Nenhum milagre... (Mc
6,1-6)
Jesus fez o primeiro milagre em
Caná, bem pertinho de Nazaré. Fez milagres em Cafarnaum, à beira do lago. Fez
milagres em Jerusalém, junto ao Templo. Fez milagres nas estradas e
encruzilhadas. Fez milagres e prodígios por toda parte. Mas viu-se impotente em
sua própria cidade, diante da incredulidade de seus conterrâneos. Daí o ditado
que ainda repetimos: ninguém é profeta em sua terra...
Jesus esteve ali o tempo todo,
imerso na rotina de uma aldeia do interior. Homens e mulheres iam e vinham,
esbarrando os cotovelos no Filho de Deus. Mas eles só enxergavam o filho do
carpinteiro...
Será que vamos repetir o mesmo erro?
Será que ficaremos cegos à presença de Deus na rotina diária que vivemos? Será
que nós faremos parte dessa multidão que se deixa seduzir pela ilusória promessa
de milagres com hora marcada? Será que nossa religião estará sempre à espera de
um Cristo espetacular?
Ah! Triste Nazaré! Foste
privilegiada com a visita do anjo... Foste honrada com a presença da Mãe de
Deus... Foste enobrecida com as mãos calejadas de José, o justo... Teu solo foi
pisado pelo Verbo Criador... E não percebeste nada disso? Pobre Nazaré!
Por outro lado, quando Jesus abriu a
boca e semeou uma Palavra cheia de sabedoria, os parentes e vizinhos prestaram
mais atenção no aprendiz de carpinteiro do que na mensagem de salvação. E
perderam o bonde da história, todo o leque das oportunidades oferecidas na
plenitude dos tempos.
Deus se manifestava, oferecia
gratuitamente o novo Caminho, fazia-se carne. E esse oferecimento impensável
rolava na sarjeta, desprezado. Faremos o mesmo?
São pequenas coisas, talvez, pequenos
gestos... A matéria humilde dos sacramentos, um pedacinho de pão, uma gotinha
de vinho... A antiga prece ao anjo da guarda, o velho cântico cantado pela
avó... E era Deus que se manifestava na simplicidade mais rotineira...
Sim, Deus quer fazer milagres em
nossa vida. Quer que nossa vida seja um milagre. Mas o maior milagre é o
próprio Jesus Cristo, nascido de Mulher, revestido de nossa carne, abraçado às
nossas cruzes. E essa Presença velada é a certeza de que não estamos sós.
Texto de
Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.
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