sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

PALAVRA DE VIDA



Eu te darei as chaves... (Mt 16,13-19)


            Comentando este Evangelho, o teólogo Hans Urs von Balthasar recorda o simbolismo das chaves. Começa por explicar que as antigas chaves da cidade eram muito grandes e pesadas, a ponto de serem carregas no ombro, tal como uma... cruz. Assim, se as “chaves do Reino” significam plenos poderes para Pedro, também significam uma pesada responsabilidade.
            “Na Nova Aliança – observa von Balthasar -, é Jesus quem detém a chave de Davi: ‘se ele abre, ninguém a fechará; se ele fecha, ninguém a poderá abrir’. (Cf. Ap 3,7.) É a chave principal da vida eterna, à qual pertencem também ‘a chave da Morte e do Inferno’ (Ap 1,18).”
            Neste Evangelho, Jesus entrega esta chave a Pedro, um homem que Ele escolheu para representá-lo entre os irmãos. A esse homem – tão frágil e imperfeito como outro homem qualquer – é concedido o poder de “abrir e fechar”, “ligar e desligar” (cf. v. 19).
            E a coisa não se resume a isto. Antes de falar nas chaves, Jesus tinha dito a Pedro: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja” (v. 18). A Igreja de Jesus, Filho de Deus e Senhor do Universo, está apoiada em um homem. O Mestre joga com as palavras “Pedro” e “pedra” [kefas, no aramaico, significa rocha]. O trocadilho permanece no latim [Petrus / petra] e no português [Pedro / pedra]. E se lembramos que Jesus se apresentara como aquela “pedra que os construtores rejeitaram” (Mc 12,10; cf. Sl 118,22) e, mais tarde, viria a ser a pedra de ângulo [isto é, uma pedra tão bem talhada em seus ângulos e arestas, que serviria de referência para toda a muralha!], mais ainda nos espantamos com a imagem escolhida por ele para designar a missão de Pedro no coração da Igreja: aquele que servirá de referência para os demais apóstolos.
Diz von Balthasar: “Trata-se precisamente, na fundação do Cristo, sempre de alguém bem determinado que detém as chaves. Ninguém poderia providenciar uma senha ou uma chave substituta para abrir e fechar. [...] É a comunidade, uma parte da Igreja, que é construída sobre o rochedo de Pedro, de quem fazem parte todos os ministérios sacerdotais”.
Como andam nossos sentimentos e nossa relação com o Papa?

Orai sem cessar: “Apascenta as minhas ovelhas!” (Jo 21, 17)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

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