Eu te darei as chaves... (Mt
16,13-19)
Comentando
este Evangelho, o teólogo Hans Urs von Balthasar recorda o simbolismo das
chaves. Começa por explicar que as antigas chaves da cidade eram muito grandes
e pesadas, a ponto de serem carregas no ombro, tal como uma... cruz. Assim, se
as “chaves do Reino” significam plenos poderes para Pedro, também significam
uma pesada responsabilidade.
“Na
Nova Aliança – observa von Balthasar -, é Jesus quem detém a chave de Davi: ‘se
ele abre, ninguém a fechará; se ele fecha, ninguém a poderá abrir’. (Cf. Ap 3,7.)
É a chave principal da vida eterna, à qual pertencem também ‘a chave da Morte e
do Inferno’ (Ap 1,18).”
Neste
Evangelho, Jesus entrega esta chave a Pedro, um homem que Ele escolheu para
representá-lo entre os irmãos. A esse homem – tão frágil e imperfeito como
outro homem qualquer – é concedido o poder de “abrir e fechar”, “ligar e
desligar” (cf. v. 19).
E
a coisa não se resume a isto. Antes de falar nas chaves, Jesus tinha dito a
Pedro: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja” (v. 18). A
Igreja de Jesus, Filho de Deus e Senhor do Universo, está apoiada em um homem.
O Mestre joga com as palavras “Pedro” e “pedra” [kefas, no aramaico,
significa rocha]. O trocadilho permanece no latim [Petrus / petra] e no
português [Pedro / pedra]. E se lembramos que Jesus se apresentara como aquela
“pedra que os construtores rejeitaram” (Mc 12,10; cf. Sl 118,22) e, mais tarde,
viria a ser a pedra de ângulo [isto é, uma pedra tão bem talhada em seus
ângulos e arestas, que serviria de referência para toda a muralha!], mais ainda
nos espantamos com a imagem escolhida por ele para designar a missão de Pedro
no coração da Igreja: aquele que servirá de referência para os demais
apóstolos.
Diz von
Balthasar: “Trata-se precisamente, na fundação do Cristo, sempre de alguém bem
determinado que detém as chaves. Ninguém poderia providenciar uma senha ou uma
chave substituta para abrir e fechar. [...] É a comunidade, uma parte da
Igreja, que é construída sobre o rochedo de Pedro, de quem fazem parte todos os
ministérios sacerdotais”.
Como andam
nossos sentimentos e nossa relação com o Papa?
Orai sem cessar: “Apascenta
as minhas ovelhas!” (Jo 21, 17)
Texto de Antônio Carlos Santini, da
Comunidade Católica Nova Aliança.

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