Em sua entrada triunfal em Jerusalém
(cf. Mt 21), a multidão aclamaria a Jesus de Nazaré com o título real de Filho
de Davi. Na prática, significava reconhecê-lo como o Messias prometido a
Israel. No tempo do Rei Davi, quando este pensou em construir um templo para
Yahweh, foi-lhe feita uma promessa: um de seus descendentes ocuparia um trono
eterno, e seria tratado por Deus como verdadeiro filho. Ainda que se tratasse de
Salomão, uma leitura posterior viu aqui uma alusão ao Messias.
No Evangelho de hoje, Jesus, tantas
vezes interpelado de modo capcioso pelos doutores da lei e pelos fariseus,
devolve-lhes na mesma moeda. Como os escribas ensinavam que o Messias esperado
era “Filho de Davi”, Jesus se vale de um texto do próprio Davi – o Salmo 110,1
– para mostrar que Davi, paradoxalmente, chamava o Messias de “Senhor”, um
título divino, o que equivale a reconhecer que Davi lhe era inferior.
Claro que o povo se deliciava quando
via os “doutores” desmascarados por um simples carpinteiro. Mateus registra que
foi a gota d’água: dali em diante, desistiram de pegar Jesus em alguma
armadilha doutrinária.
Também hoje, em nossos dias, há
muitos doutores a ensinar suas próprias doutrinas, suas teologias particulares,
ainda que seus livros colidam de frente com a sã doutrina e a tradição
multissecular da Igreja de Jesus. Ousam tratar arbitrariamente de questões
delicadas como o homossexualismo, o aborto, o sacerdócio das mulheres e o próprio
papel de Jesus como Salvador da humanidade. E se o Magistério eclesial se
pronuncia, alertando sobre os erros ou emitindo sanções, os “doutores” se fazem
de vítimas perseguidas pelo poder absolutista do Papa (sic).
Foi assim com a publicação da Instrução
“Christus Dominus”, que reafirmava o papel único de Jesus Cristo na
História da Salvação. A mídia anticatólica logo abriu amplos espaços para os
contestadores, que verberaram a Igreja com os mesmos adjetivos de costume:
retrógrada, conservadora, antiecumênica, integrista, anacrônica.
O Apóstolo nos preveniu: viriam
falsos doutores, lobos com pele de cordeiro (At 20,29), a espalhar suas falsas
doutrinas. O povo simples e fiel prefere ficar com o Filho do Carpinteiro...
Orai
sem cessar: “Hosana ao Filho de Davi!” (Mt
21,9)
Texto
de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.
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