Como criancinhas... (Mt 18,1-5.10)
Na
sociedade palestina daquele tempo, a criança era apenas um “zero à esquerda”.
Sequer eram computadas nos recenseamentos. Na multiplicação dos pães, registram
os próprios evangelistas, comeram milhares de pessoas, “sem contar mulheres e
crianças” (cf. Mt 15,38).
Este
aspecto nos ajuda a “traduzir” mais de perto a imagem que o Mestre nos dá como
condição para “entrar”, para não ficar de fora, “nas trevas exteriores” (cf. Mt
8,12)... A criancinha é frágil, fraca, não confia em si mesma, e tudo espera
dos pais. Agora, podemos acompanhar a reflexão de Isaac, o Sírio [Séc. VII]:
“Quando
o homem rejeitou todo socorro visível e toda esperança terrestre, quando ele
segue a Deus na fé e com um coração puro, a Graça logo o acompanha e lhe
manifesta seu poder, assistindo-o de muitas maneiras. Ela o protege como a ave
que estende suas asas sobre os filhotes para nenhum mal lhes aconteça. Desde
então, ele entende que, seja coisa grande ou pequena, tudo deve ser pedido a
seu Criador em oração.
Quando
a Graça divina confirmou seu coração em todas essas coisas, porque ele se
confiou a Deus, então ele começa, pouco a pouco, a entrar nas provações. É que
fora das provações não lhe é possível chegar à sabedoria nos combates
espirituais, nem conhecer Aquele que provê sua vida, nem sentir seu Deus e ser
secretamente confirmado em sua fé. Ele precisa receber a força da experiência.
Quando,
enfim, a Graça vê que a presunção, por pouco que seja, se infiltrou em seu
pensamento e ele começa a ter uma idéia elevada de si mesmo, ela logo permite
que se reforcem e se intensifiquem as tentações que o assaltam, até que ele
aprenda sua fraqueza, se refugie em Deus e a Ele se apegue na humildade. [...]
De fato, quando o amor de Deus lhe é dado no meio das desventuras que quebram a
esperança, aí é que o homem conhece que maravilha é este amor para ele.”
Já
que é assim, melhor ser como as crianças...
Orai
sem cessar: “Como criança no colo da mãe, assim é minha alma...” (Sl
131,2)
Texto
de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.
Nenhum comentário:
Postar um comentário