Ficai de prontidão... (Lc 12,32-48)
A vida do
cristão é permanente vigília. Ele sabe que o Senhor pode chegar a qualquer
momento e vive em função dessa Vinda. Exatamente por isso, o momento presente
tem especial valor, enquanto o futuro passa por sensível relativização. Coisas
como acumular reservas, garantir seguranças, aumentar os depósitos perdem muito
de seu atrativo. Até o crescente “medo do futuro” acaba atenuado pela
expectativa dessa Vinda.
A imagem empregada
por Jesus, neste Evangelho, são as “lâmpadas acesas” que os servidores
alimentam durante a noite, para que não sejam achados em profundo sono.
Claro que
todos ignoram essa “hora” em que o Senhor há de vir. É segredo do Pai. E essa
mesma hora divide a multidão em dois grupos: os que a esperam com alegre
expectativa e aqueles que sofrem com ansiedade a temível chegada.
Se tememos a
chegada de um juiz, quando seremos réus sujeitos a castigo, estaremos incluídos
entre os que temem sua irrupção. Se, ao contrário, aguardamos a presença de um
Amigo, intimamente já estaremos em festa, como o vigia esperando a aurora (cf.
Sl 130,6).
Ora, Aquele
que está para chegar é o mesmo que acolhia as prostitutas e participava do
banquete dos pecadores. É o mesmo que curava os enfermos e limpava os leprosos.
É o mesmo que perdoava os imperdoáveis, como o ladrão com ele crucificado.
O bom
servidor, que o Evangelho chama de servo fiel, não tem nada a temer pelo Senhor
que está às portas. Mas também o servo menos fiel deveria saber das
misericórdias de seu Mestre, sempre pronto a perdoar e a regenerar quem se
corrompera.
No fundo,
está latente uma questão de amor. Quando se espera pela pessoa amada, não
importa se ela se retarda um pouco, pois temos a certeza de que virá. Até
parece que a demora do Amado tem a função pedagógica de espicaçar nosso afeto,
aguçar nossos sentimentos, atear sempre mais a fogueira do amor.
Como a noiva
do “Cântico dos Cânticos”, a alma suspira: “É a voz do meu amado! Ei-lo que vem
saltando sobre os montes, pulando por sobre as colinas! Volta, meu amado!” (Ct
2,9.17)
Orai sem cessar: “Se vos possuo, nada mais me
atrai na terra!” (Sl 73,25b)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova
Aliança.
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