16/10/2015 – À luz do dia... (Lc 12,1-7)
Sim, entre
outros atributos (pregador, mestre, terapeuta, consolador...) Jesus também era
profeta. Este Evangelho parece o atual noticiário da TV, com os notáveis
contrastes empregados por Jesus: oculto x revelado... escuridão x luz do dia...
pé do ouvido x sobre os telhados...
Exatamente
sobre os telhados está a floresta de antenas que transmitem e recebem, todos os
dias, as notícias sobre as fraudes e sua revelação, a corrupção e a delação
premiada, a propina por baixo da mesa e o retrato do empresário atrás das
grades.
E o
princípio eterno do Mestre de Nazaré: “não há nada oculto que não venha a ser
revelado”. Nos anos 50, nas aulas de religião, aprendíamos o solene estatuto:
“Deus me vê”. E a mensagem era reforçada pela imagem de um triângulo com o
grande olho incluso: era o “olho de Deus”.
Pensando
bem, fazia efeito. A criança sabia que era inútil qualquer tentativa de ocultar
algum mal feito: mesmo que pais e mestres não o vissem, Deus estava vendo.
Será que
temos aqui uma explicação para o mar de lama que escorre das empresas para os
parlamentos? Terá sido a tentativa de criar um mundo sem Deus (e sem seus olhos
onipresentes...) o novo caldo de cultura para a corrupção generalizada?
Talvez, pois
quando um general (aconteceu no governo militar!) desvia o trigo integral da
merenda escolar para revendê-lo, deixando as crianças com fome, não vejo outra
explicação para essa conduta a não ser a total impiedade de um indivíduo sem
Deus.
Nós cremos
em um Juízo Final. O grande Dia do Senhor. O “Catecismo da Igreja Católica”
[678] assim nos ensina: “Na linha dos profetas e de João Batista, Jesus
anunciou em sua pregação o Juízo do Último Dia. Então, será revelada a conduta
de cada um e o segredo dos corações. Será também condenada a incredulidade
culpada que fez pouco caso da graça oferecida por Deus”.
Curiosamente,
parece que a Polícia Federal e o Ministério Público andam antecipando as coisas
e muitos delinquentes já não esperam pela Segunda Vinda para terem revelada a
sua iniquidade. Tanto melhor!
Tudo isso
deveria nos ensinar a pisar em brasas...
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