domingo, 17 de maio de 2015

PALAVRA DE VIDA

 Foi elevado ao céu... (Mc 16,15-20)

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            Os técnicos se gabam de terem inventado modernos batiscafos que lhes permitem vasculhar as profundezas do oceano. As grandes empresas se orgulham pela capacidade de perfurar poços de petróleo submarinos abaixo da camada de sal. Enquanto isso, Jesus sobe na direção oposta...

            Não é curioso? O céu – que devia ser nosso alvo permanente – acaba visto como sinal de fuga e alienação, como se fôssemos vermes a rastejar sobre o solo e nada mais alto devesse atrair nossos olhares!
            Sim, Jesus se encarnou, passou pelo planeta, palmilhou nossos caminhos, comeu nosso pão e bem aqui – na terra dos homens – curou e consolou, ensinou e morreu. Mas não fica enterrado! Volta ao Pai (“céu” não é a atmosfera, é o seio do Pai!), nosso porto de chegada.
            No Domingo da Ascensão, vale reler as palavras de Epifânio de Salamina [ca. 315-403 d.C.], em sua Homilia nº 4:
            “A maior das festas, aquela diante da qual todo discurso é simples gagueira, é a Ascensão, torrente de delícias e cúmulo da alegria. Hoje, o Cristo abre a porta dos céus cintilantes de luz. Estendendo sob si o ar tão fino, a modo de escadaria, ele transporta o homem da terra para o céu!
            Vinde, pois, contemplar este cocheiro que atravessa os céus dos céus. Ninguém, nem mesmo Elias, havia subido aos céus, mas somente aquele que o diz claramente: ‘Ninguém sobe ao céu, se não é o Filho do Homem que está no céu’ (Jo 3,13).
            Este bom pastor tinha deixado sobre as montanhas as 99 ovelhas, isto é, os anjos, para vir buscar a ovelha perdida. Ele a encontrou e a reconduz hoje sobre seus ombros; ele a oferece como presente ao Pai, dizendo: ‘Pai, eu achei a ovelha perdida, aquela que a serpente induzira ao erro. Nos caminhos de sua errância, eu a vi suja da lama do pecado; tomei-a pela mão de minha divindade; eu a reergui depressa, impelido pelo amor de meu coração; lavei-a no Jordão, perfumada da unção de meu Espírito. Agora, ressuscitado, eis-me aqui: eu ofereço a tua divindade este dom que não é indigno de ti, a ovelha à imagem do Verbo!”
            Na linguagem alegórica tão ao gosto dos Padres da Igreja primitiva, o autor sagrado nos recorda o sentido da História da Salvação e reabre nossos olhos para o alvo definitivo. Ainda queremos o céu?
Orai sem cessar: “A quem tenho eu no céu senão a Ti?” (Sl 73,25)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

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