quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

PALAVRA DE VIDA


Ganhar o mundo... (Lc 9,22-25)

            Qual a vantagem em ganhar o mundo – pergunta Jesus – se, com isso, perdemos nossa alma? Ganhar o que passa e perder o eterno?
            Afinal, que é “ganhar o mundo”? Naturalmente, Jesus não pensa em coisas grandiosas como o Império Romano, a presidência da ONU ou mesmo, em escala menor, o governo de um Estado. Um homem simples como o Mestre de Nazaré devia pensar em coisas mais corriqueiras, mais próximas de nós. “Ganhar o mundo” pode ser tanta coisa! Casar-se com um marido rico. Conquistar a menina mais bonita da aldeia. Receber o canudo da Universidade, em papel-pergaminho. Tomar o posto do chefe imediato. Ser considerado o melhor pregador da Forania. Juntar um pé-de-meia suficiente para nunca mais depender de ninguém.
            Claro, tudo isso tem um preço. Quanta besteira se faz para atingir um desses objetivos! Mentiras, trapaças, excesso de trabalho, táticas de sedução, avareza e indiferença pelos mais necessitados. Pergunte a um mendigo para ver quantas vezes ele pede e... não recebe. Pergunte à Polícia Federal quantos diplomas falsos correm por este país. Pergunte às infelizes esposas se a imagem que o noivo lhes vendeu corresponde à imagem do marido que amanheceu a seu lado...
            No fim da vida, é hora do balanço. Se preferir, pode chamar de Juízo. Logo após a morte, um Juízo Particular (cf. Hb 9,27). No fim dos tempos, um Juízo Final. Mas é logo no primeiro – o “pequeno juízo” – que as coisas são postas na balança: aquelas antigas, de dois pratos. De um lado, pensamentos e palavras, atos e omissões, como rezamos no “Eu, pecador”. Do outro lado, nossas verdadeiras intenções e sentimentos, nossos objetivos não confessados.
            É nesse momento crucial – aquela espécie de limiar entre a vida e a morte – que a insuperável luz divina tudo esclarece, sem sombras nem véus. E nós, moribundos, num átimo de tempo, reconhecemos se nossa vida foi pautada, ou não, pelo amor. Nesse instante, muita gente vê que ganhou o mundo e... perdeu a alma...
            Jesus Cristo preferiu perder a vida a renunciar à sua missão. Preferiu perder o “reino deste mundo” a adorar o demônio. Preferiu ser crucificado a aderir aos poderosos deste mundo. Isto é, viveu exatamente o que pregava.
            Como anda nossa coerência cristã? Quais são os nossos objetivos? Nossa vida é orientada pelo Amor?
Orai sem cessar: “Se vos possuo, Senhor, nada mais me atrai na terra!” (Sl 73,25)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

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