Foi elevado ao céu... (Mc 16,15-20)
Os técnicos se gabam de terem
inventado modernos batiscafos que lhes permitem vasculhar as profundezas do
oceano. As grandes empresas se orgulham pela capacidade de perfurar poços de
petróleo submarinos abaixo da camada de sal. Enquanto isso, Jesus sobe na
direção oposta...
Não é curioso? O céu – que devia ser
nosso alvo permanente – acaba visto como sinal de fuga e alienação, como se
fôssemos vermes a rastejar sobre o solo e nada mais alto devesse atrair nossos
olhares!
Sim, Jesus se encarnou, passou pelo
planeta, palmilhou nossos caminhos, comeu nosso pão e bem aqui – na terra dos
homens – curou e consolou, ensinou e morreu. Mas não fica enterrado! Volta ao
Pai (“céu” não é a atmosfera, é o seio do Pai!), nosso porto de chegada.
No Domingo da Ascensão, vale reler
as palavras de Epifânio de Salamina [ca. 315-403 d.C.], em sua Homilia nº 4:
“A maior das festas, aquela diante
da qual todo discurso é simples gagueira, é a Ascensão, torrente de delícias e
cúmulo da alegria. Hoje, o Cristo abre a porta dos céus cintilantes de luz.
Estendendo sob si o ar tão fino, a modo de escadaria, ele transporta o homem da
terra para o céu!
Vinde, pois, contemplar este
cocheiro que atravessa os céus dos céus. Ninguém, nem mesmo Elias, havia subido
aos céus, mas somente aquele que o diz claramente: ‘Ninguém sobe ao céu, se não
é o Filho do Homem que está no céu’ (Jo 3,13).
Este bom pastor tinha deixado sobre
as montanhas as 99 ovelhas, isto é, os anjos, para vir buscar a ovelha perdida.
Ele a encontrou e a reconduz hoje sobre seus ombros; ele a oferece como
presente ao Pai, dizendo: ‘Pai, eu achei a ovelha perdida, aquela que a
serpente induzira ao erro. Nos caminhos de sua errância, eu a vi suja da lama
do pecado; tomei-a pela mão de minha divindade; eu a reergui depressa, impelido
pelo amor de meu coração; lavei-a no Jordão, perfumada da unção de meu
Espírito. Agora, ressuscitado, eis-me aqui: eu ofereço a tua divindade este dom
que não é indigno de ti, a ovelha à imagem do Verbo!”
Na linguagem alegórica tão ao gosto
dos Padres da Igreja primitiva, o autor sagrado nos recorda o sentido da
História da Salvação e reabre nossos olhos para o alvo definitivo. Ainda
queremos o céu?
Orai sem
cessar: “A quem
tenho eu no céu senão a Ti?” (Sl
73,25)
Texto de
Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.
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