quarta-feira, 30 de novembro de 2011

PALAVRA DE VIDA

Pescadores de homens... (Mt 4, 18-22)
Muitas vezes, quem andou pelas estradas da vida um tanto alheio à voz de Deus e, inesperadamente, é envolvido por sua luz, pode ter a ilusão de que sua vida pregressa foi tempo perdido. Não foi.

Nada se perde em nossa vida. Vejam só o caso de André. Juntamente com Simão Pedro, seu irmão, passara longos anos na faina de pescador. A velha barca, as redes cansadas (cf. Mt 4, 21), o Lago de Tiberíades tantas vezes sem peixes (cf. Lc 5, 5; Jo 20, 3), o risco das tempestades (cf. Lc 8, 23) – tudo serviria de treinamento para a futura missão.

De fato, de um pescador são exigidas muitas virtudes. Paciência, quando o peixe é arisco. Determinação, para insistir na pesca. Coragem, para enfrentar os elementos. Fibra, para suportar o ardor do sol, o chicote dos ventos, os incômodos insetos. Gente mole não se dedica à pesca.

Ora, a futura tarefa de evangelizar e “pescar homens” para Deus iria exigir de André e companheiros exatamente aquelas virtudes. É que os homens podem ser mais ariscos que os peixes. Custam a morder a isca. Preferem remexer no lodo do fundo. Preferem a vida errante, sem compromissos.

O evangelizador passará noites em claro, seguirá por rotas perigosas e, não raro, voltará de mãos vazias. No caso de André, o Apóstolo não se abalaria com nada disso. Afinal, já tinha experiência anterior. Estava calejado, sem sonhos românticos e sem falsas ilusões...

Em nosso caso, trazemos a experiência de família, da escola, do trabalho – e nada disso se perde quando vem a hora de anunciar ao mundo o Evangelho de Jesus. Cada um com seu dom, eis a Comunidade evangelizadora em sua missão. Porteiros e auxiliares da limpeza, músicos e pregadores, administradores e conselheiros, todos somam habilidades e serviços para o Reino de Deus.

E quanto mais essa cooperação se efetivar no amor, tanto mais farta será a pescaria, tanto mais fértil a colheita. E poderemos voltar os olhos para o passado, mesmo ali onde abundou o pecado, e dar a graças a Deus que nos chamou ao seu serviço.

Enfim, como escreveu Jean Vanier, “nós não somos chamados a fazer coisas extraordinárias, e sim coisas ordinárias, porém, com um amor extraordinário”.

Orai sem cessar: “Eis que vim para fazer a tua vontade.” (Hb 10, 9)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

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