A quem iremos nós, Senhor? (Jo 6,60-69)
O anúncio da
Santíssima Eucaristia – o sacramento em que nos alimentamos do Corpo e Sangue
de Cristo, sob as espécies do pão e do vinho – causou espanto e escândalo entre
os ouvintes, inclusive não poucos discípulos que até então o seguiam. A partir
daí, muitos o abandonaram.
Jesus não
tem outro compromisso, a não ser com a Verdade. Não tem medo de ver o rebanho
reduzido diante das exigências de um ato de fé. Daí sua pergunta aos
remanescentes: “Também vós quereis partir?” Por um lado, trata-se de um repto à
fé dos apóstolos. Por outro lado, um gesto divino, que sempre deixa livre
aquele que ouve seu chamado. É como se dissesse: “Ninguém se sinta forçado a me
seguir...”
É quando
Simão Pedro, o velho pescador, se adianta e, com uma simplicidade quase infantil,
responde: “E a quem iremos nós? Só tu tens palavras de vida eterna!” Depois de
algum tempo de convivência, depois de presenciar os gestos do Mestre, o coração
e a mente de Pedro, sob a luz do Espírito Santo, já tinham discernido o
“mistério” oculto sob a pele do Filho do carpinteiro de Nazaré. Tal
discernimento eliminava, por consequência, qualquer outra escolha, qualquer
outro caminho.
No que nos diz
respeito, não há como fugir do mesmo desafio: afinal, já percebemos que Jesus é
O CAMINHO, o que exclui qualquer outro atalho? Já concluímos que sua Palavra é
uma estrada divina que dá sentido à nossa vida e nos projeta nos braços do Pai?
Ou ainda hesitamos, fazendo comparações tateantes entre Cristo e outras
“possibilidades” que o mundo nos oferece?
Sem dúvida,
o roteiro que Jesus nos propõe em seu Evangelho é por demais exigente. Não
oferece facilidades, como a agradável hipótese de uma reencarnação, equivalente
a uma prova de recuperação para alunos reprovados. Não aceita remendos e
meias-solas, como a atitude adulterina de servir a dois senhores. Não dá espaço
sequer para a vingança contra os que nos ferem. É perdoar ou largar...
Quanto à
Eucaristia, ainda é pedra de tropeço para muitos. Impressiona a quantidade de
cristãos (e de ministros ordenados!) que evitam, de todo modo, afirmar a “presença
real” de Cristo nas espécies consagradas. Tenho notícia até mesmo de sacerdotes
que já não realizam a consagração quando presidem à Santa Missa. Fugindo ao
termo “transubstanciação” – típico da doutrina clássica da Igreja -, preferem
propor novos termos e expressões para justificar sua dificuldade na fé.
Como se
houvesse outro caminho... E Jesus nos obrigasse a segui-lo...
Orai sem cessar: “Ensinai-me, Senhor, vosso caminho!” (Sl 27 [26],11)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova
Aliança.
Nenhum comentário:
Postar um comentário