Tanto amou o mundo... (Jo
3,16-21)
Muitos
comentaristas do Novo Testamento entendem que Jo 3,16 pode ser tomado como a
síntese de toda a Boa Nova: Deus ama o mundo; e o ama ao extremo, o que inclui
a “doação” de seu Filho único para que o mundo seja salvo. O Deus da Vida,
Criador universal, só pode querer a salvação de todos.
Louis
Bouyer é um desses comentaristas: “Esta frase resume mais particularmente o
ensinamento sobre a Vida que é dado nesta parte do Evangelho. Deus, segundo o
constante ponto de vista de São João, tem como caráter essencial um amor sem
medida por sua criatura, amor cuja força incomparável e cuja soberana liberdade
se unem em um dom tão gratuito quando total: o dom do Filho único. O objetivo
deste dom é que os homens tenham ‘a Vida’”.
Mas
não se pode descuidar a atenção para uma cláusula do mesmo versículo: “para que
todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna”. CRER. Sem o ato de
fé, fica em suspenso o dom oferecido. A falta de fé torna inoperante a Vida
oferecida...
“Até
aqui – comenta Bouyer – nós vimos a Vida tornada acessível à humanidade pela
morte e glorificação de Cristo, em seguida comunicada a cada homem pelo
batismo; agora, aprendemos como o homem pode gozar efetivamente deste dom do
Filho: é pela fé... ‘a fim de que todo aquele que nele crê não pereça’. Esta menção da fé introduz um breve
desenvolvimento que nos deve fazer considerar segundo uma perspectiva nova a
relação entre a Vida e a Luz. O prólogo [do Evangelho de João] nos tinha
ensinado como, no Verbo, a Luz procede da Vida; aqui nós aprendemos como a Luz
nos conduz a essa Vida de onde ela decorre.”
Entende-se
desta forma como a eventual condenação de alguém não deriva de um ato formal,
de um “julgamento” de Deus, mas da própria recusa individual em acolher a Vida
por Ele oferecida. “Aquele que não crê já está julgado” (cf. Jo 3,18), pois,
“em presença da Luz, sua recusa em crer assume um significado positivamente
mau: demonstra que o incrédulo está associado às trevas.”
Se
não tivéssemos recebido a Revelação na pessoa de Jesus Cristo, ainda teríamos a
“desculpa da ignorância”. Mas, uma vez iluminados pelo Evangelho, somos
responsáveis pela opção que fazemos entre vida e morte, entre verdade e
mentira, entre Luz e trevas. Esta é a pregação de Paulo no Areópago de Atenas:
“Sem levar em conta os tempos da ignorância, Deus agora faz saber à humanidade
que todos, em todo lugar, devem converter-se”. (At 17,30)
Não
se pode negar: a recusa da fé é uma recusa do Amor...
Orai sem cessar: “Escolhi o
caminho da verdade!” (Sl 119,30)
Texto de Antônio Carlos Santini,
da Comunidade Católica Nova Aliança.

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