Entrar na alegria... (Mt 25, 14-30)
Sim, o texto da Vulgata usa o verbo “entrar”: “Intra in gaudium Domini tui!” [Entra na alegria do teu Senhor!] (Mt 25, 21.) Trata-se de um “convite imperativo” que Deus nos apresenta, semelhante àquela ordem de obrigar os mendigos a entrar no banquete: “Compelle intrare!” [Obriga-os a entrar!] (Lc 14, 23.) É que o Rei está ansioso por ver repleta a sala do seu festim, por isso é tão determinado em “laçar” os eventuais convivas. O Senhor não quer guardar a alegria só para si.Enquanto isso, distraídos do essencial, preocupados com o balancete contábil, ficamos a discutir sobre investimentos e dividendos, bônus e participações. Quem lucrou mais, quem bobeou no mercado. Como se a questão fosse de aritmética avançada...
A questão é outra!!! O Rei quer que nós “entremos” em sua alegria, no gozo da bem-aventurança. O Rei passou séculos encarregando seus profetas de anunciar os tempos messiânicos, quando o povo teria, de graça (cf. Is 55, 1-2), banquetes de carne gorda e festins de vinhos velhos (cf. Is 25, 6). Ora, chega afinal o tempo da festa e nós perdemos tempo a calcular talentos? Discutimos qual dos servos foi mais eficiente e produtivo?
Este desvio é generalizado: acredita-se que é preciso “merecer” o céu, arrombar suas portas a golpes de... boas obras, tal como ensinam os kardecistas. E Deus quer apenas que nós mergulhemos em sua íntima alegria!
Lev Gillet, pregador e exegeta inspirado, comenta: “Ainda não atingimos aquilo que há de mais profundo na alegria de Deus: a alegria intradivina. É um domínio tão profundo, tão difícil, que seria melhor calar-se. No entanto, podemos perceber alguns de seus reflexos. A alegria intradivina é a alegria das Pessoas da Santíssima Trindade. Em Deus, há Pessoas unidas no amor, que encontram sua suprema alegria nas relações de amor que as unem umas às outras. Estas relações de amor em Deus só podem ser comparadas a um braseiro, uma fornalha. É esta a alegria de Deus que vêm sobre nós, que vem em nós”.
Neste fogoso clima de Amor abrasado, os livros de contabilidade são entregues às chamas. Não dá mais para ler algarismos e quantidades. O Amor queima tudo. Ah! Um céu todo em chamas! As fornalhas do Amor aquecendo a alegria em cada coração... Como será diferente dos gelos antárticos do inferno!
Orai sem cessar: “Em Vós eu estremeço de alegria!” (Sl 9, 3)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.
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