21/10/2015
– Meu senhor está demorando... (Lc 12,39-48)
Só que o Patrão vai voltar, garante
Jesus, e o mau gestor experimentará a exclusão (novo nome para o inferno!) e “a
sorte dos infiéis”. Esta é a fé da Igreja desde seus primeiros dias.
Que é um “infiel”? Este adjetivo se
refere evidentemente às noções de fé, fidelidade, confiança (na raiz de tudo, o
termo latino “fides”). O infiel é
alguém que se recusa a fiar, a confiar, a apostar na promessa de seu Senhor. No
fundo, ele alimenta uma dúvida permanente: “Será? Será mesmo? E se não for
verdade?...”
Chegamos até o refinamento de adotar
a conhecida “dúvida metódica”: em princípio nada é verdade, nada merece fé.
Duvidar é próprio do sábio. Ora, esta atitude cética, embora pareça
inteligente, acaba por fechar o coração à esperança. Não posso concordar com
Machado de Assis, que chamou a esperança de “divina mentira, dando ao homem o
dom de suportar o mundo”. Nosso Deus, que se apresenta como o Deus da Verdade,
jamais seria capaz de mentir a seu povo.
Após des-confiar de Deus, a pessoa
humana já não confiará nos pais e nos mestres. Dificilmente refreará seus
impulsos de destruição ou de fruição imediata, à espera de um bem futuro que
deveria ser alimentado pela confiança.
Claro, o inimigo do homem sabe
trabalhar neste espaço da dúvida, um chiaroscuro
do cérebro humano, e semear sempre novas sementes de desconfiança. Ele já o
fizera no Gênesis, ao sugerir ao primeiro casal que o Criador teria intenções
ocultas que estavam por trás da única proibição: a da árvore da ciência do bem
e do mal.
Não admira que a bandeira no
niilismo se agite sobre os parlamentos, as academias e mesmo sobre os templos,
pois não há nada a esperar – dizem seus corifeus.
Voz cada vez mais isolada, o
salmista fiel ainda repete: “Espero no Senhor, minha alma espera na sua
palavra”. (Sl 130,5)
Orai sem
cessar: “És tu, Senhor, a minha esperança!” (Sl 71,5)
Texto de
Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.
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