quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

PALAVRA DE VIDA

 Não há nada oculto... (Mc 4,21-25)
            Sim, nada permanece oculto aos olhos de Deus, que tudo vê. O estulto tenta enganar-se: “O Deus de Jacó nada sabe!” (Sl 94,7.) O sábio reconhece em seu íntimo o olhar de Deus: “Senhor, te me perscrutas e me conheces... Uma palavra ainda não aflorou em minha língua, / e tu já a conheces.” (Sl 139,1.4.)

            Viver sob o olhar de Deus é viver na verdade. O outro caminho é uma vida de mentiras e ilusões. Um faz-de-conta que sempre acaba mal.
            Mas a frase de Jesus – “Nada há de oculto que não venha a ser descoberto” – não se refere apenas ao olhar de Deus. Inclui também os olhos humanos. Exatamente nestes dias, uma enxurrada de denúncias e revelações deu origem às CPIs que levaram à sarjeta tantas reputações e carreiras políticas.
            É claro que, quando tais ilícitos foram cometidos, seus agentes contavam com a proteção do silêncio, dos biombos do poder, das muralhas do sistema. No entanto, um fato aparentemente ocasional (um vídeo gravado!) deflagrou todo o processo de re-velação, que ainda não chegou a seu desfecho nesta data em que estou escrevendo.
            Aquele que optou pela mentira carrega um fardo permanente que vai corroendo a sua alma. Realiza um superesforço para manter na sombra aqueles crimes e pecados que, uma vez expostos à luz, poderiam destruir sua família, sua carreira, sua reputação. Independentemente de tais desastres, a própria consciência dói, reclama, acusa, condena. Os profissionais da área psicológica sabem muito bem que não existe nada mais destrutivo para o psiquismo humano que o sentimento de culpa. Um romance como “Crime e Castigo”, de Dostoiévski, retrata de modo magistral essa terrível experiência.
            Como o Senhor nos ama e quer a nossa salvação, deixou nas mãos da Igreja um precioso dom: o sacramento da Reconciliação, conhecido como “confissão”. Ali, o pecador tem a oportunidade de manifestar seu arrependimento e contrição. Acusando-se de seu pecado, trazendo à luz o que ocultara nas sombras, abandona-se à misericórdia do Pai e recebe das mãos do ministro ordenado o perdão radical que brota do lado aberto de Cristo. Ao se erguer, vê-se livre do fardo que arrastava, do verme que o corroía, da opressão que o dominava.
Já não precisa esperar pelo Juízo Final para ver seu crime exposto aos olhos de todos. Já pode olhar de novo para o alto e dizer baixinho: “Meu Pai!”
Orai sem cessar: “Lava-me, e serei mais branco do que a neve!” (Sl 51,9)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

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