quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

PALAVRA DE VIDA


Caíram em terra boa... (Mc 4,1-20)
            Nas parábolas, Jesus sempre recorre a imagens e situações da vida do povo. É assim que ele nos fala da mulher que amassa o pão, o pescador que lança as redes, a lamparina de azeite que fumega, mas ainda tem vida... Hoje, o Rabi da Galileia mostra terras e sementes. Como ele mesmo interpreta (cf. Mc 4,13ss), a semente é a Palavra de Deus. A terra (e existem vários tipos diferentes!) é o coração humano. Como é bonito, da parte de Deus, ver nosso coração como um terreno ao qual ele confia o precioso tesouro de sua Palavra, que ali deve germinar, crescer e frutificar.
            Em um conhecido sermão sobre a Palavra de Deus, o Pe. Antonio Vieira, em pleno Brasil Colônia, já demonstrava que a semente divina não falha nunca, o que pode impedir sua germinação é o tipo de terreno que a acolhe ou a rejeita. Mais recentemente, em sua mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais de 2012, com o tema “Silêncio e palavra: caminho de evangelização”, o Papa Bento XVI chamava nossa atenção para o silêncio como condição necessária para acolher a semeadura do Senhor.
            “Quando palavra e silêncio se excluem mutuamente, a comunicação deteriora-se, porque provoca certo aturdimento ou, no caso contrário, cria um clima de indiferença; quando, porém se integram reciprocamente, a comunicação ganha valor e significado.”
            Esta reflexão nos coloca diante de um traço marcante da sociedade atual: a expansão ilimitada do ruído e da agitação, paralelamente à falta de espaços (dentro e fora do homem) para a semeadura e a germinação da Palavra de Deus.
            O Papa comenta: “Se Deus fala ao homem mesmo no silêncio, também o homem descobre no silêncio a possibilidade de falar com Deus e de Deus. Temos necessidade daquele silêncio que se torna contemplação, que nos faz entrar no silêncio de Deus e assim chegar ao ponto onde nasce a Palavra, a Palavra redentora. Quando falamos da grandeza de Deus, a nossa linguagem revela-se sempre inadequada e, deste modo, abre-se o espaço da contemplação silenciosa. Desta contemplação nasce, em toda a sua força interior, a urgência da missão, a necessidade imperiosa de ‘anunciar o que vimos e ouvimos’, a fim de que todos estejam em comunhão com Deus (cf. 1Jo 1,3). A contemplação silenciosa faz-nos mergulhar na fonte do Amor, que nos guia ao encontro do nosso próximo, para sentirmos o seu sofrimento e lhe oferecermos a luz de Cristo, a sua Mensagem de vida, o seu dom de amor total que salva”.
            É assim que, em nossos dias, o ruído em altos decibéis e a agitação da vida urbana representam de modo concreto os espinhos e os pedregulhos da parábola, que impedem em nosso interior a floração e a frutificação da Palavra de Deus.
            Ah! Se disséssemos como o jovem Samuel: “Fala, Senhor, que o teu servo escuta!”
Orai sem cessar: “E nossa terra produzirá seu fruto...” (Sl 85,13)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

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