O
Filho do homem vai ser entregue... (Mc 9,30-37)
Jesus
nunca se declara diretamente como Filho de Deus, ainda que se dirija a
Deus como seu Pai e assim o apresente aos discípulos. Jesus vive como
Filho de Deus. Mas sente um prazer especial em se apresentar como o Filho do
homem. Nascido de Mulher, o Filho eterno do Pai é homem verdadeiro e
parece bem à vontade com sua natureza humana.
E
para que Ele se fez carne? Com que fim assumiu a nossa humanidade? A pergunta
permite várias respostas. O Verbo se faz carne para falar aos homens com uma
voz humana, audível, por meio de um idioma igualmente humano, sem que fosse
necessário decifrar misteriosos arcanos. O Verbo se fez carne para estar
conosco, para ser o Emanuel (cf. Is 7,14). O Verbo se fez carne para que nada
de nossa experiência (exceto o pecado) lhe fosse estranho.
Mas,
acima de tudo, Ele nasceu... para morrer! Se Jesus tivesse feito tudo o que fez
– pregação, ensino, jejum, milagres – e não tivesse morrido na cruz do
Calvário, “ainda estaríamos em nossos pecados” (cf. 1Cor, 15,17). O ponto
central de sua missão aqui na terra foi o sacrifício de sua vida, pagando com o
preço de seu sangue o perdão de nossos pecados.
Ora,
é exatamente este anúncio que, pela segunda vez, Jesus realiza no Evangelho de
hoje, incluindo sua morte e sua ressurreição. Registra o Evangelista que “eles
não compreendiam estas palavras”. Ignorância? Falta de repertório para a
novidade? Talvez, não. Todos nós temos uma capacidade, algo de nosso
inconsciente, de estender um véu sobre as realidades que não queremos olhar de
frente. Por ocasião do primeiro anúncio da Paixão, Pedro chegou a dar um puxão
de orelhas em Jesus, arrazoando, com certeza, que era péssima jogada de marketing
para quem buscava seguidores...
Nós
também somos assim. Estamos sempre prontos a tomar parte em grandes eventos e
realizações em nome do Senhor. Já não mostramos o mesmo entusiasmo quando se
trata de sofrer por Ele, abraçando a cruz das tarefas apagadas, das
contradições, da obediência a normas que o mundo chama de quadradas,
ultrapassadas, conservadoras.
Não
admira que, chegada a “hora” de Jesus, apenas João permanecesse junto à cruz...
E nós, onde estamos? Acampados no alto do Tabor? Ou de vigília nas rochas do
Calvário?
Orai sem cessar: “Quando Jesus passar, eu quero estar
no meu lugar!”
(Pe.
Zezinho)
Texto de Antônio Carlos Santini, da
Comunidade Católica Nova Aliança.

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