Sim, nada permanece oculto aos olhos
de Deus, que tudo vê. O estulto tenta enganar-se: “O Deus de Jacó nada sabe!”
(Sl 94,7.) O sábio reconhece em seu íntimo o olhar de Deus: “Senhor, te me
perscrutas e me conheces... Uma palavra ainda não aflorou em minha língua, / e
tu já a conheces.” (Sl 139,1.4.)
Viver sob o olhar de Deus é viver na
verdade. O outro caminho é uma vida de mentiras e ilusões. Um faz-de-conta que
sempre acaba mal.
Mas a frase de Jesus – “Nada há de
oculto que não venha a ser descoberto” – não se refere apenas ao olhar de Deus.
Inclui também os olhos humanos. Exatamente nestes dias, uma enxurrada de
denúncias e revelações deu origem às CPIs que levaram à sarjeta tantas
reputações e carreiras políticas.
É claro que, quando tais ilícitos
foram cometidos, seus agentes contavam com a proteção do silêncio, dos biombos
do poder, das muralhas do sistema. No entanto, um fato aparentemente ocasional
(um vídeo gravado!) deflagrou todo o processo de re-velação, que ainda não
chegou a seu desfecho nesta data em que estou escrevendo.
Aquele que optou pela mentira
carrega um fardo permanente que vai corroendo a sua alma. Realiza um
superesforço para manter na sombra aqueles crimes e pecados que, uma vez
expostos à luz, poderiam destruir sua família, sua carreira, sua reputação.
Independentemente de tais desastres, a própria consciência dói, reclama, acusa,
condena. Os profissionais da área psicológica sabem muito bem que não existe
nada mais destrutivo para o psiquismo humano que o sentimento de culpa. Um
romance como “Crime e Castigo”, de
Dostoiévski, retrata de modo magistral essa terrível experiência.
Como o Senhor nos ama e quer a nossa
salvação, deixou nas mãos da Igreja um precioso dom: o sacramento da
Reconciliação, conhecido como “confissão”. Ali, o pecador tem a oportunidade de
manifestar seu arrependimento e contrição. Acusando-se de seu pecado, trazendo
à luz o que ocultara nas sombras, abandona-se à misericórdia do Pai e recebe
das mãos do ministro ordenado o perdão radical que brota do lado aberto de
Cristo. Ao se erguer, vê-se livre do fardo que arrastava, do verme que o
corroía, da opressão que o dominava.
Já não precisa esperar pelo Juízo Final para ver seu crime
exposto aos olhos de todos. Já pode olhar de novo para o alto e dizer baixinho:
“Meu Pai!”
Orai sem
cessar: “Lava-me, e serei mais branco do que
a neve!” (Sl 51,9)
Texto de
Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

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