Quem não é contra nós, é por nós...
(Mc 9,38-43.45.47-48)
Já
sabemos que o Espírito sopra onde quer. (Jo 3, 8.) O Concílio Vaticano II
reconheceu a existência de “sementes da Palavra” (cf. Ad Gentes, 11) em
todos os povos e sociedades. Por isso mesmo, ninguém deve espantar-se de que
Deus venha a agir por meio de pessoas de boa vontade que não pertencem à nossa
Igreja, não professam a nossa fé e nem mesmo tenham sido batizadas.
A
tentação recorrente que ronda nossa participação na Igreja é a de assumir uma
atitude “exclusivista”, apresentando nosso modo de ser como o “único caminho” e
condenando à exclusão (ou ao inferno!?) todos os diferentes que não têm a
carteirinha de nosso clube. Trata-se de uma atitude tipicamente sectária, que
não admite nenhum bem fora de seu próprio quintal...
Este
lamentável partidarismo pode ser agravado a ponto de sentirmos ciúmes quando
Deus age através de outros grupos, movimentos ou pessoas. Em lugar de nos
alegrarmos com o bem realizado, assumimos atitudes de crítica, apontamos falhas
e defeitos, zombamos acidamente daquilo que não temos possibilidade (ou
coragem) de imitar!
Um
caso concreto, hoje, diz respeito aos movimentos e comunidades novas, onde o
dedo de Deus se faz visível quando eles assumem diaconias, cuidam dos moradores
de rua, alimentam os pobres, acolhem menores abandonados, reavivam a adoração
ao Santíssimo Sacramento, pregam um Evangelho exigente. Se nosso grupo,
paróquia ou Instituto está morno, será ainda maior o risco de apontar o dedo
acusador contra estes irmãos que se esforçam por dar uma resposta a Deus que
chama a amar...
Jesus
não poderia ser mais claro: “Quem não é contra nós, é por nós”. Se temos
sensibilidade eclesial, perceberemos que a Igreja se enriquece com a
diversidade dos carismas, por mais estranhos que eles tenham sido na História,
como os estilitas (que passavam a vida sobre uma coluna), os eremitas do
deserto (como Charles de Foucauld em pleno Séc. XX) ou os “loucos de Deus”,
andarilhos que palmilhavam continuamente as estradas da estepe russa. Os
contemplativos, no silêncio, rezarão pelos missionários das aldeias indígenas.
Os agentes que fazem a animação das associações de bairro darão graças a Deus
pelo louvor barulhento de seus irmãos carismáticos. E o Reino de Deus crescerá
no meio de nós...
Somo
ou divido? Reconheço o dedo de Deus no meio dos meus irmãos diferentes de mim?
Ou cedo à crítica, à calúnia e à maledicência?
Orai sem cessar: “Oh!
Como é bom e agradável irmãos unidos viverem juntos!” (Sl 133,1)
Texto de Antônio Carlos Santini,
da Comunidade Católica Nova Aliança.

Nenhum comentário:
Postar um comentário