domingo, 12 de maio de 2013

PALAVRA DE VIDA



“Permanecei na cidade!” (Lc 24,46-53)

            No cenário de sua ascensão de volta ao Pai, de Quem viera como o máximo dom à humanidade, Jesus ressuscitado ordena aos discípulos que permaneçam em Jerusalém, à espera da promessa do Pai: o dom do Espírito Santo para dotar a Igreja dos carismas necessários à sua missão de continuar a obra do Filho.
            Compreende-se a necessidade deste imperativo: Jerusalém era a mesma cidade que rejeitara o Messias prometido e o crucificara como um maldito (cf. Gl 3,13), fora de suas muralhas. A inclinação natural do discípulo seria voltar as costas para a cidade e buscar novos ares. Se possível, sacudiriam o pós das sandálias e buscariam outro campo de ação.
            A cidade moderna, áspera e hostil, também nos condiciona para a fuga. Concentração demográfica, favelização crescente, transporte coletivo deficiente onde os homens viram gado, poluição, estresse – tudo faz sonhar com um recanto bucólico, uma casa no campo, “com meus discos e livros, e nada mais”, como no conhecido rock-rural...
            Mas a cidade continua a ser o lugar de encontro com os homens e as mulheres. Ainda é “na cidade” que o Espírito de Deus precisa descer em poderoso Pentecostes, para mudar covardes em apóstolos, semiletrados em poliglotas, roceiros em cidadãos do mundo. É nos grandes aglomerados urbanos que se faz mais urgente a presença viva e fraterna de cristãos cheios do Espírito, dispostos a dar o testemunho de um Reino que se constrói com carne e sangue, sofrimento e oração.
            Natural, a cidade faz sofrer. Mas o cristão não foge da cruz. Como escreveu o Papa Bento XVI, “sofrer com o outro, pelos outros, sofrer por amor da verdade e da justiça; sofrer por causa do amor e para se tornar uma pessoa que ama verdadeiramente: estes são os elementos fundamentais de humanidade, e seu abandono destruiria o próprio homem”. (Spe Salvi, 39.)
            Este é um belo programa de vida: permanecer na cidade dos homens para transformá-la na Cidade Deus. A esperança cristã é capaz desta aposta: transfigurar o concreto e o asfalto em cenários iluminados pelo amor e pela caridade. Nesse dia os muros serão abatidos, as cercas retiradas, e uma alegre ciranda abrirá espaço para os velhos e as crianças.
            Você tem esta esperança?
Orai sem cessar: “Um rio com seus canais alegra a cidade de Deus!” (Sl 46,5)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

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