Para onde vais?” (Jo 16,5-11)
Esta é a
pergunta que os discípulos NÃO fizeram a Jesus. Afundados na tristeza da
notícia da partida do Mestre, paralisados pela iminência da separação, eles emudeceram
e não perguntam nada...
Eis o grave
perigo: quando deixamos de perguntar, como receberemos a resposta? Isto
explica, talvez, que tantos cristãos se afastem da Palavra de Deus. É que a
leitura habitual da Bíblia nos leva a questionar, a fazer perguntas. E, como
nos diz Jesus, a quem bater, a porta será aberta (cf. Mt 7,7). Mas existe uma
disposição interior (obviamente má!) que nos adverte do “risco” que corremos
quando fazemos perguntas a Deus. Não se faz isto impunemente...
Quem leu a
obra monumental do romancista polonês Henryk
Sienkiewicz [1846-1916] sabe que a
mesma pergunta acabou saindo da boca de Simão Pedro. Já em Roma, desanimado
diante das dificuldades e da perseguição de Nero, o primeiro Papa se dispunha a
deixar a cidade. Segundo antiga tradição, anotada em livros não canônicos,
Pedro vê que Jesus, na mesma estrada, vem trazendo a cruz aos ombros para
entrar em Roma.
É
quando Pedro, surpreso pela presença de Cristo, pergunta: “Quo vadis, Domine?” [Para onde vais, Senhor?] E Jesus responde que
caminha para ser novamente crucificado, desta vez na capital do Império. A
visão foi suficiente para que o apóstolo voltasse a Roma e morresse na cruz
como seu Mestre.
Este
é um tempo difícil para a Igreja. Na verdade, cada época tem suas dificuldades
próprias. Jesus teve a oposição dos saduceus. Paulo enfrentou a espada romana.
Os mártires de Nagasaki foram mortos pelo Shogun de Kogukawa. Maximiliano Kolbe
foi vítima do nazismo. Entretanto, vejo os “tempos modernos” como ainda mais
arriscados, pois a perseguição frontal é ardilosamente substituída pela
cooptação, o aliciamento, a propaganda, a sedução do dinheiro, do sexo e do
poder – exatamente os antípodas da pobreza, da castidade e da obediência, os
três “conselhos evangélicos”.
Hoje,
os adversários da Igreja se disfarçam de fornecedores, traficando um
anti-Evangelho embalado em celofane. Venenosos bombons. Esse veneno se infiltra
profundamente nas universidades, nas academias, nas maçonarias, nas
multinacionais. Ali, tudo é permitido, menos a cruz de Cristo.
Por tudo
isso, é hora de fazer perguntas. Perguntar a Jesus: “aonde vais?” Perguntar a nós
mesmos: “para onde vamos?” Tenho a convicção de que não ficaremos sem
respostas...
Orai sem cessar: “O Senhor protege o caminho dos
justos!” (Sl 1,6)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova
Aliança.

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