sexta-feira, 4 de novembro de 2011

PALAVRA DE VIDA

Presta contas! (Lc 16, 1-8)
A parábola do administrador desonesto costuma escandalizar muita gente. Uma leitura superficial parece dar a entender que o Mestre elogia um safado. Claro que não! A falta de ética do corrupto – para usar termos atuais – era (e é) execrável. Mentira e falsidade não receberiam elogios do Mestre da Verdade!

O que Jesus quer ensinar é bem outra coisa: se os fiéis dedicassem por sua salvação (e pela salvação dos outros!) o mesmo empenho e inteligência que os mundanos dedicam a seus negócios escusos e duvidosos, pouca gente se perderia.

Mas não é sobre isto que eu quero refletir hoje. Claro que devemos prestar contas de nossa vida ao seu término. Mas não devemos cair na ilusão de que seremos capazes de acumular tantos méritos, a ponto de podermos apresentar a Deus uma fatura e dele cobrar nosso direito ao céu. A salvação é sempre graça, grátis, dom. Antes, será com trajes de mendigo que nos apresentaremos ao Senhor.

É disso que falo – um tema tipicamente teresiano - em meu soneto “Balanço”:



Quando chegar ao fim a minha vida,

Toda cheia de curvas e de dobras,

Ah! não contes, Senhor, as minhas obras

A ver se a recompensa é merecida!

Minha justiça é logo corrompida...

Minhas boas ações, apenas sobras...

Eu fui um fariseu: minhas manobras

São ruínas em pó, massa falida...

Quando chegar ao fim destes meus dias,

Sei que terei as minhas mãos vazias

E a túnica bem rota de um mendigo!

E, por saber que tudo logo passa,

Eu me abandono inteiro à tua graça,

Pois só o Amor eu levarei comigo...


Orai sem cessar: “Deus tenha piedade de nós e nos abençoe!” (Sl 67, 1)

Texto e poema de Antônio Carlos Santini, da Com. Católica Nova Aliança.

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