Ganhar o mundo... (Lc 9,22-25)
Qual a
vantagem em ganhar o mundo – pergunta Jesus – se, com isso, perdemos nossa
alma? Ganhar o que passa e perder o eterno?
Afinal, que
é “ganhar o mundo”? Naturalmente, Jesus não pensa em coisas grandiosas como o
Império Romano, a presidência da ONU ou mesmo, em escala menor, o governo de um
Estado. Um homem simples como o Mestre de Nazaré devia pensar em coisas mais
corriqueiras, mais próximas de nós. “Ganhar o mundo” pode ser tanta coisa!
Casar-se com um marido rico. Conquistar a menina mais bonita da aldeia. Receber
o canudo da Universidade, em papel-pergaminho. Tomar o posto do chefe imediato.
Ser considerado o melhor pregador da Forania. Juntar um pé-de-meia suficiente
para nunca mais depender de ninguém.
Claro, tudo
isso tem um preço. Quanta besteira se faz para atingir um desses objetivos!
Mentiras, trapaças, excesso de trabalho, táticas de sedução, avareza e
indiferença pelos mais necessitados. Pergunte a um mendigo para ver quantas
vezes ele pede e... não recebe. Pergunte à Polícia Federal quantos diplomas
falsos correm por este país. Pergunte às infelizes esposas se a imagem que o
noivo lhes vendeu corresponde à imagem do marido que amanheceu a seu lado...
No fim da
vida, é hora do balanço. Se preferir, pode chamar de Juízo. Logo após a morte,
um Juízo Particular (cf. Hb 9,27). No fim dos tempos, um Juízo Final. Mas é
logo no primeiro – o “pequeno juízo” – que as coisas são postas na balança:
aquelas antigas, de dois pratos. De um lado, pensamentos e palavras, atos e
omissões, como rezamos no “Eu, pecador”. Do outro lado, nossas verdadeiras
intenções e sentimentos, nossos objetivos não confessados.
É nesse
momento crucial – aquela espécie de limiar entre a vida e a morte – que a
insuperável luz divina tudo esclarece, sem sombras nem véus. E nós, moribundos,
num átimo de tempo, reconhecemos se nossa vida foi pautada, ou não, pelo amor.
Nesse instante, muita gente vê que ganhou o mundo e... perdeu a alma...
Jesus Cristo
preferiu perder a vida a renunciar à sua missão. Preferiu perder o “reino deste
mundo” a adorar o demônio. Preferiu ser crucificado a aderir aos poderosos
deste mundo. Isto é, viveu exatamente o que pregava.
Como anda
nossa coerência cristã? Quais são os nossos objetivos? Nossa vida é orientada
pelo Amor?
Orai sem cessar: “Se vos possuo, Senhor, nada mais
me atrai na terra!” (Sl 73,25)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova
Aliança.

Nenhum comentário:
Postar um comentário