No alto da cruz do Calvário, o “título” que Pilatos mandara redigir declarava o motivo da condenação de Jesus: Iesus Nazarenus Rex Iudeorum (Jesus Nazareno Rei dos Judeus). Em nossos crucifixos, a inscrição é abreviada: INRI. Declarar-se rei significava uma rebelião contra César, o Imperador romano. E diante da pergunta de Pilatos, que o interrogava, Jesus responde afirmativamente: “Sim, eu sou rei!”
Só que o reinado de Jesus é de outra ordem. Ele mesmo diria: “Meu reino não é deste mundo.” (Jo 18,36) Isto é, o Rei Jesus não se impõe pela força dos exércitos, tanto que manda Simão Pedro guardar a espada na bainha. O Rei Jesus não tiraniza os cidadãos de seu Reino, tanto que aceita morrer pelos homens. Não quer dominar as nações nem escravizar os povos, pois respeita ao extremo a liberdade de todos. Ele reina apenas naqueles corações que se abrem ao seu amor...
Por isso mesmo, na solenidade de Cristo, Rei do Universo, a Igreja escolhe evangelhos que mostram Jesus como réu sob julgamento ou como condenado à morte infamante na cruz. Preso e torturado, Jesus sofre a zombaria e o escárnio dos soldados romanos, que o vestem de púrpura, impondo-lhe uma coroa de espinhos, além de lhe darem uma cana como cetro real.
Em tudo isto, uma importante lição: toda tentativa de usar a força para impor o cristianismo contraria frontalmente as intenções do Senhor. Os projetos de dominação política que usaram a fé cristã como instrumento de poder foram sempre abusos inaceitáveis. Nosso Rei é suave, manso e humilde. Ele age no íntimo das consciências. Convida e espera. Não quer escravos. Quer amigos...
Nas palavras de João Paulo II, “todo homem é convidado a converter-se e a crer no amor misericordioso de Deus por ele: o Reino crescerá à medida que cada homem aprende a dirigir-se a Deus, na intimidade da oração, como a um Pai, e se esforçar por cumprir a Sua vontade”. (R. Missio, 13) Para o Papa, o Reino de Deus se destina a todos os homens e atinge a pessoa humana tanto em suas dimensões físicas como espirituais. O Reino pretende transformar as relações entre os homens, de modo a se amarem e servirem mutuamente. A natureza do Reino de Deus é a comunhão de todos os seres humanos entre si e com Deus. (Idem, 15)
Queremos que Cristo reine sobre nós?
Orai sem cessar: “O Senhor reina: a terra exulte de alegria!” (Sl 97,1)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

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