Tudo o que lhe restava... (Lc 21,1-4)
........Notável o olhar de Jesus! De que minúcias ele se
ocupa! Nesta passagem do Evangelho, nós o vemos sentado no Templo, bem à frente
do cofre onde os fiéis lançavam moedas. Esmolas para Deus? Pequenas peças de
ouro e prata doadas ao Senhor do universo, dono da fórmula de todos os metais e
das gemas preciosas?
Bem, nem todos
tinham ouro e prata para dar de esmola. A pobre viúva sacou da algibeira dois
tostões de cobre, tudo o que tinha para seu sustento. E seu gesto provocou a
admiração do Filho de Deus, que era rico e se fez pobre para nos salvar.
Você é daqueles
que acham sem sentido o gesto de dar moedinhas para Deus? Vejamos o que escreve
José de Enaton (Séc. V), narrando as palavras de Abba Joseph ao sofista
Sofrônio:
“Deus
prescreveu que as primícias de tudo o que nasce, de todos os frutos e animais
puros, lhe sejam oferecidas em vista da bênção do restante e da remissão dos
pecados. E mais, ele prescreveu que os primogênitos dos homens lhe sejam
consagrados.
Os ricos fazem
o contrário: os objetos úteis, eles os guardam para si, e aquilo que não serve,
eles o dão aos pobres ou a seus irmãos. Por exemplo, o bom vinho, eles o bebem;
mas aquele que está ácido ou que é ruim, eles o dão às viúvas e aos órfãos. Um
fruto que está conservado, eles mesmos o comem; mas aquele que está podre, eles
o dão. As vestes suntuosas e cômodas, guardam para si; aquelas que estão
rasgadas e usadas, jogam para os indigentes.
Entre os filhos, os que estão com saúde e bem
criados, eles os conservam para as uniões e casamentos, e têm com eles muitos
cuidados; mas os doentes, os vesgos e os disformes, eles os consagram a Deus e
os enviam aos mosteiros. Eis por que não é aceito aquilo que é oferecido por
eles.
Seria preciso
que tais pessoas pensassem assim: quando queremos agradar a homens mortais, nós
nos esforçamos por oferecer-lhes o que lhes parece mais precioso; quanto mais
nós, se queremos agradar a Deus, nosso Criador, de quem recebemos as mesmas
coisas que lhe oferecemos!”
Parece uma
lição antiga, perdida na penumbra dos primeiros séculos. Creio, porém, que José
do mosteiro de Enaton, se viesse a este século, certamente repetiria o mesmo
discurso... Somos ruins de esmola!
Orai sem cessar: “Este pobre pediu socorro e o
Senhor o ouviu!” (Sl 34,7)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Com. Católica Nova
Aliança.

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