26/10/2015
– Incapaz de olhar para cima... (Lc
13,10-17)
Seu ato de compaixão gera de
imediato a crítica e a reprovação do chefe da sinagoga. Prontamente, Jesus
lembra aos presentes que um boi ou um burro caído na vala – mesmo em dia de
sábado! – seria logo retirado do buraco. Natural, ouvindo Jesus, o povo se
divertia com a “saia justa” de suas lideranças religiosas...
Vejam bem: o boi não pode esperar; o
jumento não pode esperar; a mulher podia esperar... É assim que Jesus de Nazaré
desmascara os preceitos e preconceitos dominantes na sociedade humana. É que deixar
na vala um animal até o dia seguinte poderia causar prejuízos materiais. Já
essa infeliz aleijada, tanto faz...
Mas eu vejo um traço de união entre
as três personagens deste Evangelho: o boi só olha para baixo; o burro só olha
para baixo; a entrevada não podia olhar pra cima. Ao curar a mulher, Jesus
permite que ela volte a olhar para o céu.
Não é este o grande problema de
nosso tempo? A multidão não olha mais para cima. Nada se espera do céu (e “céu”
é a palavra que usamos para não gastar o nome santo de Deus). Nossas
expectativas estão ao nível do chão. Estamos todos olhando “para baixo”: a cotação
do dólar, o preço do tomate, o aumento do salário, a rentabilidade da poupança,
o aumento das vendas, os índices de audiência, o número de dizimistas...
Olhar para o céu significa “esperar
de Deus”. Esperar da Graça. Esperar daquele que faz chover sobre justos e
injustos (cf. Mt 5,45),
independentemente de seus méritos. Esperar como o povo simples que repete a
frase de Abraão: “Deus proverá”. (Gn 22,8)
Contemplo a multidão que desce as
escadas, ao final da missa de domingo. Estarão felizes? Voltam para casa cheios
de esperança? Ouviram mais uma vez que podem olhar para o céu e terão suas
necessidades atendidas por um Deus que é Pai?
Orai sem
cessar: “Para ti, Senhor, levanto os olhos!” (Sl 123,1)
Texto de
Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.
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