sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

PALAVRA DE VIDA

À sua sombra... (Mc 4,26-34) 

     O Reino de Deus é um espaço de acolhida. Foi de início minúscula semente. Lançada à terra, germinou e cresceu. Tempos depois (nunca sabemos quanto!), desenvolveu-se o suficiente para ter galhos fortes, capazes de sustentar os ninhos das aves do céu, que ali encontram segurança e proteção. Sim, é uma imagem dinâmica: fala de um Reino sempre em transformação, em crescimento, nunca pronto. Mas a imagem também aponta para uma finalidade: existem, ao longe, aves do céu (isto é, povos estrangeiros, que não conhecem ainda a Boa Nova do Evangelho) que irão precisar de pouso e acolhida. E isto é nossa missão... 
     A Igreja – como parte do Reino de Deus – não existe para si mesma. Ela existe para a Humanidade inteira. Que nos ensina o Concílio Vaticano II? “As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos os que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo. Não se encontra nada verdadeiramente humano que não lhes ressoe no coração.” (Gaudium et Spes, 1.) 
O arbusto da mostarda - que chega a uns 3m de altura na Palestina – serve de inspiração para as famílias. Precisamos crescer para acolher os outros. Se ficamos raquíticos, não nos sentimos capazes de acolher a ninguém. Nem mesmo os próprios filhos! Aliás, é esse raquitismo espiritual (e não a conjuntura econômica!) que leva a evitar filhos. Logo o verbo “evitar”, que se aplica a pragas, doenças e desastres... 
    Nossa família sempre foi uma “casa aberta”. Além dos dois filhos, moraram conosco, em épocas diferentes, vários jovens e crianças: Paulinho, Antônio Celso, Marília, Bete (hoje pós-doutorada em Genética Molecular), Abílio (hoje médico), Celso e Luís Alberto (professores), Lelena, Patrícia, Elisa e uma jovem universitária que engravidara e, a pedido do sacerdote amigo, acolhemos até o fim da gravidez. 
   Não só as famílias... A paróquia, comunidades novas, Institutos religiosos – todos são chamados a crescer como o grão de mostarda e abrir espaço para os outros. O mundo precisa de nós, hoje mais do que nunca! “As presentes condições do mundo tornam ainda mais urgente este dever da Igreja, a fim de que os homens, hoje mais intimamente unidos por vários vínculos sociais, técnicos e culturais, alcancem também total unidade em Cristo.” (Lumen Gentium, 1.) 
Orai sem cessar: “E grande será a paz dos teus filhos!” (Is 54,13) 
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

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