Viverá
eternamente! (Jo 6,44-51)
A chegada da velhice e a aproximação
da morte costumam despertar para a eternidade mesmo aqueles que viveram
“distraídos” das realidades espirituais. Um poeta modernista brasileiro
escreveu: “Como ficou chato ser moderno! / Eu queria ser eterno!”
Também o povo, em sua
“sabença”, costuma afirmar que “caixão não tem bolso”; com isto, expõe a
inutilidade de acumular bens materiais que não poderemos levar deste mundo, mas
por aqui mesmo ficarão. Oprimido pela sensação de que tudo passa rápido, como
grãos da areia que escorre na ampulheta, o homem tenta eternizar-se através de
suas obras, monumentos, realizações, saber acumulado. Tudo vaidade, diz a
Escritura. (Cf. Ecl 1,2.)
No Evangelho de hoje, Jesus continua
seu “discurso eucarístico”. Confirma ser o “pão que desceu do Céu”, o enviado
do Pai, que atrai para Jesus aqueles que dele se aproximam. É uma forma de
dizer que o próprio Pai previu que o Filho seria alimento de salvação,
enviando-o para ser “carne pela vida do mundo”.
Novamente – notar a insistência de
Jesus, mesmo diante da oposição escandalizada dos judeus! – ele dá uma garantia
formal: “Se alguém comer este pão, viverá eternamente”. S. Tomás de Aquino
comenta a passagem: “O Verbo dá a vida às almas, mas o Verbo feito carne
vivifica os corpos. Neste Sacramento (a Eucaristia) não se contém só o
Verbo com a sua divindade, mas também com a sua humanidade; portanto, não é só
causa da glorificação das almas, mas também dos corpos”. (Com. sobre S.
João.)
A força da Eucaristia como alimento
transparece também na vida de fiéis que passaram longos períodos alimentados
exclusivamente da comunhão eucarística. É o caso da francesa Marthe Robin
(fundadora dos Foyers de Charité), ora em processo de beatificação, que
viveu nada menos de 50 anos sem deglutição, impossibilitada de ingerir qualquer
alimento sólido ou líquido, sustentada apenas pela comunhão semanal das
quartas-feiras.
Marthe testemunha: “Tão logo ela (a
hóstia) é depositada em meus lábios sedentos, o Céu inteiro desce
imediatamente em mim, exalando logo uma felicidade que ultrapassa minha
capacidade de fruí-la”.
Que espaço eu reservo para a
comunhão eucarística em minha vida?
Orai sem
cessar: “Minha alma está sedenta de vós!” (Sl 63,2b.)
Texto de
Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

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