Que sabedoria é esta?! (Mc 6,1-6)
Nós conhecemos Jesus desde criança.
Nós o vimos em nossas praças. Ele buscava água na fonte. Ele aprendia
carpintaria com José. De onde lhe vem, então, tanta sabedoria? Como pode fazer
esses milagres? Ele não é um homem comum?
Eram estas as interrogações de seus
vizinhos e familiares, estacionados no limite de sua compreensão, incapazes de
perceber a natureza divina daquele aprendiz de carpinteiro.
“Poucas passagens deixam tão visível
a humanidade de Jesus”, comenta Hébert Roux. “E não há outras que mostrem mais
claramente que ‘as aspirações da carne são uma inimizade contra Deus’ (Rm 8,7).
De fato, todo o conhecimento carnal que os conterrâneos de Jesus têm sobre ele
é incapaz de produzir o menor movimento de fé.”
Por isso mesmo, ele quis recordar o
conhecido ditado: ninguém é profeta em sua terra. Exatamente em Nazaré, sua
terra de infância, cujo nome irá acompanhá-lo até o “titulum” da Cruz - Jesus Nazareno, Rei dos Judeus - ele começa por
experimentar a rejeição que culminará no Calvário.
Nós corremos o mesmo risco de seus
contemporâneos: o risco de nos acostumarmos com um Jesus trivial, “dejà vu”, um “coleguinha” de jogos, e
acostumados com ele, nos tornarmos incapazes de acolher suas surpresas, seus
mistérios, seus milagres. Depois disso, já não há nada de novo a esperar.
Afinal, “nós o conhecemos há tanto tempo!”
E
ele que trate de se comportar, de se manter nos limites humanos, sem nenhum
gesto estranho que venha abalar nossas rotinas mornas e tranquilas. Ele que não
apareça com novas exigências, com esses radicalismos incômodos que despertam em
nós sentimentos de perda e insegurança.
Ora,
em nossa insipiência – pesada barreira contra a fé! – jamais conseguiremos
“entender” Jesus a partir da razão. Será inútil a tentativa de classificá-lo em
uma de nossas categoriais sociais: mestre da sabedoria, guru espiritual, líder
carismático, agitador das massas, um “iluminado”...
Somente pela fé – essa via de
conhecimento que salta sobre as muralhas do racionalismo – chegaremos a ver em
Jesus o Filho de Deus que se fez carne para nos salvar. Até lá, navegaremos de
espanto em espanto, acorrentados aos nossos sentidos, incapazes de acolher o
dom de Deus...
Orai sem
cessar: “No
íntimo, Senhor, me ensinas a sabedoria...” (Sl 51,8)
Texto de
Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

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