Pobres em espírito... (Mt 5, 1-12a)
Para von Balthasar, “não se trata de uma moral universal que todo mundo pudesse compreender, mas a pura expressão da missão e do destino mais pessoal” de Jesus Cristo. Afinal, Ele é exatamente aquele que, sendo Deus, se fez pobre por nós, chegando ao extremo da cruz.
Em seu Sermão 25, São Leão Magno escrevia: “Quando Jesus diz: ‘Felizes os pobres em espírito’, Ele nos mostra que o Reino dos céus será dado antes à humildade do coração que à ausência das riquezas. Não há dúvida de que os pobres adquirem este bem mais facilmente que os ricos, pois a pobreza os inclina antes à bondade, e a riqueza dos outros leva-os mais à arrogância. No entanto, muitos ricos possuem este espírito que põe a abundância a serviço não de seu prestígio, mas de obras de caridade. Para estes, o maior lucro está naquilo que eles gastam para amenizar a miséria e o sofrimento dos outros”.
Recordando o gesto de Pedro, ao curar o paralítico (At 3, 6) à porta do Templo – “Não tenho ouro nem prata, mas o que tenho eu te dou...” -, Leão Magno comenta: “Que há de mais sublime que esta humildade? Que seria mais rico que esta pobreza? Pedro não tem os recursos do dinheiro, mas dispõe dos bens da natureza. Aquele que a mãe, de seu seio, fizera nascer enfermo, Pedro cura-o com uma palavra. Não tendo moedas com a efígie de César, ele restaura no homem a imagem de Cristo. A riqueza desse tesouro não apenas socorreu àquele a quem devolvia a capacidade de andar, mas também aos cinco mil homens que creram na exortação do apóstolo por causa desse milagre”.
Assim, antes de perder tempo a discutir quem é o “pobre em espírito”, nosso lucro seria maior se nos lembrássemos de todos os tesouros que Deus já investiu em nós, sua Igreja, e nos dispuséssemos a partilhar diariamente, com aqueles que sofrem, toda a riqueza – material e espiritual – de que somos felizes portadores.
O mais, é vã filosofia...
Orai sem cessar: “Não te esqueças dos pobres!” (Sl 10, 12b)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.
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