Se alguém me ama... (Jo 14,21-26)
A
prova real do amor é a obediência. Ao contrário daquilo que se afirma no mundo
pagão, sedento de autoafirmação e soberba, quem ama obedece... Um filho que se
sente amado não assumirá ares de rebeldia em relação aos pais. A mulher que se
sente amada não terá arrepios ao ler o Apóstolo Paulo, que fala de submissão ao
marido (cf. Ef 5,22-23). Muito ao contrário, os gestos e atitudes de obediência
constituem uma espécie de resposta ao amor recebido. É o amor traduzido em
entrega e abandono.
Em
nossa vida espiritual, que pensar de alguém que afirma amar a Deus e, ao mesmo
tempo, se rebela contra seus mandamentos, autênticas defensas que o Pai celeste
nos deu para seguirmos com segurança na estrada da vida? Como amar a Jesus
Cristo e, ao mesmo tempo, repelir o ensinamento da Igreja, seu Corpo? Como
conciliar as emocionadas declarações de amor e o sentimento íntimo de ser
tolhido pelo Amado? Que amor é esse que chega a incomodar?
Fazendo
um retiro espiritual no Foyer de Charité, em Mendes, RJ, veio-me a inspiração
para este soneto, intitulado “OBEDECER”:
Obedecer...
Deixar que sua Mão
Aponte cada passo do caminho,
Sem escolher a flor, fugir do espinho,
Sem afastar as pedras do meu chão...
Obedecer... Aposentar o
“não”,
Deixar meu interesse mais
mesquinho,
Abandonar a vida em
desalinho,
Deixar que Deus me amasse
como o pão...
Obedecer... Queimar os meus navios
E seguir arrastado pelos rios
E remoinhos do querer de Deus...
E, assim, sem resistir ao seu
transporte,
Deixar que Ele decida a minha
morte,
Transfigurando em luz os
erros meus...
Orai sem cessar: “Tuas
exigências fazem minhas delícias!” (Sl 119,24)
Texto de Antônio Carlos Santini,
da Comunidade Católica Nova Aliança.
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