Então se verá o Filho do homem... (Mc 13,24-32)
Um dos artigos de
nossa profissão de fé, conhecida como “Símbolo dos Apóstolos”, assevera que
Jesus Cristo, já ressuscitado, subiu aos céus, “de onde há vir para julgar os
vivos e os mortos”. É a Segunda Vinda de Jesus.
Os Evangelhos trazem
detalhes sobre esta Vinda, como último passo da glorificação do Filho de Deus
(cf. Mt 24,29-31; Mc 13,24-26; Lc 21,25-28). Muitas pinturas e gravuras sacras
se inspiraram nestas passagens. O Bispo Nersès Snorhali [1102-11173], da Igreja
Armênia, dá largas à imaginação (o que também é uma forma de rezar), dizendo:
“As montanhas estão no
espanto e trovejam retorcendo-se com violência. Os rochedos, duros por
natureza, se fundem e todas as matérias esbraseiam. Nesse momento, as vozes se
elevam, a trombeta de Gabriel ressoa subitamente no meio da noite, em hora
inesperada. A luz do sol se extingue e a luz da lua obscurece. As estrelas caem
do firmamento e os exércitos dos céus se abalam. Os serafins se velam com suas
asas e inclinam sua face. Os querubins se formam em um trono para te receber, ó
Rei.”
É curioso como tanta gente,
sejam crentes ou não, reagem com medo e apreensão diante desse dia anunciado
como o grande Dia do Senhor. Ora, o fiel deveria repetir diariamente com a
Igreja: “Maran athá! Vem Senhor Jesus!” Na liturgia eucarística, rezamos
“enquanto esperamos vossa Vinda gloriosa”.
O equívoco está em
resumir a Segunda Vinda a um acerto de contas, quando um Deus irritado por
séculos de pecado entra em cena como o mocinho dos antigos filmes de
bangue-bangue, para provar que o crime não compensa. Ora, o que está em jogo
não é a condenação do ímpio, mas a glória do Cordeiro Imolado... Uma rápida
leitura do Apocalipse comprovaria esta verdade.
Nersès Snorhali
prossegue em sua visão: “Cada um dos Justos recebe de ti segundo o que ele
realizou, cada um segundo sua capacidade, o bem que ele pôde fazer
pessoalmente. Ele o oferece a ti como uma flor de suave e celeste odor. Um, a
oração de um coração puro e as lágrimas que correm sem cessar. Outro, o amor
divino e o amor por seus irmãos. Um, a vigília da noite e o levantar-se antes
da aurora. Um outro, o santo jejum: o dos alimentos e o da língua. Um, os dons
generosos ao pobre, que tu recebes de sua mão. Outro, o copo de água fresca
que, segundo tua palavra, não fica perdido...”
O Senhor vem. Logo
virá...
Orai sem
cessar: “A glória do Senhor seja para sempre!” (Sl 104,31)
Texto de
Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.
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