terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

PALAVRA DE VIDA



E todos vós sois irmãos... (Mt 23,1-12)


            As divisões e hostilidades entre aqueles que dizem seguir o mesmo Mestre constituem um escândalo para o mundo. Se um marciano pousasse no planeta Terra, teria dificuldade em acreditar que somos membros da mesma raça. Um olhar neutro percebe que estamos longe de viver como irmãos... Na Exortação Apostólica “Reconciliação e Penitência” (1984), o Papa João Paulo II recordava os dolorosos fenômenos sociais de nosso tempo:
-         direitos da pessoa humana espezinhados, em especial o direito à vida;
-         insídias e pressões contra a liberdade dos indivíduos e das coletividades;
-         discriminação racial, cultural, religiosa, etc.;
-         violência e terrorismo; tortura e repressão ilegítima;
-         acumulação de armas convencionais e atômicas;
-         distribuição iníqua dos recursos e bens da civilização;
-         progressivo distanciamento entre ricos e pobres.
No entanto, ao mesmo tempo, experimenta-se uma profunda “nostalgia de reconciliação”. “O mesmo olhar indagador – afirmava o Papa – se é suficientemente perspicaz, captará no seio da divisão um desejo inconfundível, da parte dos homens de boa vontade e dos verdadeiros cristãos, de recompor as fraturas, de cicatrizar as lacerações e de instaurar, em todos os níveis, uma unidade essencial. Este desejo comporta, em muitos casos, uma verdadeira nostalgia de reconciliação, mesmo quando não é usada tal palavra.” (RP, 3.)
Desde a segunda metade do Séc. XX, após o desastre e a agonia de duas guerras mundiais, inúmeras vozes se ergueram para clamar pela reconciliação. Belíssimos gestos humanos foram dados nesse sentido, ao estender as mãos sobre muralhas seculares de ódio e antagonismo. Na passagem do milênio, o próprio João Paulo II encabeçou um sentido processo de purificação da memória, ao pedir perdão, em nome de toda a Igreja, por faltas cometidas no passado.
Encontros de lideranças internacionais, visitas do Papa à sinagoga e ao Patriarca ortodoxo, suspensão mútua de excomunhões – tudo sinaliza o mesmo anseio de unidade e paz. A paz se constrói de gestos pequenos, diários. Seu ingrediente essencial é o perdão, que permite reatar a amizade rompida e recomeçar um caminho de fraternidade. Por onde começaríamos nós?
Orai sem cessar: “A paz esteja convosco!” (Jo 20,19)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

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