O discípulo que Jesus amava... (Jo 21,20-25)
Deus tem
preferências afetivas? O Senhor faz acepção de pessoas? Claro que não! Seu amor
por todos aparece em várias passagens da Escritura (cf. Dt 10,17; Jó 34,19; At
10,34 et passim). Em sua passagem pela terra, o amor de Jesus por seus
discípulos cobria todo o leque heterogêneo que vai de Pedro a Judas Iscariotes,
que o traiu.
Como
entender, então, que um dos Doze seja assim identificado no Novo Testamento:
“aquele que Jesus amava”? Bem, é preciso levar em conta que, segundo a
Tradição, João era o mais jovem dos Doze. Sua sensibilidade transparece por
todo o 4º Evangelho. Havia uma intimidade especial entre ele e o Mestre, tanto
que, na Ceia derradeira, vamos encontrá-lo debruçado ao peito de Jesus (Jo 13,23).
E ninguém
pense que se trata de mero idílio romântico. Estamos diante de um amor FIEL!
Enquanto os marmanjos traíram Jesus (como Judas), negaram-no (como Pedro) ou
simplesmente fugiram apavorados da cena do Calvário (como todos os demais), o
jovem João estava ao lado de Maria, aos pés da Cruz. Não admira que tenha sido
exatamente João o premiado com a “herança” amorosa de Jesus: sua Mãe! E, como
registra o Evangelho, “daquela hora em diante, o discípulo a levou entre as
coisas de sua propriedade”... (Jo 19,25-27)
Sim, Deus
não faz acepção de pessoas. Deus ama a todos. Mas o Senhor sabe muito bem de
que forma e em que grau nós correspondemos ao seu amor. Se Francisco percorria
as ruas de Assis a clamar: “O Amor não é amado!”, o Apóstolo João encarna a
Igreja fiel que segue os passos de seu Mestre até o fim, sem dar as costas à
cruz.
O Amor é
ágil, antecipa-se à Lei. Supera a letra fria de suas exigências. Por isso
mesmo, na manhã da Ressurreição, João corre mais que Pedro e é o primeiro a
chegar ao túmulo vazio. E ainda que esperasse respeitosamente e desse a Pedro a
primazia para entrar na caverna, é ele – João – quem vê e crê (cf. Jo 20,8).
Como se lê em nota da Bíblia TEB – Tradução Ecumênica da Bíblia, “João penetra
mais profundamente nas intenções de Jesus”, oferecendo-nos um modelo acabado do
fiel que adere à missão de Cristo.
Eu também
sou um discípulo amado?
Orai sem cessar: “Eu sou para o meu Amado, e meu Amado é para mim!” (Ct 6,7)
Texto de
Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

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