PALAVRA DE VIDA
Tome a sua cruz! (Mt 16, 24-28)
Este Evangelho costuma ser ouvido entre profundos gemidos. A proposta evangélica de abraçar a cruz como condição necessária para seguir a Jesus Cristo mostra-se cada dia mais indigesta. Por isso mesmo, tanta gente faz uma opção pessoal por “igrejas” que prometem resolver os problemas práticos dos fiéis, inclusive as doenças e as contas a pagar, acenando aos “fiéis” com um planeta sem dores, sem lágrimas nem luto, bem antes do último capítulo do Apocalipse...
Afinal, que quer dizer para o discípulo o conselho de “tomar a sua cruz”? Deixemos a resposta com Santo Agostinho, Bispo de Hipona:
“Que significa ‘tome a sua cruz’? Significa que ele assuma tudo o que é penoso: que ele me siga assim. Pois quando ele começar a me seguir, conformando sua conduta a meus mandamentos, ele encontrará muita gente para contradizê-lo, muitos que se oponham a ele, muitos para o desencorajar. E estes agirão assim a título de companheiros de Cristo. Caminhavam com Cristo aqueles que impediam os cegos de gritar. Quer se trate de ameaças, bajulações ou proibições, se tu queres seguir o Cristo, transforma tudo isso em cruz; suporta com paciência e não te deixes abater. [...]
Que [os discípulos] sigam o Cristo, cada um segundo sua condição, cada um segundo seu posto, cada um à sua maneira. Que eles renunciem a si mesmos, levem sua cruz, isto é, suportem no mundo, por causa do Cristo, tudo aquilo que o mundo lhes infligirá. E que amem a Ele, o único que não engana, o único que não mente: amem a Ele porque é verdadeiro o que Ele promete.
Mas, como Ele não o dá agora, a fé vacila. Continua, persevera, suporta, aceita essa demora e, assim, terás carregado tua cruz.” (Sermão 96)
É parte integrante da natureza humana o impulso de fugir à dor e ao sofrimento. Os estoicos da Grécia antiga e os budistas de todos os tempos buscaram rotas de fuga para o sofrimento. Jesus Cristo, ao contrário, assume livremente a cruz, dando-nos o exemplo a seguir: quem ama não foge da dor.
Curiosamente, boa parte de nossos pecados – aqui incluídas as traições, as separações, as quebras de promessas e juramentos... – brotam exatamente da recusa em sofrer. Jogo fora a minha cruz e torno mais pesada a cruz dos outros.
Serei fiel à minha cruz?
Orai sem cessar: “É junto do Senhor que procuro refúgio!” (Sl 11, 1)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

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