Que ele cresça, e eu diminua... (Jo 3,22-30)
Nem imaginamos a que ponto o paganismo
e seus “valores” estão infiltrados em nossas circunvoluções cerebrais. Nosso
corpo está na Igreja, mas nossa mente pode orbitar em outros mundos onde as
lições do Evangelho permanecem à margem. Não fosse assim, não estranharíamos
tanto a proposta de ser “pequeno”, de não buscar o crescimento, o destaque, a
fama e o sucesso. Mesmo nas “coisas de Deus”...
Neste Evangelho, alguns discípulos
de João Batista mostram-se enciumados com as multidões que procuram por Jesus
(as mesmas que, antes, cercavam João)... E o Precursor, curto e grosso:
“Importa que ele (Jesus) cresça, e eu diminua”. Este obscuro caminho para a
pequenez, para a redução, para a amputação de si mesmo, chegaria ao clímax com
a decapitação: perder a cabeça por Deus!
Não deixa de ser curioso como temos extrema
dificuldade em ser pequenos. É como se estivéssemos perdendo algo, quando, na
verdade, trata-se apenas do reconhecimento de nossa condição de criaturas, com
tudo o que isto acarreta de fragilidade, dependência e identidade com o “húmus”
de nossa “humanidade”. Não somos deuses, como prometia a tentação das origens.
Dependemos em tudo da graça de Deus, sem a qual nada podemos fazer (cf. Jo
15,5).
Hora de voltar às lições da Pequena
Teresa de Lisieux: “Quero encontrar o meio de ir para o Céu por uma via muito
direta, muito curta, uma pequena via, totalmente nova. Estamos num século de
invenções. Agora, não é mais preciso subir os degraus de uma escada, nas casas
dos ricos um elevador a substitui com vantagens. Eu também gostaria de encontrar
um elevador para elevar-me até Jesus, pois sou pequena demais para subir a
íngreme escada da perfeição. [...] O elevador que deve elevar-me até o Céu são
vossos braços, ó Jesus! Para isso, eu não preciso crescer, pelo contrário,
preciso permanecer pequena, que o venha a ser sempre mais”. (Manuscrito C, 271)
E a voz de Jesus a ressoar no
deserto da pós-modernidade: “Eu te louvo, ó Pai, porque ocultaste estas coisas
aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos”. (Mt 11,25) E ainda
mais: “Quem não receber o Reino de Deus como uma criança, não entrará nele!”. (Mc
10,15)
Não é por falta de aviso...
Orai sem
cessar: “Senhor,
não ando atrás de coisas grandes...” (Sl 131,1)
Texto de
Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

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