segunda-feira, 6 de agosto de 2018

PALAVRA DE VIDA


 Este é meu Filho, o Amado... (Mc 9,2-10)
Imagem relacionada           Nos evangelhos sinóticos, estão registradas duas teofanias em que o Filho é identificado diretamente pelo Pai: o episódio do batismo de Jesus (cf. Mc 1,9-11) e a transfiguração no alto da montanha que a tradição identificou como o Monte Tabor (cf. Mc 9,2-10).

            Em ambas as passagens, faz-se ouvir do alto a voz do Pai: “Este é meu Filho, o Amado”. No texto grego, “o amado” [ho agapetos] é um aposto de “filho”. Mais que um simples adjetivo, pode ser tomado como um “nome” do Filho: ele é “o amado do Pai”. Isto se confirma na Carta aos Efésios (1,6), quando Paulo escreve que o Pai “nos agraciou em seu Amado” (en toi egapemenoi). Isto é, o Pai nos ama na pessoa de seu Filho, na medida em que nos identificamos com ele, com quem fomos configurados no batismo cristão.
            Ora, esta “identificação” ocorre através da Palavra do Filho, daí a exortação da mesma voz do Tabor: “Ouvi-o!” Se o Pai nos fala por seu Filho, e nós acolhemos sua Palavra, então o amor do Pai flui para nós. Se, ao contrário, ficamos surdos à mesma Palavra, interrompemos o canal amoroso que estava à nossa disposição.
            Na teofania do batismo no Jordão, um jato de luz é lançado sobre toda a primeira parte do Evangelho de Marcos, culminando com a declaração de Pedro: “Tu és o Messias!” (Mc 8,29) Agora, na teofania do Tabor, a luz divina vem iluminar a segunda parte, marcada pelos anúncios da Paixão e morte de Jesus, preparando terreno para a proclamação do “filho de Deus” feita pelo centurião romano (cf. Mc 15,39) e para a descoberta da ressurreição (cf. Mc 16,1-8).
            Na 1ª Carta de João, a palavra habitualmente traduzida por “caríssimos”, é o mesmo termo grego [agapetoi] no sentido de “amados”. Isto permite a leitura: “Amados, agora somos as crianças [tekna / filhos] de Deus”, sugerindo que fomos adotados como filhos em razão do amor derramado sobre nós, pelo Pai, na pessoa de Jesus.
            Graças à Eucaristia, o sacramento do amor, os católicos dispõem de mais um canal de identificação com o Filho, ao serem alimentados pelo Corpo e Sangue de Jesus, em autêntica simbiose. Por isso mesmo, a mesa eucarística é o ponto de encontro entre o Amado e os amados do Pai, profundamente mergulhados no rio de amor que brota do coração do Pai.
Orai sem cessar: “Ouvirei o que diz o Senhor!” (Sl 85,9)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

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