Vigiai sobre vós mesmos! (Lc
21,34-36)
Estamos diante de um
imperativo de Jesus que o Evangelho de São Lucas situa logo antes de sua
Paixão, associado ao anúncio de sua Vinda no fim dos tempos, em tonalidade
claramente apocalíptica.
E nós, modernos,
entendemos muito bem de apocalipses, chegando ao ponto de transformá-los em
espetáculo nas telas do cinema e nas páginas da literatura. Como percebe
François Trévedy, nossa civilização é a civilização do medo, “uma civilização
esmagada pelo temor dos apocalipses que ela não cessa de imaginar, de entrever,
e dos quais ela mesma traz, no fundo, tanto o germe quanto a responsabilidade”.
Em sua recente
Encíclica Laudato Si’ (junho/2015), o Papa Francisco também nos chama a
vigiar e cuidar do meio em que vivemos, para evitar a catástrofe anunciada:
“O ambiente humano e o
ambiente natural degradam-se em conjunto; e não podemos enfrentar adequadamente
a degradação ambiental, se não prestarmos atenção às causas que têm a ver com a
degradação humana e social. De fato, a deterioração do meio ambiente e a da
sociedade afetam de modo especial os mais frágeis do planeta: Tanto a
experiência comum da vida quotidiana como a investigação científica demonstram
que os efeitos mais graves de todas as agressões ambientais recaem sobre as pessoas
mais pobres.” (LS, 48)
Apesar de alertas
desta natureza, inclusive os que partem dos homens de ciência, muitos continuam
imersos no sono da rotina e dos velhos hábitos, sem tomar consciência do papel
responsável de cada pessoa pela salvaguarda de nosso planeta. A ânsia de lucro
imediato e a indiferença pelo futuro das próximas gerações explicam este sono.
Nas vésperas de um
novo Advento, o Evangelho pede que vigiemos sobre nós mesmos. É dentro de nós
que resiste o pecado gerador de todos os apocalipses. Ali pulsam a gula e o
hedonismo, a ambição e o individualismo, a acumulação de bens e a exploração do
outro.
Em
preparação do Natal, quando contemplaremos o Menino pobre e marginalizado,
identificado com os mais esquecidos da sociedade, é urgente reavaliar os
objetivos de nossa existência e abrir amplos espaços para a solidariedade e a
partilha. Só assim experimentaremos a paz...
Orai sem
cessar: “Feliz aquele que vigia!”
(Ap 16,15)
Texto de
Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

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