Deixai
vir a mim as criancinhas! (Mt 19,13-15)
Este é um
dos imperativos de Jesus a seus discípulos. Entre outras qualidades, ressalta a
“modernidade de Jesus”, seu caráter inovador para a época. Com certeza, seus
discípulos devem ter ficado surpresos com a atitude do Mestre. Sim, em outros
tempos, a criança ainda não fora reconhecida como “pessoa”. Era, no máximo, um
“homúnculo” – um futuro homem, um projeto de pessoa. Em certas civilizações,
após o nascimento de um bebê, cabia ao pai decidir se a criança deveria viver,
ou não.
Foi
apenas no papado de S. Pio X [1903-1914] que as crianças tiveram autorização
para participar da comunhão eucarística. Mesmo nos anos 50, no Brasil, o mundo
dos adultos era praticamente inacessível à criança. “Criança não dá palpite!
Isto não é assunto de criança” – verberavam os adultos. Por isso mesmo, é
admirável que Jesus proteja os pequeninos da irritabilidade dos adultos. Mas
não se trata de simples afetividade ou simpatia: Jesus vê realmente a criança
como pessoa. Também a elas se dirige o Evangelho. Também elas têm direito à
evangelização.
Jesus
certamente não endossaria certas afirmações tão corriqueiras entre nós:
“criança dá trabalho / criança é um problema / adolescentes são aborrecentes / Deus me livre de mais um
filho!...” Filho muito amado por Maria e José de Nazaré, Jesus sabia do
inestimável valor de um lar simples, mas cheio de amor... O ambiente humilde e
amoroso de sua família permitira que ele crescesse em estatura, sabedoria e
graça (cf. Lc 2, 52). Em suma, Jesus sabia que a criança tem valor.
Hoje,
para nós, que significa “deixar que as crianças vão a Jesus”? Sem dúvida,
significa considerar como prioridade da família e da Igreja o batismo das
crianças, sua catequese e iniciação para a vida sacramental. Significa também
que o aborto é crime inominável, pois impede que venham à vida novos adoradores
do Pai. Significa que pais e professores carregam sobre os ombros uma séria
responsabilidade diante de Deus. Significa ainda que governantes são
instrumentos de Deus junto à infância. Sua omissão certamente terá um preço...
Mais uma vez, nosso olhar deve
voltar-se para o admirável exemplo dos santos. Eles jamais fecharam os olhos
para os pequeninos. Lembremos os santos que fundaram escolas e institutos
destinados a educar as crianças, como José de Calasanz, Paula Montal, Joana de
Lestonnac, Dom Bosco, Dom Orione e tantos outros. Mesmo em sociedades ásperas e
indiferentes, o seu diligente amor pela criança irradiava o mesmo amor de
Cristo pelos pequenos.
As
crianças estão bem perto de nós? Vamos levá-las até Jesus?
Orai sem cessar: “Virei
em socorro de minhas ovelhas!” (Ez 34,22)
Texto de Antônio Carlos Santini, da
Comunidade Católica Nova Aliança.

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