Depois que a criança nasceu... (Jo 16,20-23a)
Estamos mergulhados no tempo. Nós
somos atores em plena História. Por isso mesmo, uma perspectiva histórica é
indispensável para bem avaliar nossa existência.
As crianças – imaturas que são –
ainda não possuem esta perspectiva. Se elas querem uma bala, agora, mesmo que
faltem dez minutos para o almoço, é “agora” que elas querem a bala. Em vão os
pais se esforçam por levar o pequeno a resignar-se a um tempo de espera, antes
que o momento do doce seja mais conveniente.
Bem, há imaturos também entre os
adultos... Muitos marmanjos consideram apenas as injunções do instante para
tomarem suas decisões, ainda que um segundo de ira ou dois minutos de prazer
venham a comprometer todo o seu futuro.
No Evangelho de hoje, Jesus faz o
contraponto entre o momento presente, de pranto e lamento, e o futuro de
alegria. Para tanto, ele se vale da imagem da parturiente: na hora do parto,
todo o seu corpo se revolve na dor e na angústia; pouco depois, tendo já nos
braços o recém-nascido, a alegria presente praticamente apaga a dor e a
ansiedade do passado. A vida nova justifica tudo o que passou...
A vida nova! É este o alvo do
seguidor de Cristo! No momento atual, imerso no tempo tecido de encontros e
desencontros, de promessas e traições, de suores e lágrimas, o cristão sofre.
Esta é a nossa condição. Mas estamos em trabalhos de parto. Nós e o Cosmo!
O apóstolo Paulo se refere a esta realidade: “Sabemos que
toda a criação, até o presente, está gemendo como que em dores de parto, e não
somente ela, mas também nós, que temos as primícias do Espírito, gememos em
nosso íntimo, esperando a condição filial, a redenção de nosso corpo. Pois é na
esperança que fomos salvos”. (Rm 8,22)
Diferente do pagão, para quem nada
existe após a morte, o cristão sabe que as realidades deste século (imagem do
tempo!) são provisórias, parciais, mesmo que nos forneçam o material para a
construção do novo Reino. Esta percepção do efêmero, da transitoriedade deste
mundo, permite ao cristão estender os olhos além da morte e esperar – contra
toda esperança – pela alegria definitiva. “E ninguém poderá tirar a vossa
alegria.” (Jo 16,22b)
Orai sem
cessar: “Se de
tarde vem o pranto, de manhã vem a alegria!” (Sl 30,6)
Texto de
Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.
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