Como
uma criancinha...
(Mc 10,13-16)
Enquanto
abraçava uns pequenos que faziam estripulias e incomodavam os discípulos
rabugentos, Jesus deu-nos o mapa do céu: “Quem não receber o Reino de Deus como
uma criancinha, não entrará nele”.
E
em que consiste esta atitude? Já gastaram muita tinta para explicar, falando de
humildade, coração puro, etc. Ora, eu acredito que não se trata bem disto.
Creio que é tudo bem mais simples. A atitude da criancinha pequena (podem
perguntar à pequena Teresa do Menino Jesus!) consiste em ver a Deus como um
Papai querido. Chamá-lo de Abbá, como Jesus fazia, e confiar cegamente
no amor do Pai, certo de que nada nos faltará. Quando for necessário, Ele mesmo
tomará a iniciativa e nos tomará em seus braços.
Os
homens sérios, que gostam de ficar passando a mão na barba e olhando para o
chão, têm muita dificuldade em ver as coisas deste modo. Acham que o caminho do
céu é uma áspera escalada e só se “merece” o colo de Deus depois de muito
sacrifício, intermináveis rosários rezados de joelhos, sobre grãos de milho,
romarias penosas e rubras sessões de auto-flagelação. Que pena!
Vou
tentar convencer a você, que me lê, oferecendo-lhe um dos meus sonetos,
intitulado “Aos Filhos”:
Fitai
os lírios na amplidão celeste,
A
garça branca que nos ares vai...
Nem
uma pena da plumagem cai
Sem
permissão de Deus, que assim as veste...
Vede os lírios do campo: quem reveste
Seu ouro de lavor? Considerai
Que, lá no céu, tendes um Deus que é
Pai,
E faz chover amor no solo agreste...
Por
que trazeis vossas feições tão graves?
Não
valeis, porventura, mais que as aves?
Mais
que os lírios do campo não valeis?
Desventura é viver sentindo o travo,
O gosto amargo de um viver escravo,
Sem saber que sois filhos... que sois
reis...
Orai sem cessar: “Provai e vede como o Senhor é bom!” (Sl 34,9)
Texto e poema de Antônio Carlos
Santini, da Com. Católica Nova Aliança.

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