O Vento sopra onde quer... (Jo 3,7b-15)
No meio da noite (por medo? ou em busca
de intimidade?), Nicodemos procura por Jesus. Membro do Sinédrio judaico,
provável doutor da Lei, Nicodemos já percebeu que Deus age por meio das
palavras e gestos do Filho do Carpinteiro (cf. Jo 3,2). Racional, intelectual,
ele tenta “compreender” Jesus e seus feitos.
Uma simples frase do Rabi da Galileia
mostra que não se pode prender, compreender, engaiolar a ação de Deus em nossa
vida: “O Vento (em grego, pneuma designa ao mesmo tempo o Vento e
o Espírito) sopra onde quer”. Deus é absolutamente livre em seus
projetos, iniciativas e atuações.
Usando a imagem do Vento, Jesus de
Nazaré se refere a alguma coisa do mundo material (que a razão pode
compreender), mas exatamente, para a época, a mais impalpável e menos concreta
das coisas materiais: o ar em movimento. Assim como o navegante não “vê” o
vento, mas percebe sua ação nas velas e nos movimentos do barco, assim também
percebemos a ação do Espírito de Deus pelos seus frutos em nossa vida.
Em nossos dias, talvez Jesus utilizasse
outra imagem: a asa-delta que o desportista “veste” e com ela se lança
do rochedo, deixando-se sustentar e guiar pelas correntes de ar quente,
ascendentes, até onde... o vento quiser... Uma imagem que reúne dois aspectos
fundamentais da vida espiritual: o dinamismo do Espírito Santo em nós, mas
também a liberdade humana que decide cooperar com a Graça.
Aprendemos com o “Catecismo da Igreja
Católica”: “A graça de Cristo não entra em concorrência com nossa liberdade
quando esta corresponde ao sentido da verdade e do bem que Deus colocou no
coração do homem. Ao contrário, como a experiência cristã o atesta, sobretudo
na oração, quanto mais dóceis formos aos impulsos da graça, tanto mais crescem
nossa liberdade íntima e nossa segurança nas provações e coações do mundo
externo. Pela obra da graça, o Espírito Santo nos educa à liberdade espiritual,
para fazer de nós livres colaboradores de sua obra na Igreja e no mundo”.
(1742)
Estamos disponíveis para Deus? Atentos a
suas inspirações? Queremos ser guiados pelo Espírito Santo? Ou caímos na ilusão
de submeter Deus aos nossos caprichos?
Orai sem cessar: “A nós descei, divina Luz!”
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova
Aliança.

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