segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

PALAVRA DE VIDA

Eles já não têm vinho... (Jo 2,1-11) 

     Na memória mariana de N. Sra. de Lourdes, historicamente ligada às dezoito aparições da Mãe de Deus a Bernadette Soubirous, em Lourdes, França, a Igreja escolhe para sua liturgia o Evangelho das “Bodas de Caná”, quando Jesus manifestou sua divindade ao transformar água em vinho, após a intervenção maternal de Maria. 
     Mais que o lado espetacular do milagre que afeta o próprio coração da matéria, esta memória cativa nosso olhar para a atuação de Maria em um casamento celebrado na roça. Se falta o vinho, alma da festa, é Maria quem o percebe e recorre ao Filho, à espera de providências. Mas trata de sair de cena assim que cumpre sua tarefa... 
     Mais uma vez, Maria espelha a imagem da comunidade eclesial, que deve estar atenta às necessidades dos homens e mulheres de todos os tempos, recorrendo sempre à Fonte de todo bem, Jesus Cristo, para atenuar os sofrimentos humanos. 
     Sem dúvida, a imagem da “água” terá motivado a escolha deste Evangelho. O mesmo Jesus que muda água em vinho foi aquele que curou o paralítico, à beira da piscina de Bethesda (cf. Jo 5). Foi do lado aberto de Jesus, no Calvário, que jorrou a água para lavar os pecados da humanidade ferida e devolver-lhe vida plena. É natural a escolha desta data como Dia Mundial dos Enfermos. Assim como Jesus, a Igreja existe para o doente e o pecador. Maria nos serve de exemplo. Esquecida de si, ela é toda serviço e dedicação aos mais necessitados. Mas deixa a Jesus o primeiro plano. 
     Na Encíclica “Deus é Amor”, ao falar sobre a missão diaconal da Igreja, diz Bento XVI: “Maria é grande precisamente porque não quer fazer-se grande a si mesma, mas engrandecer a Deus. Ela é humilde: não deseja ser mais nada senão a serva do Senhor. Sabe que contribui para a salvação do mundo, não realizando uma obra sua, mas apenas colocando-se totalmente à disposição das iniciativas de Deus”. (DCE, 41.) Com Maria, aprendemos que a atuação caritativa não é mera “ação social”, mas deriva diretamente de um coração cheio de misericórdia e compaixão. Nossa Senhora de Lourdes aparece no côncavo de uma gruta, imagem do útero materno, imagem da Igreja acolhedora e aberta a todos os povos. 
     Da gruta, brota a água onde tantos enfermos se banharam e foram curados. Do coração da Igreja manam os sacramentos que distribuem a vida, curam os males e vitalizam os passos dos homens. E todos estes dons divinos existem exatamente para os doentes e os pecadores, não são um privilégio para os sadios e bem comportados... 
     Orai sem cessar: “Com alegria, tirareis água das fontes da salvação...” (Is 12,3) 
     Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

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