Meu Pai o concederá... (Mt
18,15-20)
Este
Evangelho deveria ser suficiente para nos animar em definitivo para a oração em
comunidade. Há muita gente que diz, sem esconder o tom de justificativa: “Eu
rezo sozinho. Não vou à igreja. Converso com Deus no meu quarto”. Mas a
promessa de Jesus aponta em outra direção. Eis o comentário de Hébert Roux:
“Esta
passagem deve ser aproximada do ensinamento do Sermão da Montanha relativo à
oração (cf. Mt 6,7-13; 7,7-11). A oração cristã pode ousar pedir ‘seja lá o que
for’; mas ela está duplamente condicionada: em primeiro lugar pelo ‘acordo’
entre aqueles que rezam, e em segundo lugar pela ‘presença’ de Jesus Cristo,
pois somente em seu nome a oração tem acesso junto ao ‘Pai que está nos céus’.
Quando
dois homens se unem na fé, diante do Deus de Jesus Cristo, eles se postam
juntos sobre o sólido terreno da graça, e se reconhecem unidos pela mesma
misericórdia, o mesmo perdão que os torna irmãos, filhos do mesmo Pai. Ali onde
a gente se une ‘no nome de Jesus’, isto é, não no orgulho espiritual e na
própria justiça, mas na confissão da própria pequenez (cf. Mt 18,4-5), no
reconhecimento comunitário de seu pecado, somente ali pode existir a
expectativa da fé e, por isso mesmo, o atendimento às orações. Ali, Jesus está
presente; ali está a Igreja.”
Como
é difícil entender que nosso Deus não é um “gênio da lâmpada” de Aladim,
escravo de um patrão que arranca dele os desejos mais impossíveis. Deus jamais
se deixa manipular por nossas pequenas preferências e comodismos. Basta ler com
atenção as palavras de Jesus neste Evangelho (vv. 19-20). Sobre elas, Hans U.
von Balthasar comenta:
“Graças
às duas palavras finais de Jesus, nós vemos como a oração eclesial em comunidade
pode esperar pelo atendimento de Deus. As duas promessas são monumentais:
aquilo que duas pessoas pedem em uma comunidade de amor, com o olhar erguido
para Deus, é atendido. Quando dois ou três estão reunidos em nome de Jesus,
este está ali no meio deles. Neste mistério do centro eclesial nós devemos
recolocar todos aqueles que estão parados nas margens e se perdem ao
atravessá-las.”
Vinte
séculos após o derramamento do Espírito Santo sobre os discípulos, que estavam
“reunidos” no Cenáculo, a estrada do cristão continua ameaçada pelo
individualismo pagão, pela visão subjetiva do Evangelho, pela recusa em ser
ramo da videira (cf. Jo 15), pela ilusão de ser um órgão autônomo, e não um
membro enxertado no Corpo de Cristo.
E
depois, reclamam quando sua oração particular não é atendida...
Orai sem cessar: “O Senhor está ao redor de seu povo...” (Sl 125,2)
Texto de Antônio Carlos Santini,
da Comunidade Católica Nova Aliança.
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