têm outros interesses, ocupações que não devem interromper: campos a trabalhar e negócios a realizar. Desprezando o excepcional favor que lhes é oferecido, chegam ao extremo de ultrajar e assassinar os enviados do Rei.

Quem são os enviados, portadores do convite real? São os profetas. Perseguidos como Jeremias, decapitados como João. E os ilustres convidados? O povo de Israel, “preferido” de Deus, ao qual “foram dadas a adoção, a glória, as alianças, a Lei, o culto, as promessas e os patriarcas” (cf. Rm 9, 4-5).

Eis o terrível mistério da recusa de Deus, recusa da salvação. Em sua liberdade, o homem pode abraçar o mal e rejeitar o bem. Pode repelir a luz e mergulhar nas trevas. Assim, podemos afirmar que Deus não nos condena, mas nós mesmos nos condenamos ao escolher outro deus, outro senhor, que pode ser o dinheiro, o poder, a fruição dos prazeres ou, enfim, nosso próprio EU.

A segunda parte da parábola mostra o afã do Rei em não deixar vazia a sala do banquete. Desta vez, são “ajuntados” os que estão à margem os “de fora”, que vagueiam pelos caminhos e encruzilhadas. Diante da recusa de Israel, também aos “pagãos” – “os que não eram povo” – é oferecida a veste branca, que S. Gregório Magno interpreta como a virtude da caridade.

Nós, cristãos e batizados, temos algo em comum com o povo da Primeira Aliança: sentimo-nos especiais, privilegiados, especialmente se comparamos nosso culto com as práticas dos animistas, com seus fetiches, ou com os hindus e seus rituais de purificação. Cuidado! Podemos cair na armadilha criada por nosso próprio orgulho. Após décadas de missas e orações e penitências, podemos cair na ilusão de que Deus nos deve algo e - num acesso de loucura – apresentar ao Senhor uma fatura, cobrando a salvação. Ora, o banquete é puro dom. Pura graça. Nada merecido. Nada conquistado com suor e sacrifícios. Tão gratuito quanto a entrega de Jesus, em sua Paixão: puro ato de amor.

Amor com amor se paga...

Orai sem cessar: “Preparas uma mesa para mim...” (Sl 23 [22], 5)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

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