E o Senhor cooperava com eles... (Mc 16,15-20)
Podemos ver neste Evangelho o “último desejo” de Jesus.
Trata-se exatamente da missão confiada a seus discípulos: ir por todo o mundo e
anunciar o Evangelho. Da Judeia para a Palestina, da Palestina para “o mundo
todo”. Tal amplitude como campo missionário deveria parecer aos seus discípulos
uma tarefa fora de propósito. Afinal, eles eram um bando de lavradores, de pescadores,
um ou dois zelotas, um cobrador de impostos aposentado... Que belo exército!
Só que este raciocínio não leva em conta um fator
essencial para a missão: o Espírito Santo lhes seria dado em Pentecostes. Com o
“poder do alto” (Lc 24,49), veriam suas faculdades humanas potencializadas e
suas deficiências mais que compensadas. De fato, o roceiro mostra-se poliglota,
o covarde se faz ousado, o capiau se revela cosmopolita. Eram homens novos,
forjados no fogo do Espírito.
Hoje, sob o impacto de terríveis tsunamis
morais, diante da invasão do consumismo e do ateísmo, a Igreja poderia
sentir-se incapaz de levar adiante sua tarefa evangelizadora. Mas ela sabe da
assistência do Espírito Santo em sua navegação espiritual. Eis o que escreveu o
Papa João Paulo II em sua magnífica Encíclica sobre a “validade permanente do
mandato missionário”:
“No ápice da missão messiânica de Jesus, o Espírito
Santo aparece-nos, no mistério pascal, em toda a sua subjetividade divina, como
Aquele que deve continuar agora a obra salvífica, radicada no sacrifício da
cruz. Esta obra, sem dúvida, foi confiada aos homens: aos Apóstolos e à Igreja.
No entanto, nestes homens e por meio deles, o Espírito Santo permanece o
sujeito protagonista transcendente da realização dessa obra, no espírito do
homem e na história do mundo.” (Redemptoris Missio, 21)
E mais: “Verdadeiramente o Espírito Santo é o
protagonista de toda a missão eclesial: a sua obra brilha esplendorosamente na
missão ad gentes, como se vê na Igreja primitiva pela conversão de Cornélio
(cf. At 10), pelas decisões acerca dos problemas surgidos (cf. At 15), e pela
escolha dos territórios e povos (cf. At 16, 6ss). O Espírito Santo age através
dos Apóstolos, mas, ao mesmo tempo, opera nos ouvintes: Pela Sua ação, a Boa
Nova ganha corpo nas consciências e nos corações humanos, expandindo-se na
história. Em tudo isto, é o Espírito Santo que dá a vida.” (Idem)
Vivo entre nós, o Espírito Santo nos impele à
missão...
Orai sem cessar: “O Senhor sustenta os que
vacilam.” (Sl 145,14)
Texto de Antônio Carlos Santini,
da Comunidade Católica Nova Aliança.

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