Quem era o maior? (Mc
9,30-37)
Em
casa, após longa caminhada, Jesus pergunta aos discípulos o motivo da discussão
que ouvira entre eles. Barbas de molho, eles se calam, pois sabiam da sua
infantilidade ao discutirem sobre a própria importância.
Parece
que as pessoas continuam as mesmas, preocupadas com a própria imagem, ansiosas
por conseguirem atenção, glória e aplausos. Mesmo no espaço das comunidades
religiosas, fala-se na importância de projetar uma imagem positiva, uma espécie
de “merchandising” espiritual para atrair novos fiéis.
É
óbvio que o Evangelho se situa no polo oposto, aquele obscuro extremo ocupado
por Francisco de Assis e sua pobreza, Teresa de Lisieux e seu apagamento, Oscar
Romero e seu sangue derramado. Andrajos, silêncio e martírio: eis a imagem que
cabe aos santos... Este é o seu “curriculum vitae”...
A
criança que Jesus abraça neste Evangelho é símbolo da pequenez que devemos
buscar. A procura de grandezas abre as portas à ruína espiritual. Nas palavras
de Isaac, o Sírio [Séc. IX], “o humilde sempre recebe a compaixão de Deus”. E
mais: “Desce mais baixo que tu mesmo e verás a glória de Deus em ti, pois ali
onde germina a humildade, ali mesmo se espalha a glória de Deus. Se tens a
humildade em teu coração, Deus te revelará sua glória. Despreza-te em tua
grandeza e não te engrandeças em tua pequenez. Não busques ser honrado, pois
estás cheio de feridas. Repele a honra e serás honrado. A honra foge daquele
que corre atrás dela. Mas a honra persegue quem a afugenta, e prega a todos os
homens a sua humildade”.
Quanto
esforço, quanto desgaste em nossas vidas quando pagamos tributo à aparência e à
imagem! Desde a dona de casa que impele o marido a comprar novas cortinas, já
que a vizinha também comprou, até o adolescente que pede aos pais um tênis da
moda, dez vezes mais caro que um calçado “normal”. As empresas da área de
cosméticos veem seu faturamento subir às nuvens, pois a propaganda convence os
usuários do imperativo de sua aparência, mesmo que o melhor creme - e o mais
caro! - seja aquele produzido a partir da placenta humana, em abortos
programados.
Quem
era o maior? Qual a paróquia mais procurada? Qual o templo mais monumental?
Qual o CD mais vendido? Qual o pregador mais aplaudido? Certamente não deve ser
Jesus Cristo, que assumiu a forma de escravo... humilhou-se até a morte – e
morte de cruz (cf. Fl 2,7-8). Com certeza, Jesus nunca foi o maior...
Orai sem cessar: “O
Senhor ampara os humildes!” (Sl
147,6)
Texto de Antônio Carlos Santini,
da Comunidade Católica Nova Aliança.

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