domingo, 6 de novembro de 2011

PALAVRA DE VIDA

Pobres em espírito... (Mt 5, 1-12a)
Poucas passagens do Evangelho fizeram correr tanta tinta! Entre os numerosos comentaristas, figuram aqueles que tentam adocicar uma bem-aventurança tão exigente. Por isso mesmo, ao meditar este Evangelho, H. U. von Balthasar começa por lembrar que Jesus se dirigia aos discípulos, isto é, falava exclusivamente àqueles que estavam dispostos a seguir o áspero caminho do Mestre, e não apenas a escutar suas belas palavras...

Para von Balthasar, “não se trata de uma moral universal que todo mundo pudesse compreender, mas a pura expressão da missão e do destino mais pessoal” de Jesus Cristo. Afinal, Ele é exatamente aquele que, sendo Deus, se fez pobre por nós, chegando ao extremo da cruz.

Em seu Sermão 25, São Leão Magno escrevia: “Quando Jesus diz: ‘Felizes os pobres em espírito’, Ele nos mostra que o Reino dos céus será dado antes à humildade do coração que à ausência das riquezas. Não há dúvida de que os pobres adquirem este bem mais facilmente que os ricos, pois a pobreza os inclina antes à bondade, e a riqueza dos outros leva-os mais à arrogância. No entanto, muitos ricos possuem este espírito que põe a abundância a serviço não de seu prestígio, mas de obras de caridade. Para estes, o maior lucro está naquilo que eles gastam para amenizar a miséria e o sofrimento dos outros”.

Recordando o gesto de Pedro, ao curar o paralítico (At 3, 6) à porta do Templo – “Não tenho ouro nem prata, mas o que tenho eu te dou...” -, Leão Magno comenta: “Que há de mais sublime que esta humildade? Que seria mais rico que esta pobreza? Pedro não tem os recursos do dinheiro, mas dispõe dos bens da natureza. Aquele que a mãe, de seu seio, fizera nascer enfermo, Pedro cura-o com uma palavra. Não tendo moedas com a efígie de César, ele restaura no homem a imagem de Cristo. A riqueza desse tesouro não apenas socorreu àquele a quem devolvia a capacidade de andar, mas também aos cinco mil homens que creram na exortação do apóstolo por causa desse milagre”.

Assim, antes de perder tempo a discutir quem é o “pobre em espírito”, nosso lucro seria maior se nos lembrássemos de todos os tesouros que Deus já investiu em nós, sua Igreja, e nos dispuséssemos a partilhar diariamente, com aqueles que sofrem, toda a riqueza – material e espiritual – de que somos felizes portadores.

O mais, é vã filosofia...

Orai sem cessar: “Não te esqueças dos pobres!” (Sl 10, 12b)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

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