Quando dois ou
três se reúnem... (Mt 18,15-20)
Ao se
despedir dos discípulos, o Senhor garantiu: “Eis que estou convosco até o fim
dos tempos”. (Mt 28,20b) Há, porém, várias formas da “presença” de Cristo entre
nós. Ele está presente em sua Palavra (Lc 10,16), presente na Eucaristia (Mc
14,22), presente nos que sofrem (Mt 25,40).
Mas
há uma presença especial de Cristo na Igreja, quando os irmãos se reúnem em
oração: “Quando dois ou três se reúnem em meu Nome, eu estou ali no meio
deles”. (Mt 18,20)
Esta
promessa de Jesus deita por terra aquela “opinião” de quem afirma: “Para rezar,
não preciso ir à Igreja. Eu rezo sozinho em meu quarto”. Claro, Deus pode ouvir
a oração solitária nas sombras do quarto escuro, mas não temos a garantia que
nos foi dada: a presença do Senhor na luminosa reunião dos irmãos em prece. No
quarto, rezo em meu nome; na comunidade reunida, rezamos em Nome do Senhor.
Quando
Maria e José faziam suas orações em Nazaré, Jesus estava no meio deles. Quando
Moisés e Elias se manifestaram no Tabor, Jesus estava no meio deles. Quando as
mulheres e João se uniram aos pés da Cruz, Jesus estava no meio deles. Quando
os dois de Emaús tiveram seus olhos abertos em plena refeição, Jesus estava no
meio deles. Quando Marta e Maria se uniram a Jesus, Lázaro foi reanimado e
devolvido à vida.
Hébert
Roux comenta que a oração cristã pode ousar pedir a Deus seja lá o que for, sem
limitações, mas com dupla condição: 1) o “acordo” [reunião de corações]
daqueles que estão em oração; 2) a “presença” de Jesus, em nome de quem a
oração tem acesso junto ao Pai que está nos céus.
“Quando
duas pessoas se mantêm unidas sobre o único terreno sólido da graça, elas se
reconhecem unidas pela mesma misericórdia, o mesmo perdão que as torna irmãos,
filhos do mesmo Pai.” E o Pai, que ouve, em uníssono, a voz dos filhos,
configurados com o Filho, acolherá com alegria a súplica que se ergue da poeira
da terra.
Dizer
“dois ou três” vale dizer “a Igreja” – essa comunidade de fiéis que supera as
barreiras do individualismo e da solidão, iniciando, desde já, a experiência da
comunhão com Deus na eternidade.
E o
Deus único, mas também família divina, abre-se imensamente à família humana que
sabe dizer: “nós”...
Orai
sem cessar: “Ele está no meio de
nós!”
(Da oração eucarística)
Texto
de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

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