quarta-feira, 23 de novembro de 2011

PALAVRA DE VIDA

Nem um só cabelo! (Lc 21, 12-19)
Jesus falava como o povo. Usava figuras extraídas do dia-a-dia: lírios e pardais, redes e lamparinas, agulhas e camelos. Mesclava todos os “mundos”: o feminino (com a massa de pão e os remendos da roupa velha) e o masculino (os denários e os banquetes); o urbano (dos mendigos) e o rural (dos semeadores); o adulto (com os tribunais) e o infantil (com os folguedos na praça).

Neste Evangelho, Jesus fala de um fio de cabelo. Nada menor, mais insignificante! Aliás, mera excreção do organismo. Em outras passagens, Jesus fala das mãos (que vale a pena amputar, antes que perder o Reino!), dos olhos (atrapalhados por traves), dos ouvidos (que não querem ouvir), dos rins (que devem estar sempre cingidos, na prontidão para o caminho). Hoje, quase microscopicamente, o Mestre chama a atenção para um simples “fio de cabelo”. Sua intenção é dizer que, mesmo nas perseguições orquestradas pelos sequazes do anticristo, entre maçonarias e cárceres, tiranos e régulos, podemos confiar na divina proteção, pois “nem um fio de cabelo se perderá de vossa cabeça”.

Sem esta confiança, Paulo não enfrentaria a oposição de seus compatriotas, um Francisco Xavier não atravessaria mares e oceanos naquelas casquinhas de noz que chamavam de “navios”. Sem a certeza de que o Senhor está de nosso lado, Maximiliano Kolbe não se ofereceria para morrer em lugar do outro condenado. Sem a convicção de que Deus caminha conosco, Madre Teresa não teria trocado a segurança de seu convento pelas agruras da vida no sórdido lixão de Calcutá...

É bem verdade que andamos iludidos por longo tempo. De algum modo, chegamos a acreditar que a adesão ao Evangelho nos granjearia fama e poder, aplausos e benesses. Como servos de Deus, ocuparíamos lugar nos palanques do mundo, entre as autoridades civis, militares e... eclesiásticas.

Graças a Deus, esse tempo passou. Acabou. Hoje, a mídia zomba da Igreja, crucifica os ministros de Jesus no calvário das manchetes. Prega um anti-Evangelho feito de ódio e sarcasmo. A propaganda induz ao pecado. Os Parlamentos legitimam o aborto, chancelam a eliminação de nossos velhinhos. Daqui em diante, ninguém pedirá o batismo para lucrar. Ninguém abraçará o Cristo para se mascarar.

Doravante, sabemos que ser cristão é navegar contra a corrente, viajar na contramão. Mas nem um fio de cabelo cairá de nossa cabeça – garante Jesus!

Orai sem cessar: “Aclamemos o rochedo que nos salva!” (Sl 95 [94], 1)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

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