domingo, 15 de novembro de 2015

PALAVRA DE VIDA

 Então se verá o Filho do homem... (Mc 13,24-32)
            Um dos artigos de nossa profissão de fé, conhecida como “Símbolo dos Apóstolos”, assevera que Jesus Cristo, já ressuscitado, subiu aos céus, “de onde há vir para julgar os vivos e os mortos”. É a Segunda Vinda de Jesus.

            Os Evangelhos trazem detalhes sobre esta Vinda, como último passo da glorificação do Filho de Deus (cf. Mt 24,29-31; Mc 13,24-26; Lc 21,25-28). Muitas pinturas e gravuras sacras se inspiraram nestas passagens. O Bispo Nersès Snorhali [1102-11173], da Igreja Armênia, dá largas à imaginação (o que também é uma forma de rezar), dizendo:
            “As montanhas estão no espanto e trovejam retorcendo-se com violência. Os rochedos, duros por natureza, se fundem e todas as matérias esbraseiam. Nesse momento, as vozes se elevam, a trombeta de Gabriel ressoa subitamente no meio da noite, em hora inesperada. A luz do sol se extingue e a luz da lua obscurece. As estrelas caem do firmamento e os exércitos dos céus se abalam. Os serafins se velam com suas asas e inclinam sua face. Os querubins se formam em um trono para te receber, ó Rei.”
            É curioso como tanta gente, sejam crentes ou não, reagem com medo e apreensão diante desse dia anunciado como o grande Dia do Senhor. Ora, o fiel deveria repetir diariamente com a Igreja: “Maran athá! Vem Senhor Jesus!” Na liturgia eucarística, rezamos “enquanto esperamos vossa Vinda gloriosa”.
            O equívoco está em resumir a Segunda Vinda a um acerto de contas, quando um Deus irritado por séculos de pecado entra em cena como o mocinho dos antigos filmes de bangue-bangue, para provar que o crime não compensa. Ora, o que está em jogo não é a condenação do ímpio, mas a glória do Cordeiro Imolado... Uma rápida leitura do Apocalipse comprovaria esta verdade.
            Nersès Snorhali prossegue em sua visão: “Cada um dos Justos recebe de ti segundo o que ele realizou, cada um segundo sua capacidade, o bem que ele pôde fazer pessoalmente. Ele o oferece a ti como uma flor de suave e celeste odor. Um, a oração de um coração puro e as lágrimas que correm sem cessar. Outro, o amor divino e o amor por seus irmãos. Um, a vigília da noite e o levantar-se antes da aurora. Um outro, o santo jejum: o dos alimentos e o da língua. Um, os dons generosos ao pobre, que tu recebes de sua mão. Outro, o copo de água fresca que, segundo tua palavra, não fica perdido...”
            O Senhor vem. Logo virá...
Orai sem cessar: “A glória do Senhor seja para sempre!” (Sl 104,31)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

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