...em terra boa... (Mt
13,18-23)
Na terra batida do caminho, o
Maligno arrebata a semente antes que possa penetrar e germinar. Quem cede às
tentações e sugestões do Inimigo encarna bem este terreno. Os mestres da
ascética e da mística sempre nos alertam para a necessidade de vigilância para
fugir até mesmo das ocasiões de pecado. Quem brinca com o fogo...
O terreno pedregoso simboliza a
volubilidade humana: à primeira dificuldade, obstáculo ou perseguição, logo
brotam reclamações, amarguras e azedumes. Vêm à tona os sentimentos de
desânimo, de impaciência, que geram o comportamento de vítima. E não demora a
secar a plantinha que havia brotado...
E os espinhos que sufocam a
plantinha? São as luzes do mundo, as seduções do paganismo, a saudade dos
prazeres mundanos. No fundo do coração, apesar da experiência de Deus, ainda
resistia algum apego às “delícias” da sociedade sem Deus, onde se vive de lucro
e prazer e – acima de tudo – onde há notável alergia a todo tipo de cruz...
Enfim, temos a “terra boa”. Ouvir a
Palavra, acolher com amor e permitir que ela dê frutos... Se, por um lado, tudo
é graça, pois é Deus quem semeia, por outro lado tudo é cooperação com a graça,
pois o Senhor respeita a liberdade de cada um. A seara viçosa e a fértil
colheita dependem do jogo desses dois amores: um Deus que ama e alguém que se
deixa amar.
Não podemos reclamar: Deus tem
insistido em sua sementeira. Geração após geração, século após século, Deus tem
sido fiel. Não nos faltou a sua Palavra. Não nos faltou a sua Igreja. Não nos
faltaram os seus santos.
Bem, devo confessar. Não sabemos ser
terra boa. Mas podemos pedir a Deus que adube nossa terra. E ele o fará. Ainda
que seu adubo sejam provações, sofrimentos e cruzes. Tudo por amor...
Orai
sem cessar: “A terra está cheia da bondade do
Senhor!” (Sl 33,5)
Texto
de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.
Nenhum comentário:
Postar um comentário