Um vaso cheio não pode receber mais água. A ciência pode “inchar”, adverte São Paulo (1Cor 8,1b). Quem se julga sábio arrisca-se a desprezar o que lhe parece muito simples ou incompatível com seus hábitos racionais. Já os “pequeninos” – diminutivo que se aplica normalmente às crianças – mostram-se abertos à revelação dos mistérios de Deus. Impossível, não lembrar S. Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face, com sua “pequena via”, o caminho simples e humilde para a santidade. Quem leu “História de Uma Alma”, seus preciosos manuscritos autobiográficos, há de lembrar-se de suas palavras:
“Jesus sente prazer em mostrar-me o único caminho que leva para essa fornalha divina, e esse caminho é a entrega da criancinha que adormece sem receio no colo do pai... ‘Quem for criança, venha cá’ (Prov 9,4), disse o Espírito pela boca de Salomão, e esse mesmo Espírito de Amor disse também que ‘a misericórdia é dada aos pequenos’. Em nome dele, o profeta Isaías revela que, no último dia, ‘o Senhor leva à pastagem o seu rebanho, com seu braço conserva-o reunido; traz no seu regaço os cordeirinhos, e tange cuidadosamente as ovelhas que aleitam.” (Man. B, 242.)
Quando a Igreja proclamou a Pequena Teresa como Doutora da Igreja, apenas se curvava diante de uma evidência: a grande sabedoria espiritual está na simplicidade da criança que se abandona e se deixa guiar pelo Espírito de Deus. A santidade não se confunde com heroísmos. É feita de coisas ordinárias vividas com um amor extraordinário. Tanto que Teresinha ensinou: a maneira como apanhamos do chão um alfinete pode salvar almas...
Os soberbos e autossuficientes torcem o nariz para a Pequena Via. Preferem conquistar a santidade como um pódio de vencedores. Apostam no “crescimento espiritual”, buscam o “controle da mente”, a aquisição de poderes e a posse de dons extraordinários. Ao fim da maratona, seriam senhores da Gnose – um conhecimento reservado a poucos – que lhes permitiria galgar o Olimpo e nivelar-se a Deus...
Deus se alegra em dar de graça aos pequenos tudo que a mente humana jamais poderia alcançar. O abandono da mística nos institutos de teologia revela o desgosto dos “doutores” pelo “caminito” dos “anawim”, os pobres de Deus.
Estou disposto a abandonar-me no colo de Deus?
Orai sem cessar: “Como uma criança no seio materno,
Assim está minha alma em mim mesmo.” (Sl 131,2)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.
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